FAZ DE CONTA é uma parceria minha com Roberto Mendes gravada por Raimundo Fagner em seu disco DONOS DO BRASIL, escolhida para ser o tema de Sandoval Peixoto, interpretado por Herson Capri, na novela COMO UMA ONDA de Walther Negrão – que tentava repetir o sucesso alcançado na década anterior com TROPICALIENTE, mas sem o mesmo encanto. A melancolia da canção dialogava diretamente com a solidão do personagem, parecia ser feita por encomenda. No entanto, Sandoval, que deveria ser o protagonista do núcleo praiano e par romântico de Maria Fernanda Cândido, dá o ar da graça rapidamente apenas no sexto capítulo, mantendo um certo clima de mistério, momento que a música toca pela primeira vez. Quando ele realmente adentra a trama, o público já estava seduzido pela química que ela tinha ao lado do líder dos pescadores vivido por Kadu Moliterno (que inicialmente morreria em um acidente de barco, mas com as bênçãos de Nossa Senhora da Obra Aberta acabou sobrevivendo e relegando nosso herói a mero coadjuvante, mesmo com seu nome encabeçando os créditos na abertura). Consequentemente, a música tocou menos do que o esperado na novela, embora tenha sido bem executada nas rádios – ainda hoje há quem me ligue apenas para dizer que escutou a minha música na Nova Brasil. COMO UMA ONDA estreou durante o horário de verão de 2004, quando a programação televisiva seguia o horário de Brasília, assim o folhetim era exibido às 16:50h em muitos estados, inclusive na Bahia. Na época, consegui assistir a poucos capítulos, mas valeu a experiência. Para quem tiver curiosidade, encontra-se disponível na GloboPlay.
NA HORA DO ADEUS A ADILSON MAGUILA
ResponderExcluirTodos seremos
Nocauteados
Pela morte,
Entanto lutamos
Ponto a ponto
Com a vida.
Ontem, Adilson Maguila,
Que já vencera tantas lutas,
Perdeu a batalha final.
Afinal, todos seremos
No
Cau
Te
A
Dos
Um dia
Pela
Indesejada das gentes,
Como o poeta coroou,
Com doçura e afeto.
Ontem, Adilson Rodrigues,
Nosso eterno Maguila,
Ex-boxeador de primeira,
Viveu seu último golpe:
O nocaute da morte,
O blecaute da vida.
Vá em paz, Maguila.
Faz de conta que a pá
É só um faz-de-contas,
Que o cedo é tarde,
Que não há dor
Na hora do adeus,
Que o agora sempre espera.
E eu faço de conta
(Plágio abaixo da cintura)
Que não rebluesquei uns versos
De Herculano Neto,
Tão longe e tão perto
Da Purificação.
GV, 25/10/2024
(Dom Pedro III)