Escritores tendem a se achar semideuses, a única Pepsi-Cola do Jardim de Alah, o pote de ouro no final do arco-íris (muitas vezes se acham o próprio arco-íris) mesmo quando não publicaram nenhuma nota de rodapé, mas isso é o que menos importa, para um escritor é comum acreditar que um dia serão descobertos, compreendidos, cultuados; serão figurinhas fáceis em feiras literárias, terão trechos recitados por Tony Ramos no Fantástico, obras adaptadas para cinema e TV, darão opinião sobre-tudo-e-qualquer-coisa mais do que Caetano Veloso. E se a vida, essa pequenez divina, não os contemplar a tempo, restará a posteridade póstuma, quando serão estudados pelas melhores faculdades, pelas mais brilhantes cabeças pensantes do futuro. Outra característica do escritor é desmerecer o trabalho alheio: só ele escreve bem, o resto chafurda na mediocridade, e quando o colega é realmente bom não passa de um copiador barato, um repetidor de cânones consagrados. Resumindo, escritor no Brasil é um chato de galochas. Sempre que me acho melhor do que realmente sou, abandono minha Bic e vou secar a louça, repor a despensa, limpar os armários: genialidades de pessoas comuns.
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quarta-feira, 25 de junho de 2014
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
“O MEU PERFUME NA ROSA DOS VENTOS”
(*) Gosto de dar presentes, mas não gosto de aniversários ou natal. Não gosto de presentes disputando preferências. Não gosto de presentes com hora marcada. Gosto de olhar para uma vitrine e lembrar de alguém. Gosto da surpresa, do não esperado. Gosto que o meu presente seja o único.
(*) “Vai ter presente pra Chiquinha/ e ter presente pra Iaiá/ canoeiro puxa a rede do mar”.
(*) Moro em uma cidade onde ainda é possível encontrar relojoeiros, alfaiates, sapateiros, mas onde é cada vez mais difícil encontrar uma agência dos Correios. Sempre que penso que poderei utilizar os serviços de alguma ela encerra suas atividades. Só na última semana foram duas.
(*) Todas as cartas de amor são ridículas? E torpedos, inbox, WhatsApp, e-mail, sinais de fumaça, recados no Instagram, comentários no blogue?
(*) “Vai ter presente pra Chiquinha/ e ter presente pra Iaiá/ canoeiro puxa a rede do mar”.
(*) Moro em uma cidade onde ainda é possível encontrar relojoeiros, alfaiates, sapateiros, mas onde é cada vez mais difícil encontrar uma agência dos Correios. Sempre que penso que poderei utilizar os serviços de alguma ela encerra suas atividades. Só na última semana foram duas.
(*) Todas as cartas de amor são ridículas? E torpedos, inbox, WhatsApp, e-mail, sinais de fumaça, recados no Instagram, comentários no blogue?
(*) Correio elegante, mídia cafona.
(*) Comprei uma Yashica Mat pelo MercadoLivre (um presente para mim). Espero que não venha com defeito. Tenho medo de não encontrar uma agência dos Correios para devolver.
(*) “Que presentes te daria/ uma estrela vã do firmamento/ pra iluminar o vão do pensamento..."
(*) Um presente para Kleber Albuquerque, Álvaro de Campos e Dorival Caymmi.
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