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sexta-feira, 8 de julho de 2022

NO TOCA-FITAS DO MEU CARRO XVII

Porque sou o meu próprio Mariozinho Rocha

Tatuei o verso “But I am the greatest motherfucker/ That you'll ever gonna meet”, da canção GMF, do pianista islandês/americano John Grant, no meu braço – entre “You Can't Always Get What You Want” dos Stones e “To die by your side is such a heavenly way to die” dos Smiths. Engraçado que sempre saio de casa com algumas imagens na cabeça e uma pasta de prints no smartphone, de Peanuts a Hitchcock não me faltam ideias para tatuagens, mas fatalmente retorno com algum verso gravado na pele, como se meu corpo fosse um antigo caderno escolar onde anotava frases dispersas durante alguma aula desinteressante no Polivalente de Santo Amaro. 


terça-feira, 5 de outubro de 2021

NO TOCA-FITAS DO MEU CARRO VIII

Porque sou o meu próprio Mariozinho Rocha

Dizem que quanto mais velho você fica mais afastado do palco durante os shows você se posiciona. Eu, que já me acotovelei na grade em festivais ou resisti sentado às botinadas no fosso da Concha Acústica do Teatro Castro Alves, só tendo a concordar. A ausência de algo muitas vezes se converte em resignado desinteresse, foi o que a pandemia e o isolamento social fizeram com minha vontade de frequentar lugares lotados. Acho que até antes desse inferno eu já mantinha estratégica distância de aglomerações nos eventos somada com uma localização confortável do bar. No entanto, gostaria de ainda assistir a uma apresentação dos Rolling Stones na pista, talvez eu até vibrasse com a multidão aos primeiros acordes do riff de “Satisfaction” (canção que dificilmente tocaria em alguma playlist minha) assim como vibrei com “Hey Jude” (outra canção que não toca no meu rádio) no show de Paul McCartney na Arena Fonte Nova.



terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

SOTEROPOLITANA

“Soteropolitana” foi escolhida para ser o primeiro videoclipe do disco ALELUIA, da banda  Cascadura, um álbum temático que ousa abordar as particularidades, problemas, personagens e riquezas de Salvador, sem os seus, cada vez mais folclóricos, estereótipos de baianidade. A letra traça um olhar panorâmico sobre a cidade, contextualizando-a geograficamente e culturalmente, apresentando suas características, o cotidiano das pessoas, dos seus bairros, além do comportamento da elite e a questão do negro em uma cidade que, ao contrário do que a propaganda superficial-oficial propõe, não é somente negra. A canção combina o samba-reggae com “Street Fight Man”, dos Stones, em uma levada que se amalgama naturalmente, sem forçação alguma. O clipe corrobora essa ideia mesclando uma narrativa ficcional, com um garoto e um jovem representando a presença  do etnógrafo e fotógrafo Pierre Verger, personagem único na afirmação das manifestações culturais da Bahia no século XX, a partir do elemento que ele mais valorizava: as gentes. A narrativa documental mostra os populares em toda a sua amplitude e diversidade: os adeptos do candomblé e os cristãos-evangélicos, a bateria do bloco-afro e os adolescentes “roqueiros”,  o trabalho e o lazer, a natureza e a vida urbana. O clipe conta ainda com a presença do dançarino Negrizu, cantado por Caetano Veloso como “o moço lindo do Badauê”, na canção “Beleza Pura”. Fico feliz por, coincidentemente, no mesmo ano de “Aleluia” ter publicado um livro sobre Salvador. E se como dizia Tolstói “se queres ser universal começa por pintar a tua aldeia”, então, comecemos.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

BODAS DE NAFTALINA

“Cinquenta anos dos Rolling Stones”. “Cinquenta anos da conquista do bicampeonato da seleção brasileira no Chile”. “Cinquenta anos da morte de Marilyn Monroe”. “Há cinquenta anos um filme brasileiro ganhava a Palma de Ouro em Cannes”. “Cinquenta anos de Tom Cruise, Jon Bon Jovi, Axl Rose, Paula Toller...”.

Cinquenta é um número forte, emblemático, não nego. Inclusive, sua entonação requer um pouco mais de esforço, uma sílaba de cada vez pedindo passagem, CIN-QUEN-TA, pela boca que parece se abrir mais para pronunciá-lo, um trema que se recusa a morrer. Entendo essa força quando a pedra é cantada num bingo, quando é festejado o aniversário de casamento do feliz casal de vovôs, quando o valor de uma dívida é cobrado, quando o médico comunica que há 50% de chances, mas não compreendo o fetiche que a mídia tem pelo número: é como se 47, 48 e 49 não tivessem existido ou se tivessem ficado hibernando em naftalina, como se não fossem necessários. 

Cinquenta tem vida própria, afinal “não é todo dia que se comemora meio-século”, e 2012 tem sido generoso para quem gosta dessas efemérides (vide o primeiro parágrafo) e que deve ser aproveitadas ao máximo, até porque 51, 52 e 53 vêm aí e são tão importantes quanto 47, 48 e 49 (bem que alguém poderia pegar carona e produzir uma mostra com filmes lançados em 1962, adoraria assistir em uma tela de cinema à “Lawrence da Arábia”, “O Sol é para todos”, “Lolita”, “Jules e Jim”, “007 Contra o Satânico Dr. No” ou à  “Luz de Inverno”.).

Um homem com cinquenta anos é um homem de meia idade – e  que, dificilmente, um dia será um homem de idade inteira. Na numerologia cabalística o número 50 está associado a letra “O” (cinquenta é uó?). Cinquenta é o número atômico do estanho. Em uma cédula de 50 euros há portais e arcos em arquitetura renascentista, na de 50 dólares o ex-presidente Ulysses Simpson Grant (quem?), na de 50 reais uma onça pintada e na de 50 pesos Diego Armando Maradona. Um pé-de-moleque em Salvador custa cinquenta centavos, um programa de meia hora custa cinquenta reais. Cesar Cielo é o recordista mundial dos 50 metros nado livre. O canal Nickelodeon exibiu 50 horas consecutivas de Bob Esponja. A cantora Shakira tem 50 milhões de fãs no Facebook. O atacante uruguaio Edinson Cavani vale 50 milhões de euros. 50 cilindradas é moto de menina. Sobrevivi 50 dias com ela. 

Em janeiro, encontrei uma cédula de 50 cruzados novos, em ótimo estado de conservação, guardada por algum previdente senhor, em uma antiga edição de “Sagarana”, em um sebo da Estação da Lapa, mas isso não tem nada a ver com  o texto – eu acho.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

PODERIAM SER CRÔNICAS, MAS SÃO APENAS NOTAS III

(*) Já escrevi AQUI que prefiro ir à banca de revistas, conferir as novidades, ver as manchetes dos jornais, do que ser assinante. Faço isso desde moleque, quando colecionava minhas primeiras Hqs, não mudaria agora – tornar-se adulto é mero detalhe.
      Algumas publicações, numa estratégia de mercado, costumam colocar duas ou mais capas diferentes à disposição do leitor, algo que tem se tornado cada vez mais comum e me agradado bastante. Em junho de 2010, a “Rolling Stone” disponibilizou uma capa com Mick Jagger e outra com Keith Richards, com suas faces mais imberbes. Ao perguntar ao jornaleiro se a revista já havia chegado, ele prontamente me ofereceu a edição com Jagger, educadamente recusei e disse que preferia a outra, sem se dar por vencido, ele argumentou que era Mick Jagger. “E este é Keith Richards” – sentenciei. Depois, fiquei imaginando qual seria a capa que escolheriam para mim se eu fosse assinante.
      Poder escolher, ainda, é o meu maior trunfo.

(*) Tenho pavor a diminutivos, desde sempre. Falsa intimidade ou excesso de intimidade pouco importa para mim, é constrangedor de qualquer forma. Penso que os “inhos” e  “inhas” deveriam se restringir, no máximo, ao ambiente familiar. Os irmãos Fernandinho e Fernandinha, ao se encontrarem no pátio da escola, se tratariam como Fernando e Fernanda, sem carinhos... Ops! Será que “carinho” também é um diminutivo?

(*) Fotógrafos, Djs, escritores e comediantes se espalham por aí, feito uma virose pós-carnaval. Acho que falta quem diga que apertar um botão não faz de ninguém fotógrafo, colocar um disco para tocar não faz de ninguém DJ, ajuntar palavras não faz de ninguém poeta, contar uma piada não faz de ninguém comediante. No entanto, enquanto houver quem “curta” e “compartilhe” a ausência de talento ainda será a bola da vez.
       A busca por um padrão diminui as possibilidades, e nunca houve tantas.

(*) Poderiam ser crônicas, mas são apenas parágrafos. Falta de fôlego do cronista ou preguiça do leitor? Preguiça do cronista ou falta de fôlego do leitor? Falta do leitor ou falta do cronista? Falta de leitor?

quinta-feira, 24 de junho de 2010

SOB A DEBOCHADA E LASCIVA LÍNGUA VERMELHA

OS ROLLING STONES NA PRAIA DE COPACABANA. Não se falava em outra coisa nos últimos tempos e a apresentação prometia, realmente, ser histórica. Juntamente com alguns amigos, resolvi encarar a viagem de ônibus até ao Rio de Janeiro. Chegamos à cidade na tarde do show. Em Copacabana nos deparamos com uma multidão intransponível, formada por todo tipo de gente. Eram milhares de pessoas por toda parte, muitas só conheciam “Satisfaction”, outras nem isso. Eu estava a cerca de um quilômetro de distância do palco quando a banda começou a tocar. Havia telões espalhados pelo calçadão e o som não era dos melhores - não poderia me atrever a dizer, quando voltasse, que estive no show dos caras. Um pouco decepcionado, olhei para o lado e percebi os seios de uma garota se insinuando sob a debochada e lasciva língua vermelha da camiseta. Isso foi o máximo que vi dos Stones naquela noite.


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