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sexta-feira, 25 de outubro de 2013

COVA RASA VIRTUAL

(*) Já me “queixei” que o número de comentários em meu blogue havia diminuído consideravelmente, passando da casa dos sessenta para três ou quatro fiéis gatos pingados (alô Paulo, Tânia, Lu, Cila, Mateus e P@ty), embora o número de visitas só aumente. Culpa do Feicebuque, do Instagram e do Candy Crush? Da urgência dos dias? Da falta do que falar? Não sei. Achava que o meu blogue tinha cansado os leitores, se tornado repetitivo, mas  blogues extremamente populares também recebem cada vez menos comentários, com algumas postagens ficando no zero. Talvez eu faça como o camarada Ediney Santana e bloqueie os comentários ou espere confortavelmente que os blogues voltem à crista da onda. A verdade é que comentar nos rouba algum tempo. Às vezes mais de um minuto.

(*) Maria Sampaio, uma amiga muito querida, nos deixou há alguns anos. Seguia o seu blogue e mesmo após o seu desencarne continuei seguindo. Simbolicamente ela continuaria ali, naquelas postagens, ao alcance da minha saudade, poderia de quando em vez comentar algo, perguntar como andavam as coisas do lado de lá. Mas acontece que o blogger possui regras escrotas (sim, você também clicou em “Eu Aceito” sem ter lido nada). Depois de certo tempo sem acessar o blogue sai do ar e o endereço fica disponível para ser registrado mais uma vez. Num misto de surpresa e revolta recebi na minha lista de leitura as “novas atualizações” do blogue dela. Pois é, o cãozinho de Maria agora tem novo dono. E eu imaginando que após o meu fim o POR QUE VOCÊ FAZ POEMA seria uma espécie de cemitério virtual.

(*) Outro ano e novamente apareceu um engraçadinho dizendo que hoje era o dia em que Marty McFly chegava do passado, e não faltou quem acreditasse. Estou pensando em escrever uma postagem óbvia, comparando aquele futuro aos nossos dias, e programar para ser publicada em 21 de outubro de 2015. Se eu já tiver viajado para o outro lado será uma espécie de presente para quem continuar me seguindo. 

quinta-feira, 11 de julho de 2013

MINHA LÁPIDE GRAFITADA

Em uma postagem de 2010, tento explicar, sem muito sucesso, o título deste blogue. Poderia passar despercebida, ser mais uma postagem entre essas quase quinhentas já publicadas, mas há algum tempo quem passa por ela deixa um comentário dizendo por que faz poema. Mal comparando, sinto-me como se estivesse no Père-Lachaise.

E POR QUE VOCÊ FAZ POEMA?

quarta-feira, 26 de junho de 2013

PODERIAM SER, TALVEZ ATÉ SEJAM

(*) Às vezes desisto de escutar alguma canção porque me falta paciência para desembaraçar os fios do fone de ouvido. Às vezes desisto de você porque me falta paciência para desembaraçar esses laços.

(*) Tenho medo do primeiro comentário nas postagens, geralmente é ele quem dita o teor dos comentários seguintes, se o primeiro não gostar os próximos também não gostarão, se o primeiro achar “fantástico” muitos acharão também. Não é apenas a primeira impressão que fica, o primeiro comentário também. 

(*) Supostos formadores de opinião detestam ser informados. Tudo eles já viram, já leram, já ouviram, já gostaram, já deixaram de gostar – até mesmo quando você cita uma banda que nunca existiu.

(*) O Feicebuque é a maior arquibancada do Brasil. 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

COMENTÁRIOS MODERADOS

          Recebo semanalmente a visita de um anônimo. Ele nunca falha, espalha seus comentários impertinentes pelas últimas postagens e retorna na semana seguinte. Nunca publico seus comentários levianos, principalmente por não ter assinatura, mas ele parece não se importar. Às vezes penso que ele não quer comentar, apenas se divertir (deve ser suficiente imaginar que leio suas mensagens). Contextualizado relevaria até alguém que usasse um pseudônimo, é um pouco romântico, mas anonimato não tolero. A maioria se vale dessa condição para ofender, menosprezar, maldizer, destilar seu rancor - e eu não posso ser cúmplice de atos infantis e covardes.
           A moderação desta página está ativada não para eu filtrar o que discordo, longe disso, mas para evitar inconvenientes - e também não quero ter o trabalho de apagar nada depois, até porque já pode ser tarde, vide o exemplo do blogueiro Emílio Moreno, e seu blog LIBERDADE DIGITAL, que em março de 2008 postou uma análise sobre uma briga que ocorreu numa escola particular na cidade de Fortaleza. A postagem recebeu apenas um comentário, único, porém ofendia a diretora da escola onde aconteceu a confusão, o que bastou para o dono do blog ser acionado na Justiça e condenado a indenizar a diretora em dezesseis mil reais por danos morais, tudo por causa do veneno de um anônimo.
           Os comentários não são como anúncios de bebida alcoólica, não posso pedir aos internautas algo como “comente com moderação”. O comentário é uma opinião livre, salutar, que é tão lido quanto o texto principal, não pode servir de mural de recados nem de munição oportunista para francos atiradores. Já o comentário do comentário é mais do que metalinguagem, é a expansão do debate, é quando todos saem ganhando.
           A última mensagem do anônimo foi: “Obrigado, por jamais aceitar meus comentários”. Não posso negar que senti um pouco de piedade dessa figura solitária, carente, medrosa, sem nome e sem rosto, entristecida por minha indiferença no computador escanteado de alguma lan house. Agora ele tem mais do que um comentário publicado.
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