segunda-feira, 22 de agosto de 2016

DESENCONTROS


Mais um poema traduzido para o francês pelo amigo Pedro Vianna


não tenho medo de ser simples
tenho medo de ser oco
de ser raso

não tenho medo do esquecimento
tenho medo da lembrança feita de mágoa
do rancor

não tenho medo da rotina
da crise de meia-idade
da constância dos funerais
das mesmas conversas
dos mesmos amigos

tenho medo do verão
tenho medo da saudade

tenho medo dos caminhos que não segui
das escolhas que não fiz
dos desencontros



Rencontres ratées

je n’ai pas peur d’être simple
j’ai peur d’être creux
d’être plat

je n’ai pas peur de l’oubli
j’ai peur du souvenir fait de chagrin
de la rancœur

je n’ai pas peur de la routine
de la crise de l’âge mûr
de la récurrence des funérailles
des mêmes conversations
des mêmes amis

j’ai peur de l’été
j’ai peur de la présence des absences

j’ai peur des chemins que je n’ai pas suivis
des choix que je n’ai pas faits
des rencontres ratées

Tradução para o francês:
Pedro Vianna



quarta-feira, 3 de agosto de 2016

IT WAS REALLY NOTHING

Capas dos volumes 1 e 2 da coletânea Best (1992), que trazem a mesma foto cortada ao meio mostrando um casal de motociclistas fotografados pelo ator Dennis Hopper. A foto foi extraída do livro OUT OF THE SIXTIES, lançado pelo ator em 1986. Coletânea que marcou minha juventude, costumava escutar os dois na sequência, emprestados do sempre solidário Sérgio Damião.

segunda-feira, 25 de julho de 2016

quinta-feira, 7 de julho de 2016

SOB PRESCRIÇÃO: 10 Anos

Em uma época em que as redes sociais ainda engatinhavam, há exatamente dez anos, lançávamos em Santo Amaro (BA), com a ajuda dos amigos, uma coletânea de contos e poesia que marcaria toda uma
geração na cidade, seja por seu tom anárquico, seu “do it yourself” ou sua forma de tratar angústias e inquietações com um pano de fundo local e sem meias palavras. Inusitadamente o livro, com sua postura marginal, ganhou status cult e sem pretensão alguma, embora trouxesse uma contracapa ironicamente arrogante e pouco entendida, acabou traduzindo a desesperança da juventude  naquele momento e consequentemente despertou o interesse de leitores de outras regiões. Referenciada até hoje, SOB PRESCRIÇÃO teve sua tiragem rapidamente esgotada, gerando a circulação de foto cópias em forma de apostilas. Há quem diga que o livro mereça uma nova edição, revista e ampliada; outros defendem a ideia de que a mística não pode ser maculada, que o seu lugar na história deva ser apenas ali: na fria noite de 07 de julho de 2006. Gostaria apenas de brindar esse dia com meus amigos numa mesa de bar relembrando os bastidores daquela aventura. E ser apontado na rua como "o cara do livro preto".

sexta-feira, 1 de julho de 2016

(...)

Por falta do que dizer ou por acreditar que estão sendo delicados, sempre me perguntam quando lançarei o próximo livro (como se tivessem lido o último ou o antepenúltimo ou qualquer coletânea que eu tenha participado). Quase nunca sei o que responder, na maioria das vezes desconverso, na verdade não quero escrever mais. Este blogue está quase abandonado. Não posto nada original em redes sociais, apenas compartilho conteúdo alheio. Até mesmo a lista de tarefas que fixo na porta da geladeira e as receitas que prescrevo no consultório, redijo por obrigação. Tenho paúra do que sai da minha caneta. Se eu puder resumir uma conversa de WhatsApp com um emoji, já me dou por satisfeito. Não que me falte inspiração, centenas de ideias para contos, trechos inteiros de uma trama, sequências de diálogos, versos, trafegam cotidianamente por minha cabeça esquizofrênica, mas o desejo de colocar qualquer coisa em papel ou editor de texto não se esvai, ele simplesmente não existe. Acho que o mundo já tem escritores demais.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

sábado, 21 de maio de 2016

IMPUBLICÁVEL


trago na cabeça
um poema tão doloroso
e injustificável
que jamais tentarei
colocar no papel

costumo cantarolar seus versos
numa melodia tristonha
quando estou sozinho
quando a chuva me apanha
na rua e não procuro abrigo
quando amanhece do outro
lado da minha cortina

esse poema é só meu

quinta-feira, 3 de março de 2016

(...)



Meus amigos mais astutos não postam ou comentam nada, geralmente não curtem postagem alguma, às vezes nem mesmo acessam; já as pessoas mais inteligentes que eu conheço sequer estão no Feicebuque. 

Eu dia eu chego lá.




sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

FULANO CONFIRMOU PRESENÇA EM UM EVENTO



A pessoa vai ao lançamento do teu livro, te cumprimenta, tira foto, é simpática com os outros convidados, come e bebe no local e depois sai te maldizendo por não ter recebido nenhum exemplar de cortesia.




domingo, 13 de dezembro de 2015

DIA DE FEIRA

- Gostaríamos de convidá-lo para participar da nossa próxima feira literária, falar um pouco sobre você, sobre sua obra...

- Obrigado, mas não me interessa, creio que ainda me falta história para me expor nesse tipo de evento.

- Não seja modesto, rapaz; basta falar sobre seu processo criativo, responder algumas perguntas, ler trechos dos livros, coisa básica.

- Poderia até coletar meia dúzia de anedotas e freses de efeito para a diversão da claque, além de aproveitar para conhecer sua cidade, mas não me interessa.

- O cachê é de cinco mil. Vai dispensar?

- Não me interessa.





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