Sempre escutei que não gosto de gente. Durante muito tempo acatei essa sentença como uma excêntrica característica, mais uma para o meu extenso catálogo de idiossincrasias. E de tanto repetirem, comecei a acreditar – era algo irrefutável. Mas agora, na maturidade, compreendo que seguramente eu não desgosto, na verdade até estimo algumas pessoas. O que eu não gosto são determinadas peculiaridades, uma listagem que eu poderia ter apresentado na juventude, numa planilha do Excel, para aquelas que pretendiam ter algum grau da minha amizade e que eu acabei refutando sem elas nunca saberem o motivo. Pretendia enumerá-las abaixo (misteriosamente ainda mantive o título na postagem), mas desisti. Suspeito que não seria satisfatória e eu acabaria frequentemente retornando aqui para editar. Então, se algum dia você me achou frio e distante, quase indiferente, não me leve a sério. Talvez tenha sido apenas efeito daquela característica que eu não aprecio em você.
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quinta-feira, 19 de outubro de 2023
10 COISAS QUE EU ODEIO EM VOCÊS
sexta-feira, 4 de agosto de 2023
"A NOITE MAIS LINDA DO MUNDO"
Eu era feliz e sabia. A vida até parecia congelar, como em algum filme de Martin Scorsese, para ver minha alegria passar pela avenida como um samba popular, com direito à narração em off e trilha sonora. Não pretendo definir felicidade, nem sei se acredito realmente nela. Mas não era difícil perceber que os melhores dias da minha parca existência estavam acontecendo naquele momento, era impossível melhorar. Tudo que viesse depois seria ruínas, um spoiler engatilhado e apontado para minha cabeça. E eu aproveitei. Aproveitei como se realmente o mundo fosse acabar amanhã – ainda que fosse apenas o meu reles e insignificante mundo. Eu era feliz e sabia.
*Título extraído da canção homônima gravada por Odair José em 1974
terça-feira, 21 de julho de 2015
“BATIDAS NA PORTA DA FRENTE, É O TEMPO”
– Hey?! Tem alguém aí? Alguém ainda aparece por esses lados?
Numa época em que tudo parece se diluir na efemeridade do Instagram e Feicebuque, nos lápis de cor dos livros de colorir, um blogue parece ser um veículo cada vez mais sem importância, para poucos destemidos que não se deixam perder no vazio excessivo das redes sociais.
Mesmo assim, gostaria de postar mais. Não me falta assunto: falta areia na ampulheta.
Sempre rejeitei a desculpa da falta de tempo, acreditava que quando você quer realmente realizar algo tudo se torna adiável. Organizar prioridades deveria ser a solução óbvia. Mas o que fazer quando após eliminar tudo o que for desnecessário só lhe restar dezenas de “prioridades”?
Recentemente, em um cálculo pouco apurado, sem consulta a gráficos e estatísticas, cheguei ao surpreendente resultado de que se o dia tivesse 36 horas não seria suficiente.
Vejo minha família e meus amigos menos do que eu gostaria; os jogadores do meu time são, para mim, notórios desconhecidos; livros se acumulam na estante, na prateleira destinada às próximas leituras; filmes desaparecem nos fins de semana de estreia sem a minha presença numa sala de cinema. Prioridades? Viajar a passeio, pedalar no parque, cultivar bonsais, conhecer meus vizinhos além das formalidades do elevador, ter um filho, um cachorro...
Talvez, e agora eu me permito uma resignada elucubração, seja consequência de mudanças na vida pessoal e profissional, o fim das certezas confortavelmente estabelecidas. Ou talvez apenas procure desculpas que não cabem no manual de autoajuda, talvez...
– Hey?! Tem alguém aí? Alguém ainda aparece por esses lados? Hey?!
Numa época em que tudo parece se diluir na efemeridade do Instagram e Feicebuque, nos lápis de cor dos livros de colorir, um blogue parece ser um veículo cada vez mais sem importância, para poucos destemidos que não se deixam perder no vazio excessivo das redes sociais.
Mesmo assim, gostaria de postar mais. Não me falta assunto: falta areia na ampulheta.
Sempre rejeitei a desculpa da falta de tempo, acreditava que quando você quer realmente realizar algo tudo se torna adiável. Organizar prioridades deveria ser a solução óbvia. Mas o que fazer quando após eliminar tudo o que for desnecessário só lhe restar dezenas de “prioridades”?
Recentemente, em um cálculo pouco apurado, sem consulta a gráficos e estatísticas, cheguei ao surpreendente resultado de que se o dia tivesse 36 horas não seria suficiente.
Vejo minha família e meus amigos menos do que eu gostaria; os jogadores do meu time são, para mim, notórios desconhecidos; livros se acumulam na estante, na prateleira destinada às próximas leituras; filmes desaparecem nos fins de semana de estreia sem a minha presença numa sala de cinema. Prioridades? Viajar a passeio, pedalar no parque, cultivar bonsais, conhecer meus vizinhos além das formalidades do elevador, ter um filho, um cachorro...
Talvez, e agora eu me permito uma resignada elucubração, seja consequência de mudanças na vida pessoal e profissional, o fim das certezas confortavelmente estabelecidas. Ou talvez apenas procure desculpas que não cabem no manual de autoajuda, talvez...
– Hey?! Tem alguém aí? Alguém ainda aparece por esses lados? Hey?!
domingo, 1 de março de 2015
"EU SOU A AREIA DA AMPULHETA"
Envelhecer é uma sentença e uma inquietação, não lhe faltam aforismos, poemas, músicas... Uma descrição que sempre apreciei afirma que constatamos realmente a passagem do tempo quando passamos a ir ao cemitério com mais frequência. Recentemente me deparei com algo igualmente desolador: alguns amigos da mesma geração já são ou serão avós; e eu, que ainda nem sou pai, assisto a essa ciranda da vida sem expectativas e sem frustrações. Consciente de que poderei, com esses apressados cabelos brancos, ser avô do meu filho.
quarta-feira, 25 de junho de 2014
O INFAME DA VILEZA
Escritores tendem a se achar semideuses, a única Pepsi-Cola do Jardim de Alah, o pote de ouro no final do arco-íris (muitas vezes se acham o próprio arco-íris) mesmo quando não publicaram nenhuma nota de rodapé, mas isso é o que menos importa, para um escritor é comum acreditar que um dia serão descobertos, compreendidos, cultuados; serão figurinhas fáceis em feiras literárias, terão trechos recitados por Tony Ramos no Fantástico, obras adaptadas para cinema e TV, darão opinião sobre-tudo-e-qualquer-coisa mais do que Caetano Veloso. E se a vida, essa pequenez divina, não os contemplar a tempo, restará a posteridade póstuma, quando serão estudados pelas melhores faculdades, pelas mais brilhantes cabeças pensantes do futuro. Outra característica do escritor é desmerecer o trabalho alheio: só ele escreve bem, o resto chafurda na mediocridade, e quando o colega é realmente bom não passa de um copiador barato, um repetidor de cânones consagrados. Resumindo, escritor no Brasil é um chato de galochas. Sempre que me acho melhor do que realmente sou, abandono minha Bic e vou secar a louça, repor a despensa, limpar os armários: genialidades de pessoas comuns.
quinta-feira, 12 de junho de 2014
COM DEFEITO DE FÁBRICA
Nasci com saudade, meu defeito de fábrica. E de saudade estão contaminados os poemas de "A Casa da Árvore". Saudade, inclusive, do que não vivi.
Sempre fiz poesia, ou deixei que a poesia me fizesse, que moldasse minha escrita, minha necessidade de exteriorizar sentimentos, uma inquietação juvenil que o tempo se encarregou de dizer o que é página de diário, letra de música, poesia ou incinerador. Muitas ideias ficaram pelo caminho, projetos que não foram adiante, poemas que envelheceram mal nas gavetas, que perderam o sentido, que não faziam sentido. O que sobreviveu virou CINEMA, minha primeira publicação solo e atrevimento poético. Naquela época, embora não fosse mais tão menino assim, cultivava algumas pretensões e ansiedades típicas de iniciante, um desejo de querer dizer tudo que eu acreditava ser essencial. Ali, a infância já era um tema que tingia de saudade quase todo o livro.
Em A CASA DA ÁRVORE reencontro a infância. Só que dessa vez a observo de longe. Dividido em três partes ou três lares (Casa de Retalhos, Casa de Espelhos e A Casa da Árvore), reúne o que produzi de relevante, na minha caótica opinião, nos últimos anos. Pouco escrevo poesia, às vezes passo meses e mais meses sem nada escrever. Ao contrário da minha obra de ficção, que tenho o completo domínio do parar e iniciar, minha poesia é quem me comanda. Parece clichê, provavelmente até seja, mas poesia é de dentro pra fora. Sua feitura é diferente. É dolorosa. Na primeira parte, Casa de Retalhos, trago os poemas postados no meu blogue, com pontuais modificações nos títulos, palavras e até na inclusão, exclusão e ordem dos versos. Desde o início, o plural “retalhos” parecia ser a escolha mais óbvia para designar o capítulo, mas ao ver todos aqueles textos agrupados, notei que havia uma unidade, um desassossego, uma melancolia. Na revisão final “retalhos” permaneceu. Percebi que na minha memória afetiva “retalhos” sempre foi singular. A segunda parte, Casa dos Espelhos, é a menor e a que mais me deu prazer em produzir, pois pude retomar, com um saudável distanciamento, poemas antigos através das traduções realizadas, e publicadas, pelo amigo Pedro Vianna na França (“Arrumando as Malas”, de OS OUTROS POEMAS DE QUE FALEI, 2004; “Os Outros”, de SOB PRESCRIÇÃO, 2006; “Malícias”, inédito; “Versos Excluídos”, “Sinopse”, “Ironia”, “Um Miserável a ver navios” e “Pano de Boca”, de CINEMA, 2007). A última parte também denomina o livro, A Casa da Árvore, e é uma reflexão sobre a infância, sobre como dói ser criança, sobre como é equivocada a urgência de crescer, embora só percebamos isso depois, muito depois. Nesse capítulo, a saudade inflama com mais intensidade, indo de uma solitária partida de futebol de botão, passando pela casa em que crescemos e que nunca nos abandonará a até um platônico amor infantil que encontrará seu fim nas rodas de um caminhão. O mundo era menos triste/ na casa da árvore. Inevitável sentença.
A infância não é para inocentes, mas a poesia talvez seja. Então, quero que essa inocência impregne meus versos, quero resvalar na criança que eu fui, quero que ela encontre o adulto que eu me tornei, quero que ela tenha orgulho de mim.
Nasci com saudade, meu defeito de fábrica.
Sempre fiz poesia, ou deixei que a poesia me fizesse, que moldasse minha escrita, minha necessidade de exteriorizar sentimentos, uma inquietação juvenil que o tempo se encarregou de dizer o que é página de diário, letra de música, poesia ou incinerador. Muitas ideias ficaram pelo caminho, projetos que não foram adiante, poemas que envelheceram mal nas gavetas, que perderam o sentido, que não faziam sentido. O que sobreviveu virou CINEMA, minha primeira publicação solo e atrevimento poético. Naquela época, embora não fosse mais tão menino assim, cultivava algumas pretensões e ansiedades típicas de iniciante, um desejo de querer dizer tudo que eu acreditava ser essencial. Ali, a infância já era um tema que tingia de saudade quase todo o livro.
Em A CASA DA ÁRVORE reencontro a infância. Só que dessa vez a observo de longe. Dividido em três partes ou três lares (Casa de Retalhos, Casa de Espelhos e A Casa da Árvore), reúne o que produzi de relevante, na minha caótica opinião, nos últimos anos. Pouco escrevo poesia, às vezes passo meses e mais meses sem nada escrever. Ao contrário da minha obra de ficção, que tenho o completo domínio do parar e iniciar, minha poesia é quem me comanda. Parece clichê, provavelmente até seja, mas poesia é de dentro pra fora. Sua feitura é diferente. É dolorosa. Na primeira parte, Casa de Retalhos, trago os poemas postados no meu blogue, com pontuais modificações nos títulos, palavras e até na inclusão, exclusão e ordem dos versos. Desde o início, o plural “retalhos” parecia ser a escolha mais óbvia para designar o capítulo, mas ao ver todos aqueles textos agrupados, notei que havia uma unidade, um desassossego, uma melancolia. Na revisão final “retalhos” permaneceu. Percebi que na minha memória afetiva “retalhos” sempre foi singular. A segunda parte, Casa dos Espelhos, é a menor e a que mais me deu prazer em produzir, pois pude retomar, com um saudável distanciamento, poemas antigos através das traduções realizadas, e publicadas, pelo amigo Pedro Vianna na França (“Arrumando as Malas”, de OS OUTROS POEMAS DE QUE FALEI, 2004; “Os Outros”, de SOB PRESCRIÇÃO, 2006; “Malícias”, inédito; “Versos Excluídos”, “Sinopse”, “Ironia”, “Um Miserável a ver navios” e “Pano de Boca”, de CINEMA, 2007). A última parte também denomina o livro, A Casa da Árvore, e é uma reflexão sobre a infância, sobre como dói ser criança, sobre como é equivocada a urgência de crescer, embora só percebamos isso depois, muito depois. Nesse capítulo, a saudade inflama com mais intensidade, indo de uma solitária partida de futebol de botão, passando pela casa em que crescemos e que nunca nos abandonará a até um platônico amor infantil que encontrará seu fim nas rodas de um caminhão. O mundo era menos triste/ na casa da árvore. Inevitável sentença.
A infância não é para inocentes, mas a poesia talvez seja. Então, quero que essa inocência impregne meus versos, quero resvalar na criança que eu fui, quero que ela encontre o adulto que eu me tornei, quero que ela tenha orgulho de mim.
Nasci com saudade, meu defeito de fábrica.
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
NEVE SOBRE OS CEDROS
─ Lá em casa tratamos nossa “secretária” como se fosse da família.
Não sei por que, mas alguns eufemismos soam tão estridentes aos meus ouvidos. “Secretária”, ao invés de empregada, é um deles, assim como C.A. no lugar de câncer ou “pessoa” no lugar de namorado(a).
─ Inclusive, ela come a mesma comida que a gente, viu?!
Por pura pirraça, perguntei qual era o papel higiênico que a família destinava à “secretária”.
─ Um mais normalzinho.
Nem lhe presenteei com meu olhar de reprovação, para mim uma conversa boba que nem deveria ter começado já tinha terminado, ainda assim ela treplicou:
─ Cê não queria que a gente colocasse Neve nas dependências, né?!
(...)
Parece anedota, mas infelizmente tive esse papo.
Maldita mesa de bar.
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
PENSANDO ALTO
(*) Costumo ler as notas do obituário nos jornais de Salvador e frequentemente encontro alguém natural de Santo Amaro entre os falecidos, como se estivesse me lembrando que em breve não serei mais notícia no caderno 2.
(*) Ainda sei que sou o mesmo menino do interior quando olho para o lado quando escuto uma buzina de automóvel (buzinar no interior é cumprimento); quando olho pra cima quando passa um avião (avião no interior é novidade, brincadeira de criança).
(*) Pode parecer implicância, talvez até seja realmente, mas acho insuportável o ato de assobiar canções. Se acalma quem faz, só me enfurece. Conviver com pessoas que cultivam esse hábito é uma tortura, só me vem à cabeça a assassina caolha de Daryl Hannah em “Kill Bill”.
(*) Minha geração decretou o casamento como uma instituição falida. No entanto, começo a observar que jovens casais, entre 19 e 23 anos, estão se casando cada vez mais cedo. Solteirice, definitivamente, é coisa de velho.
(*) Dieta da bola de algodão? Não, uma fatia de torta de tapioca com doce de leite, por favor.
(*) Não faz muito tempo, economizava-se crédito nas ligações feitas para telefone móvel; hoje, com tantos planos e bônus, economiza-se a carga da bateria do aparelho. Preciso aprender a me economizar também.
(*) WhatsApp não deixa de ser um passo adiante na ruidosa comunicação humana, mas os grupos do aplicativo são uma praga. Qualquer assunto vira “grupo”: trabalho escolar, confraternização, fofoca, novela, The Voice, dieta, anos 80...
(*) Ninguém me avaliou no Lulu.
(*) Nunca acreditei que todo mundo fosse filho de Papai Noel.
(*) Nunca acreditei em Papai Noel.
(*) Ainda sei que sou o mesmo menino do interior quando olho para o lado quando escuto uma buzina de automóvel (buzinar no interior é cumprimento); quando olho pra cima quando passa um avião (avião no interior é novidade, brincadeira de criança).
(*) Pode parecer implicância, talvez até seja realmente, mas acho insuportável o ato de assobiar canções. Se acalma quem faz, só me enfurece. Conviver com pessoas que cultivam esse hábito é uma tortura, só me vem à cabeça a assassina caolha de Daryl Hannah em “Kill Bill”.
(*) Minha geração decretou o casamento como uma instituição falida. No entanto, começo a observar que jovens casais, entre 19 e 23 anos, estão se casando cada vez mais cedo. Solteirice, definitivamente, é coisa de velho.
(*) Dieta da bola de algodão? Não, uma fatia de torta de tapioca com doce de leite, por favor.
(*) Não faz muito tempo, economizava-se crédito nas ligações feitas para telefone móvel; hoje, com tantos planos e bônus, economiza-se a carga da bateria do aparelho. Preciso aprender a me economizar também.
(*) WhatsApp não deixa de ser um passo adiante na ruidosa comunicação humana, mas os grupos do aplicativo são uma praga. Qualquer assunto vira “grupo”: trabalho escolar, confraternização, fofoca, novela, The Voice, dieta, anos 80...
(*) Ninguém me avaliou no Lulu.
(*) Nunca acreditei que todo mundo fosse filho de Papai Noel.
(*) Nunca acreditei em Papai Noel.
quarta-feira, 6 de novembro de 2013
(NÃO) AMAR É...
Uma amiga, dona de casa e mãe de três filhos adultos, conseguiu realizar um sonho adiado mas nunca esquecido: se formou em direito. Ôquei, isso não é nada incomum, provavelmente todo mundo conhece uma dúzia de histórias de superação muito mais dolorosas, porém o que chamou minha atenção foram os agradecimentos da recém formanda, com um parágrafo inteiro dedicado ao esposo, que ficou propositadamente afastado dos outros agradecidos (gente sem valor, como professores, incentivadores e familiares que se apertaram no mesmo parágrafo). No texto, o marido é tratado como um adversário na jornada, um obstáculo que precisava ser ultrapassado, em tom claramente irônico ela agradece pela “oposição contínua” e pela “permanente hostilidade”.
Após ler os agradecimentos, fiquei tentando descobrir o que leva um casal que se odeia a conviver sob o mesmo teto anos a fio, que mesquinhez, egoísmo ou comodidade aprisiona duas pessoas numa existência. O amor?
Não me atrevo a definir o que é o amar, tal qual uma figurinha dos anos 80 ou os colegas literatos Fabrício Carpinejar e Ediney Santana, não tenho essa coragem, não tenho essa ousadia. Nesse assunto sou um incompetente aprendiz, admito.
Pouco posso saber sobre o amor, mas já vivi suficiente para saber o que não é o amor.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
COVA RASA VIRTUAL
(*) Já me “queixei” que o número de comentários em meu blogue havia diminuído consideravelmente, passando da casa dos sessenta para três ou quatro fiéis gatos pingados (alô Paulo, Tânia, Lu, Cila, Mateus e P@ty), embora o número de visitas só aumente. Culpa do Feicebuque, do Instagram e do Candy Crush? Da urgência dos dias? Da falta do que falar? Não sei. Achava que o meu blogue tinha cansado os leitores, se tornado repetitivo, mas blogues extremamente populares também recebem cada vez menos comentários, com algumas postagens ficando no zero. Talvez eu faça como o camarada Ediney Santana e bloqueie os comentários ou espere confortavelmente que os blogues voltem à crista da onda. A verdade é que comentar nos rouba algum tempo. Às vezes mais de um minuto.
(*) Maria Sampaio, uma amiga muito querida, nos deixou há alguns anos. Seguia o seu blogue e mesmo após o seu desencarne continuei seguindo. Simbolicamente ela continuaria ali, naquelas postagens, ao alcance da minha saudade, poderia de quando em vez comentar algo, perguntar como andavam as coisas do lado de lá. Mas acontece que o blogger possui regras escrotas (sim, você também clicou em “Eu Aceito” sem ter lido nada). Depois de certo tempo sem acessar o blogue sai do ar e o endereço fica disponível para ser registrado mais uma vez. Num misto de surpresa e revolta recebi na minha lista de leitura as “novas atualizações” do blogue dela. Pois é, o cãozinho de Maria agora tem novo dono. E eu imaginando que após o meu fim o POR QUE VOCÊ FAZ POEMA seria uma espécie de cemitério virtual.
(*) Outro ano e novamente apareceu um engraçadinho dizendo que hoje era o dia em que Marty McFly chegava do passado, e não faltou quem acreditasse. Estou pensando em escrever uma postagem óbvia, comparando aquele futuro aos nossos dias, e programar para ser publicada em 21 de outubro de 2015. Se eu já tiver viajado para o outro lado será uma espécie de presente para quem continuar me seguindo.
(*) Maria Sampaio, uma amiga muito querida, nos deixou há alguns anos. Seguia o seu blogue e mesmo após o seu desencarne continuei seguindo. Simbolicamente ela continuaria ali, naquelas postagens, ao alcance da minha saudade, poderia de quando em vez comentar algo, perguntar como andavam as coisas do lado de lá. Mas acontece que o blogger possui regras escrotas (sim, você também clicou em “Eu Aceito” sem ter lido nada). Depois de certo tempo sem acessar o blogue sai do ar e o endereço fica disponível para ser registrado mais uma vez. Num misto de surpresa e revolta recebi na minha lista de leitura as “novas atualizações” do blogue dela. Pois é, o cãozinho de Maria agora tem novo dono. E eu imaginando que após o meu fim o POR QUE VOCÊ FAZ POEMA seria uma espécie de cemitério virtual.
(*) Outro ano e novamente apareceu um engraçadinho dizendo que hoje era o dia em que Marty McFly chegava do passado, e não faltou quem acreditasse. Estou pensando em escrever uma postagem óbvia, comparando aquele futuro aos nossos dias, e programar para ser publicada em 21 de outubro de 2015. Se eu já tiver viajado para o outro lado será uma espécie de presente para quem continuar me seguindo.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
EU NÃO ACREDITO NA RAPAZIADA
Hoje, em um momento de mera falta de sorte, me deparei na listagem dos mais populares do YouTube com um vídeo no mínimo infeliz: em efêmeros vinte e quatro segundos, um grupo de jovens dentro de um carro convida um flanelinha para receber o pagamento pelo suposto serviço prestado, eles parecem um pouco assustados, medem com cuidado todas as etapas planejadas. Simulando segurar uma quantidade de moedas, um dos rapazes estende o braço para fora do automóvel, ao se aproximar do flanelinha lhe dá um tapinha na mão, um típico cumprimento entre amigos, logo em seguida o motorista acelera, como se abandonasse a cena de um crime, enquanto todos gargalham satisfeitos. Uma desgastada polaroide do playboy que insiste em viver na farra. Acostumado a essa classe de indivíduos, não me surpreendi. Achei bobo, apenas. Vinte e quatro segundos da minha vida desperdiçados. O que realmente me surpreendeu e incomodou foram os comentários, pérolas sociais do tipo: “sacanagem, agora ele vai descontar arranhando o carro de outro”, “praga das ruas”, “flanelinha tem mesmo que se fuder”, “deveriam ter dado um tiro na cara desse ladrão”, “flanelinha é criminoso, não é trabalhador”, “menos alguns centavos pra comprar droga”, entre outras delicadezas. Não quero discutir a função de quem arregimenta trocados loteando o espaço público, minha tristeza é outra.
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
“O MEU PERFUME NA ROSA DOS VENTOS”
(*) Gosto de dar presentes, mas não gosto de aniversários ou natal. Não gosto de presentes disputando preferências. Não gosto de presentes com hora marcada. Gosto de olhar para uma vitrine e lembrar de alguém. Gosto da surpresa, do não esperado. Gosto que o meu presente seja o único.
(*) “Vai ter presente pra Chiquinha/ e ter presente pra Iaiá/ canoeiro puxa a rede do mar”.
(*) Moro em uma cidade onde ainda é possível encontrar relojoeiros, alfaiates, sapateiros, mas onde é cada vez mais difícil encontrar uma agência dos Correios. Sempre que penso que poderei utilizar os serviços de alguma ela encerra suas atividades. Só na última semana foram duas.
(*) Todas as cartas de amor são ridículas? E torpedos, inbox, WhatsApp, e-mail, sinais de fumaça, recados no Instagram, comentários no blogue?
(*) “Vai ter presente pra Chiquinha/ e ter presente pra Iaiá/ canoeiro puxa a rede do mar”.
(*) Moro em uma cidade onde ainda é possível encontrar relojoeiros, alfaiates, sapateiros, mas onde é cada vez mais difícil encontrar uma agência dos Correios. Sempre que penso que poderei utilizar os serviços de alguma ela encerra suas atividades. Só na última semana foram duas.
(*) Todas as cartas de amor são ridículas? E torpedos, inbox, WhatsApp, e-mail, sinais de fumaça, recados no Instagram, comentários no blogue?
(*) Correio elegante, mídia cafona.
(*) Comprei uma Yashica Mat pelo MercadoLivre (um presente para mim). Espero que não venha com defeito. Tenho medo de não encontrar uma agência dos Correios para devolver.
(*) “Que presentes te daria/ uma estrela vã do firmamento/ pra iluminar o vão do pensamento..."
(*) Um presente para Kleber Albuquerque, Álvaro de Campos e Dorival Caymmi.
terça-feira, 13 de agosto de 2013
“QUERO QUE VOCÊ ME AQUEÇA NESSE INVERNO”
Quero escolher o modelo da lápide e rascunhar o epitáfio da minha sepultura.
Quero reencontrar minha família no quadro dos desaparecidos.
Quero uma escola com o meu nome, uma praça de Santo Amaro ou o aeroporto de Salvador.
Quero rechaçar uma biografia não autorizada, virar notícia após um acidente de carro.
Quero faltar à sessão de lançamento das minhas obras completas.
Quero uma casa no campo, uma casinha na varanda, uma casinha de sapê.
Quero que minha declaração de amor chegue ao topo dos Trending Topics mundial.
Quero me perder no bosque encantado da Nanda Costa.
Quero me perder no bosque encantado da Nanda Costa.
Quero que o meu filho assine um contrato milionário com o Galatasaray.
Quero que o meu canal do Youtube seja considerado a salvação do humor nacional.
Quero processar Arnaldo Antunes por plágio.
“Quero seus cabelos negros nas minhas mãos”.
Quero negar o affair com uma “celebridade da mídia”, não reconhecer a paternidade de um filho (fruto de um caso com essa mesma “celebridade da mídia”).
Quero brigar com o TV Fama, com o Pânico, com Zeca Camargo.
Quero que minha patente invada a casa das pessoas.
Quero um google doodle.
Quero ser feliz.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
PODERIAM SER, TALVEZ ATÉ SEJAM
(*) Às vezes desisto de escutar alguma canção porque me falta paciência para desembaraçar os fios do fone de ouvido. Às vezes desisto de você porque me falta paciência para desembaraçar esses laços.
(*) Tenho medo do primeiro comentário nas postagens, geralmente é ele quem dita o teor dos comentários seguintes, se o primeiro não gostar os próximos também não gostarão, se o primeiro achar “fantástico” muitos acharão também. Não é apenas a primeira impressão que fica, o primeiro comentário também.
(*)
Supostos formadores de opinião detestam ser informados. Tudo eles já
viram, já leram, já ouviram, já gostaram, já deixaram de gostar – até
mesmo quando você cita uma banda que nunca existiu.
(*) O Feicebuque é a maior arquibancada do Brasil.
sexta-feira, 17 de maio de 2013
PODERIAM SER CRÔNICAS
(*) Quando achei de listar as piores canções de Raul Seixas, seus fa(náticos) entraram em polvorosa, chegando a ameaçar minha integridade física. Eu, tão tísico e inofensivo, quase não saí de casa de tanto medo de me deparar com algum maluco beleza mirando em minha lata seu estilingue. Agora, após relacionar os versos nada geniais de Renato Russo, seus discípulos pediram carinhosamente que eu analisasse a possibilidade de cometer suicídio, fiquei tão tocado que por pouco não me atirei da janela do quinto andar, vá entender. Bom, de qualquer forma é melhor não correr tantos riscos e pensar duas ou três vezes antes de apontar os trabalhos menos interessantes de artistas como Mano Brown ou Chorão, talvez sua horda de asseclas queira me submeter a alguma sessão de tortura pior do que escutar repetidamente suas canções.
(*) Nunca gostei de me resignar, me conformar, sempre gostei de fazer acontecer, de mover as peças do tabuleiro independentemente dos valores nos dados. Esperar não é algo que se pareça muito comigo, prefiro tentar, me arrepender, quebrar a cara. Costumo escutar as pessoas lamentarem, entre suspiros, adágios do tipo “o pouco com Deus é muito”, pode ser, sou um ateu que não duvida, mas o muito sem Deus continua sendo muito, não o contrário.
(*) Carpinejar escreveu no “Zero Hora” que quando ficou solteiro outra vez se decepcionou com o mundo, se sentiu amaldiçoado, raivoso com a falta de sorte, logo ele, que defendia a vida a dois, que alardeava como seu aforismo maior que liberdade na vida é ter alguém para se prender. Reclamava, ainda, que as suas roupas sujas não enchiam mais uma máquina de lavar, que a comida estragava na geladeira, que toda noite era fim melancólico de domingo. Esse sou eu.
(*) Nunca gostei de me resignar, me conformar, sempre gostei de fazer acontecer, de mover as peças do tabuleiro independentemente dos valores nos dados. Esperar não é algo que se pareça muito comigo, prefiro tentar, me arrepender, quebrar a cara. Costumo escutar as pessoas lamentarem, entre suspiros, adágios do tipo “o pouco com Deus é muito”, pode ser, sou um ateu que não duvida, mas o muito sem Deus continua sendo muito, não o contrário.
(*) Carpinejar escreveu no “Zero Hora” que quando ficou solteiro outra vez se decepcionou com o mundo, se sentiu amaldiçoado, raivoso com a falta de sorte, logo ele, que defendia a vida a dois, que alardeava como seu aforismo maior que liberdade na vida é ter alguém para se prender. Reclamava, ainda, que as suas roupas sujas não enchiam mais uma máquina de lavar, que a comida estragava na geladeira, que toda noite era fim melancólico de domingo. Esse sou eu.
(*) O sitar de George Harrison em "Norwegian Wood" e o meu mundo já não é mais o mesmo.
quarta-feira, 17 de abril de 2013
PODERIAM SER CRÔNICAS
(*) Que o Brasil não
é um país de leitores não é novidade. Mas começo a desconfiar que somos
leitores de títulos. Melhor do que uma boa capa o livro necessita de um bom
título, “inesquecível”, para ser citado cheio de confiança entre os amigos.
Quando digo que estou escrevendo um romance ninguém se atreve a perguntar como
ele é, querem saber apenas o título. Quem chegou com o meu livro embaixo do
braço, ou dentro da bolsa, após o lançamento pode nem mesmo ter folheado, mas
leu o título. Penso em utilizar no próximo a sinopse na capa, assim a conversa “intelectual”
de mesa de bar poderá render um pouco mais.
(*) Catequizado pelas
regras do rádio, ainda hoje costumo escutar as canções no modo aleatório. Gosto
de apostar na imprevisibilidade, de não saber qual será a faixa seguinte. Mas,
misteriosamente, quando estou me aproximando de Santo Amaro da Purificação,
minha terra natal, o tocador de MP3 insiste em tocar algo de Caetano Veloso.
Meu shuffle cretino adora uma emoção barata.
(*) Quero me permitir
a irresponsabilidade, a incerteza.
Quero chegar
atrasado, quero não chegar.
Cansei de ser Bob
Esponja; feliz é ser Patrick.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
DO OUTRO LADO
Espero o sinal ficar vermelho para poder atravessar.
Do outro lado, uma menina triste com os olhos tristes espera a mesma coisa.
Daqui, consigo perceber suas angústias, suas aflições, suas inquietações.
Desejamos a mesma coisa, mas caminhos diferentes.
Verde.
Nossa interseção não dura um segundo.
Do outro lado, uma menina triste com os olhos tristes espera a mesma coisa.
Daqui, consigo perceber suas angústias, suas aflições, suas inquietações.
Desejamos a mesma coisa, mas caminhos diferentes.
Verde.
Nossa interseção não dura um segundo.
segunda-feira, 11 de março de 2013
PROMESSAS, MEU BEM, PROMESSAS
Ser blogueiro é trotar por uma senda pantanosa (vixe, que raio de frase foi essa?). Blogueiro é um bicho vaidoso, se considera formador de opinião e odeia ser questionado – aliás, tem verdadeiro pavor. Ser blogueiro talvez não seja para todos, tem que ter senso de humor, espírito esportivo, não levar a sério o excesso de elogios nem se chatear com as críticas (que podem ser muitas). Sem paciência, alguns radicalizam e excluem o blogue ou bloqueia para comentários ou limita para um círculo restrito de leitores. Cada um na sua, mas prefiro sempre o debate. Com dez anos de blogue fica fácil saber quando determinada postagem será solenemente ignorada ou se tornará uma controvertida polêmica. Afinal, lugar de bom moço é no Feicebuque, no blogue é possível errar, não gostar, se arrepender. No blogue todo assunto é permitido, mas é preciso jogo de cintura para abordar temas espinhosos, algo que às vezes me falta. Então, para evitar aborrecer os poucos que ainda dedicam uma parte do seu tempo para me ler, resolvi tornar pública minha lista de promessas para este ano, mesmo não sendo, nem pretendendo ser, candidato a nada:
(*) Prometo nunca mais propagar meu gosto musical duvidoso, divulgando vídeos e discos de cantores/bandas que todo mundo deveria conhecer;
(*) Prometo que nunca mais postarei nada que ofenda às telenovelas brasileiras ou às séries britânicas/americanas, repetindo meu argumento simplista de que a vida é curta e que dois capítulos/episódios equivalem, em média, à duração de um longa-metragem, e que eu tenho muitos filmes para ver/rever antes do fim;
(*) Prometo não transformar Clarice Lispector em musa da autoajuda;
(*) Prometo nunca mais escrever sobre relacionamentos, não sou nenhum Carpinejar, que acredita que o amor é receita de bolo. Cada casal possui suas peculiaridades e a graça é exatamente essa – querer generalizar é bobeira;
(*) Prometo que não farei nenhuma postagem enlutada quando alguma celebridade desencarnar, mesmo que seja o Roberto Carlos;
(*) Prometo que não direi durante a próxima campanha eleitoral que não voto mais no PT;
(*) Prometo não retrucar mais comentários copy-cola;
(*) Prometo não fazer listas de melhores no final do ano;
(*) Prometo que não emitirei minha desnecessária opinião sobre o assunto do momento;
(*) Prometo nunca mais falar mal do Vasco, do Big Brother, do Carnaval, da Veja, de William Bonner, Adele ou Malafaia;
(*) Prometo que não comentarei nos blogues alheios quando eu detestar a postagem;
(*) Prometo que nunca mais questionarei o Feicebuque;
(*) Prometo não fazer mais promessas;
(*) Não prometo não grafar mais “Feicebuque”.
(*) Prometo nunca mais propagar meu gosto musical duvidoso, divulgando vídeos e discos de cantores/bandas que todo mundo deveria conhecer;
(*) Prometo que nunca mais postarei nada que ofenda às telenovelas brasileiras ou às séries britânicas/americanas, repetindo meu argumento simplista de que a vida é curta e que dois capítulos/episódios equivalem, em média, à duração de um longa-metragem, e que eu tenho muitos filmes para ver/rever antes do fim;
(*) Prometo não transformar Clarice Lispector em musa da autoajuda;
(*) Prometo nunca mais escrever sobre relacionamentos, não sou nenhum Carpinejar, que acredita que o amor é receita de bolo. Cada casal possui suas peculiaridades e a graça é exatamente essa – querer generalizar é bobeira;
(*) Prometo que não farei nenhuma postagem enlutada quando alguma celebridade desencarnar, mesmo que seja o Roberto Carlos;
(*) Prometo que não direi durante a próxima campanha eleitoral que não voto mais no PT;
(*) Prometo não retrucar mais comentários copy-cola;
(*) Prometo não fazer listas de melhores no final do ano;
(*) Prometo que não emitirei minha desnecessária opinião sobre o assunto do momento;
(*) Prometo nunca mais falar mal do Vasco, do Big Brother, do Carnaval, da Veja, de William Bonner, Adele ou Malafaia;
(*) Prometo que não comentarei nos blogues alheios quando eu detestar a postagem;
(*) Prometo que nunca mais questionarei o Feicebuque;
(*) Prometo não fazer mais promessas;
(*) Não prometo não grafar mais “Feicebuque”.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
PODERIAM SER CRÔNICAS
(*) Não participar do Feicebuque ou não possuir um tablete ou um telefone celular de penúltima geração não é mero charme (não é meu esporte ser do contra), apenas gosto de preservar minha privacidade, ignorar o que os outros fazem ou deixam de fazer e me dedicar inteiramente aos amigos dos dias reais, e não ter uma conversa interrompida com o tec-tec deselegante de alguém digitando: “pode continuar falando, eu estou ouvindo”. Prefiro silenciar.
(*) Mas não poso de intelectual ofendido diante dos novos costumes, alegando que antigamente era assim ou no meu tempo era assado. Tudo tem seu tempo e o meu tempo é o agora, com todas as fissuras que ele apresenta.
(*) Não, o ano não começou após o carnaval nem a vida começa aos quarenta. Se engane, mas não tente me enganar.
(*) Confirmando meu histórico, tive 13 acertos na premiação do Oscar deste ano. E acreditem, já fui bem pior.
(*) Blogues costumam comemorar quando alcançam determinado número de acessos, de postagens, de comentários... Sem recorrer às estatísticas, sei que a palavra que mais utilizei foi o advérbio “não”, curiosamente mais para justificar do que para realmente negar. Uma palavra que pouco costumo dizer, até aqui ela já apareceu nove vezes.
(*) Santa Maria, Papa, meteoritos, sinalizador corintiano, blogueira...
(*) Não, obrigado (dez vezes).
(*) Mas não poso de intelectual ofendido diante dos novos costumes, alegando que antigamente era assim ou no meu tempo era assado. Tudo tem seu tempo e o meu tempo é o agora, com todas as fissuras que ele apresenta.
(*) Não, o ano não começou após o carnaval nem a vida começa aos quarenta. Se engane, mas não tente me enganar.
(*) Confirmando meu histórico, tive 13 acertos na premiação do Oscar deste ano. E acreditem, já fui bem pior.
(*) Blogues costumam comemorar quando alcançam determinado número de acessos, de postagens, de comentários... Sem recorrer às estatísticas, sei que a palavra que mais utilizei foi o advérbio “não”, curiosamente mais para justificar do que para realmente negar. Uma palavra que pouco costumo dizer, até aqui ela já apareceu nove vezes.
(*) Santa Maria, Papa, meteoritos, sinalizador corintiano, blogueira...
(*) Não, obrigado (dez vezes).
sábado, 2 de fevereiro de 2013
CRÔNICA DA MULHER BROTHER
O homem quer liberdade, quer espaço. Quer uma mulher que lhe compreenda, que silencie quando ele estiver em silêncio, que escute quando ele quiser ser o centro das atenções. O homem quer uma mulher que torça por seu clube, que sofra na derrota e tire sarro dos adversários na vitória. O homem quer uma mulher que não implique com a pelada de final de semana nem com as consecutivas, e simultâneas, partidas de futebol na TV – seguidas de repetitivas mesas redondas. O homem quer uma mulher que rache as contas, que não se importe com datas ou churrascarias, que compre cerveja, que fale alto, que goste de rock and rool e não se esquive de uma roda de samba, que não leve desaforo pra casa, que ria das suas piadas, que conte piadas, que aposte, que jogue cartas, que goste de fumar de quando em vez, de beber, de assistir a filmes adultos, que seja amiga dos seus amigos, que não tenha ciúmes das suas amigas. Mas uma mulher que não seja subserviente, que tenha força, que não se anule, que seja cúmplice e álibi, uma mulher que seja mais que um mero estereótipo de fetiche masculino. O mais engraçado é que esse tipo de mulher existe, e quando ela aparece em sua vida, quase sempre, assusta.
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