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quarta-feira, 3 de agosto de 2022

VIRADA DE PÁGINA XVII

Papel jornal, couché, off-set, polén, reciclado, kindle ou pdf

Dificilmente alguém não se imaginou revivendo a juventude com a cabeça atual, podendo fazer o que considera ser as escolhas certas, tendo maturidade para reagir a situações desconfortáveis que hoje seriam banais ou apenas se permitir um momento a mais com entes queridos. É essa oportunidade que Hiroshi Nakahara tem ao despertar nos seus 14 anos com a mentalidade e experiências do homem maduro de 48 anos que ele realmente é. Considerado por muitos o melhor mangá do japonês Jiro Taniguchi, UM BAIRRO DISTANTE possui bem mais camadas do que essa breve sinopse consegue oferecer. Nakahara retorna 34 anos no passado, semanas antes do desaparecimento do seu pai, um evento traumático para toda a família, compreender o que o levou a abandonar uma vida tranquila é a resposta que o protagonista precisa encontrar. Eu, nascido e criado nos comics e nas aventuras da Sessão da Tarde nos anos de 1980, fui desenvolvendo prematuramente uma solução (ah, só pode ser isso), mas fui surpreendido em suas últimas páginas. Confesso que não gostaria de regressar no tempo, um mero CTRL+Z não apagaria todas as minhas mágoas, reviver minhas dores novamente seria mais uma maldição do que uma dádiva. Melhor permanecer com as lembranças, mesmo que distorcidas.

quinta-feira, 30 de junho de 2022

VIRADA DE PÁGINA XVI

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Em uma Hollywood pós-Segunda Grande Guerra, repleta de intrigas, jogos de poder e corrupção, uma época em que simpatizantes do comunismo eram perseguidos e denunciados por seus próprios colegas da indústria cinematográfica, uma jovem atriz é misteriosamente assassinada levando um traumatizado roteirista a investigar o caso. Não, não confundi o título da coluna, e essa sinopse rasa não pertence a nenhum thriller noir dos anos de 1940. FADE OUT é uma premiada minissérie da dupla Ed Brubaker e Sean Phillips, uma espécie de Bebeto e Romário, Pelé e Coutinho, dos quadrinhos. Publicada aqui pela Editora Mino, em uma belíssima edição com 400 páginas, trazendo um pano de fundo histórico-político e uma galeria de excepcionais coadjuvantes vale, certamente, a leitura – e ao contrário de outras indicações, espero que não seja adaptada para série ou filme, nem mesmo pela HBO. Com o perdão do purismo, mas não consigo imaginar Fade Out em outro formato. 


quarta-feira, 11 de maio de 2022

VIRADA DE PÁGINA XV

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Meu Amigo Dahmer” é uma graphic novel autobiográfica do quadrinista Derf Backderf sobre sua amizade/relação com um dos mais conhecidos serial killers da história, Jeffrey Dahmer, durante o ensino médio. Um relato honesto que, ao mesmo tempo que humaniza, não deixa de apontar o tempo inteiro para o que ele se tornaria brevemente, um desconfortável spoiler que nos acompanhará por toda leitura. O que mais impressiona é que todos os sinais já estavam claros, expostos para quem se dispusesse a enxergar, no entanto, talvez por conveniência, eram absolutamente ignorados. Jeffrey não era aquele tipo de psicopata que nenhuma pessoa poderia imaginar no que se transformaria. Era possível imaginar sim, e essa é a maior indignação que nos atinge no decorrer das páginas: por que ninguém fez nada? Chega a lembrar It, de Stephen King, romance de terror em que os adultos não se importam com o que acontece com as crianças, só que aqui não era ficção. "Meu Amigo Dahmer” ganhou uma versão cinematográfica em 2017, intitulada no Brasil “O Despertar de um Assassino”, mas prefira a HQ. 


quarta-feira, 13 de abril de 2022

VIRADA DE PÁGINA XIV

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Não sou nenhum sommelier de papel, nem pretendo, sequer consigo especificar o tipo ou a gramatura, tudo que me permito afirmar é se o papel é bom ou se não é tão bom, um leigo declarado e sem remorsos. Quem foi catequizado nos formatinhos de papel jornal grampeados numa lombada canoa não pode reclamar da sofisticação atual disponibilizada pelo mercado. Capa dura, sobrecapa, lombada arrendondada, ondulada, verniz localizado, grimório, omnibus, absolute, edição definitiva, corte trilateral, soft touch, fitilho marcador… Ufa, o cardápio é extenso. Mas enquanto as editoras oferecem cada vez mais luxo nesses tais objetos transcendentes, um capa cartão, com preço acessível, já é mais do que suficiente para me fazer feliz. 


domingo, 13 de março de 2022

VIRADA DE PÁGINA XIII

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Conheci Iznogoud através da animação (que transformava o califa em sultão na versão brasileira) exibida durante as manhãs em algum ponto nebuloso dos anos de 1990. Iznogoud era um grão-vizir que tentava de todas as maneiras usurpar o trono, uma espécie de golpista sonhando com impeachment. Criado em 1962 pelos franceses René Goscinny e Jean Tabary, não teve muitas obras publicadas no Brasil. Escrevi sobre o personagem no inverno de 2009 AQUI, na época, acreditara que havia alguns “iznogouds” no meu caminho, que tolice. Excesso de vaidade, mania de perseguição, deslumbramento, egoísmo… talvez um pouco de cada somada à minha imaturidade naqueles dias. Estupefato, hoje me pergunto como é que alguém poderia mirar a minha vida e dizer: eu quero ser sultão no lugar do sultão!

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

VIRADA DE PÁGINA XII

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Houve uma época em que eu costumava me designar como escritor, ao ser apresentado a  amigos de amigos ou ao preencher algum formulário, pouco importava, assim eu compreendia quem eu era – o que levava muitas pessoas a me inquirir sobre qual seria meu "trabalho de verdade", como se escrever não fosse profissão. Para a prosa não render, há algum tempo me identifico, meramente, como um reles barnabé. Por outro lado, quando esbarro com executivos, bancários, ratos de repartição ou workaholics em geral me atrevo a perguntar: e quem você realmente queria ser? A intenção não é ser desmancha-prazeres nem guru (des)motivacional de ninguém, de coach de autoajuda o planeta tá infestado, apenas confirmar que muitos músicos, pintores, estilistas, artesãos que por suposta segurança financeira ou pressão social vão adiando seus sonhos, deixando para “depois”, um “depois” que parece não ter data para acontecer. Contradizendo o Clube da Esquina, sonhos envelhecem. 

DUAS VIDAS, do francês Fabien Toulmé, parte de uma premissa aparentemente simples, um jovem advogado descobre ter câncer terminal e é impulsionado pelo irmão a aproveitar o que ainda lhe resta de vida fazendo o que sempre desejou e não teve coragem, uma jornada comovente que desembocará em um bem construído plot twist despertando reflexões que se prolongarão após o término da leitura. A HQ abre com uma célebre citação de Confúcio que diz que temos duas vidas, mas a segunda começa quando percebemos que só temos uma. Recordo de uma música de Raul e Cláudio Roberto e de repente me dou conta, com inevitável desalento, que posso ter me tornado o personagem daquela canção.

 

domingo, 30 de janeiro de 2022

VIRADA DE PÁGINA XI

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Sabia da existência, porém nunca tinha dado a merecida atenção aos gibitúberes que fazem a leitura das HQs na Internet como voluntários em um grupo de apoio, para mim era absolutamente indiferente. No entanto, recentemente, tenho notado o crescente número de canais que prestam esse serviço essencial de acessibilidade. Substituir a leitura, a experiência entre o texto e arte, pela voz insípida de alguém lendo enquanto folheia as páginas é sensacional. É praticamente a atualização das rádios novelas que minha vó tanto apreciava. Por que cargas d’água ninguém pensara nisso antes? Com o preço abusivo das publicações praticado pelas editoras no Brasil como poderíamos participar do hype do momento se não fosse por esses abnegados caçadores de laiques? Sempre é bom lembrar que nem todo herói usa capa. Não tenho receio de afirmar que essa é a maior criação desde o scan em pdf, afinal por que baixar ilegalmente e ter o desconforto de ler se basta apertar o play? E em 2X. Acho que deixarei de ler quadrinhos também e quem sabe até me tornar um gibituber monetizado sorrindo numa thumb maneira.

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

VIRADA DE PÁGINA X

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Em uma manhã, numa banca de jornais – um hábito cultivado desde a infância que infortunadamente se dissipou –, me deparei com uma revista do Homem-Aranha Superior em que o  corpo do herói era “habitado” por Otto Octavius, um dos seus maiores inimigos. Minha primeira reação foi maldizer contra quem escrevera aquele disparate, é possível também que eu tenha expressado aos ouvidos do jornaleiro um retórico “onde vamos parar”. Alguns anos adiante, mais maduro e menos adepto do “não li e não gostei”, quando as edições foram encadernadas e relançadas, resolvi dar uma chance para a tal série aracnídea – não oculto que o cupom promocional ajudou a tomar essa decisão. E não é que tive que dar o braço a torcer, quando, finalmente, entendi a definição do “superior” no título. Eu que já vinha descontente com o Aranha e o seu exagerado código moral, chegando ao ponto de não salvar o mundo (eu disse: NÃO SALVAR O MUNDO), como vimos na saga “Ilha das Aranhas”, por exemplo; encontrei na publicação tudo que esperávamos, e sabíamos, que Peter Parker poderia realizar. Na pele do seu nêmesis, Otto conseguiu um doutorado, criou uma empresa de tecnologia avançada, se tornou respeitado até mesmo pelo prefeito de NY, ninguém menos do que John Jonah Jameson. Em combate passou a ser mais objetivo, pra não dizer violento, com pouco tempo para piadinhas e fazendo uso prático dos seus avanços tecnológicos. Aprecio, inclusive, seu interesse amoroso, a jovem cientista Anna Maria Marconi, alguém diametralmente distante do estereótipo de supermodelo. Há quem, como eu naquela manhã, deteste essa fase do Cabeça de Teia, talvez falte apenas a boa vontade de dar uma chance ou uma oferta imperdível na Amazon.

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

VIRADA DE PÁGINA IX

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Não é nenhum segredo que eu não gosto de aniversários, principalmente o meu – já odiei, hoje apenas respondo que não gosto em uma indisfarçável indiferença e ânsia de mudar o rumo da prosa. Por isso nem consigo dimensionar o que viveu Lourenço Mutarelli em 1988 ao ser vítima de um falso sequestro, que incluía uma arma na cabeça, ofensas e ameaças diversas, mas que na verdade se tratava de uma festa surpresa. Meus parabéns para o mentor intelectual dessa idéia. Esse evento desencadeou uma crise depressiva crônica no autor, que só começou a superar o trauma alguns anos depois através dos quadrinhos. O primeiro álbum dessa fase, intitulado “Transubstanciação”, provavelmente seja o que mais dialoga comigo. Nele um poeta angustiado busca a liberdade através da morte, certamente não é o tipo de pessoa que comemore aniversários.


quarta-feira, 20 de outubro de 2021

VIRADA DE PÁGINA VIII

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Passados mais de cem anos ainda desperta interesse (e por que não dizer fascínio?) o mistério do feminicida comumente conhecido como Jack, Estripador. Filmes, livros, teses, documentários… o assunto parece ser inesgotável. Entre tantas possíveis teorias ou da conspiração, a verdade é que a identidade do afamado assassino permanecerá oculta eternamente. Em seu trabalho mais ambicioso, Alan Moore acolhe um dos mais controversos suspeitos (sir William Gull, médico da Coroa Britânica e maçom do mais alto escalão) para dissecar a Londres da Era Vitoriana com impressionante detalhismo em Do Inferno (From Hell). Personalidades, acontecimentos e lugares reais, tudo se amalgama à narrativa com perfeição. Leitura cativante, mas longe de ser fácil, requerendo, muitas vezes, um nível de atenção maior do leitor, não sendo raro ter que retornar algumas páginas ao longo do percurso para se situar com exatidão. Para quem ainda minimiza a relevância dos quadrinhos na literatura, fatalmente se assustará com o que Do Inferno oferece.

 

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

VIRADA DE PÁGINA VII

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Coincidentemente as três últimas HQs que li possuem algum tipo de “espera” no título: “NÃO ERA VOCÊ QUE EU ESPERAVA”, “A ESPERA” e “EI, ESPERA”. Além das designações (e as “esperas” em tons de azul nas capas) são trabalhos densos, reflexivos, humanos e absolutamente possíveis. Em “Não Era Você Que Eu Esperava”, do francês Fabien Toulmé, acompanhamos as dúvidas e temores de um pai (o próprio autor) de uma criança com Síndrome de Down. Sem apelar para sentimentalismos ou romantizar demais a questão, temos um relato honesto que vai do “luto” à aceitação. No manhwa “A Espera”, somos apresentados a uma mãe que anseia reencontrar o filho, separados na Guerra da Coreia, após setenta anos. Da premiada sul-coreana Keum Suk Gendry-Kim – autora de “Grama” sobre as coreanas escravizadas pelo exército Imperial japonês para servirem de (desculpe o eufemismo canalha) “mulheres de conforto” durante a Segunda Grande Guerra. Já em “Ei, Espera”, do norueguês Jason, um evento trágico ainda na infância perseguirá o protagonista por toda sua vida. Apesar de utilizar personagens antropomórficos para ilustrar sua narrativa, a melancolia será um elemento presente em boa parte da publicação. Um soco no estômago é um clichê que não consegui evitar. Lamento pelos leitores, e não são poucos os que eu conheço, que consideram o formato em quadrinhos algo inferior ou até mesmo infantil. Estão se privando de uma experiência espetacular com essas três obras. 


quarta-feira, 8 de setembro de 2021

VIRADA DE PÁGINA VI

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Na era dos “cancelamentos”, da bem-vinda desmitificação dos ídolos, em que qualquer deslize ético, legal, moral ou até mesmo divergência ideológica é suficiente para ser banido das prateleiras, dos serviços de streaming, da memória afetiva, do feed do Instagram, uma figura controversa feito o Batman consegue sobreviver sendo um dos maiores símbolos da cultura pop, alvo constante de campanhas que acusam o playboy milionário de tentar resolver os seus  traumas violentamente, com métodos questionáveis, em sua desajustada galeria de vilões – tornando-se, muitas vezes, mais psicopata que o maior dos prisioneiros do Asilo Arkham. Mas o Cavaleiro das Trevas é mais do que isso. Em Batman: Ego (escrita e ilustrada por Darwin Cooke, certamente uma das melhores histórias do personagem), a batalha é travada longe de planos maquiavélicos, vilões megalomaníacos ou sobrenaturais, após um incidente que fará o Homem-Morcego questionar a necessidade de um vigilante mascarado no combate ao crime, teremos um duelo psicológico entre o id e o superego. Em apenas sessenta páginas os holofotes focarão apenas em Bruce e Batman, o debate entre essas duas personalidades distintas, quase como uma peça teatral, trará memórias, feridas, dores e medos à tona. Revelando, para quem ainda não tinha percebido, que o seu maior adversário em pouco mais de oitenta anos sempre foi ele mesmo.

quinta-feira, 12 de agosto de 2021

VIRADA DE PÁGINA V

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Determinadas capas de revistas, principalmente dos anos de 1980, são extremamente afetivas para mim, me sensibilizo cada vez que as reencontro pelas avenidas e becos dessa cidade chamada internet. A maioria dessas edições chegavam às mãos da minha infância por meio de empréstimos, lia e relia o máximo que podia até o instante de devolvê-las – o que era sempre um momento doloroso. “Superaventuras Marvel”, “Disney Especial”, a minissérie “Guerras Secretas”, os diversos almanaques (minha preferência pelo custo-benefício), entre outras. No entanto, a que mais me marcou foi a edição nº 01 de Os Novos Titãs, publicada em formatinho pela Editora Abril em 1986; um mix que apresentava a origem do Cyborg e ainda trazia mais duas histórias do universo DC. Devo ter lido algumas dezenas de vezes – mesmo sendo frustrante chegar à última página e me deparar com um “não perca na próxima edição”, continuidade que desejava muito acompanhar, mas não consegui na época. Por algum desvio da memória, não consigo lembrar como obtive essa primeira publicação. Comprado ou ganhado são possibilidades remotas, o mais comum na época eram as permutas. Nenhuma revista tinha lugar cativo na coleção, a leitura de novos trabalhos era a prioridade. Apenas recentemente, voltei a ter contato com esse material através do ótimo encadernado “Lendas do Universo DC – Os Novos Titãs”. Porém o que eu queria realmente era aquela capa. 


domingo, 18 de julho de 2021

VIRADA DE PÁGINA IV

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Wathcmen é uma daquelas unanimidades difíceis de refutar. Sua importância aumenta a cada geração de apreciadores da nona arte – e os antigos leitores, sempre que possível, revisitam a obra e encontram elementos que passaram despercebidos. Definitivamente não é um mero acumulador de poeira na estante. O trabalho realizado por Alan Moore e Dave Gibbons em 1986 é irrepreensível. Personagens como Rorschach, Comediante, Doutor Manhattan, Justiça Encapuzada e Ozymandias são referenciados por motivos diversos. No entanto, se me perguntassem quem eu gostaria de ler ou assistir a uma série própria responderia sem vacilar: Silhouette. Herdeira de uma família aristocrata judia na Áustria, fora obrigada a abandonar seu país depois dele ser tomado pelos nazistas durante a Segunda Grande Guerra. Vivendo nos Estados Unidos em 1939 desbaratou uma rede de pornografia infantil e ganhou as manchetes dos jornais, o que lhe rendeu uma vaga no recém-formado grupo de vigilantes Minutemen. Em 1946 a imprensa revelou que ela mantinha uma relação com outra mulher, um escândalo para a época, o que bastou para Silhouette ser expulsa do grupo e logo depois ser assassinada ao lado da sua esposa por um antigo inimigo. Alguém pensou em HBO?

quarta-feira, 9 de junho de 2021

VIRADA DE PÁGINA III

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Segundo pesquisas realizadas no Japão, um em cada quatro homens solteiros no país nunca teve relações sexuais – número que só vem aumentando. Esse fenômeno é muito bem exposto no mangá-documentário VIRGEM DEPOIS DOS 30 (Editora Pipoca e Nanquim, 2019). Se o início chega a ser cômico os tipos apresentados, extremamente grotescos, aos poucos o riso fácil vai dando lugar à reflexão. Os sentimentos aos oito homens documentados variam entre a piedade e a indignação, mas jamais à indiferença. Em uma sociedade tão competitiva quanto a japonesa sobreviver sendo uma pessoa abaixo dos padrões estéticos e intelectuais impostos não é tão simples como acreditamos que poderia ser. 
 
 

quarta-feira, 26 de maio de 2021

VIRADA DE PÁGINA II

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O Demônio de Hell’s Kitchen sempre foi agraciado com ótimos roteiristas: Brian Michael Bendis, Ed Brubaker, Ann Nocenti, Mark Waid, Chip Zdarsky… a lista é longa. Mas o principal destaque continua sendo Frank Miller, foi ele quem pavimentou toda mitologia do homem sem medo, abrindo caminho para boa parte do que seria feito depois. Vários de seus trabalhos com o Demolidor tornaram-se clássicos dos quadrinhos (A Queda de Murdock, A Morte de Elektra, Roleta Russa, Amor e Guerra, The Man Without Fear, entre outros).

Tenho especial predileção pela edição 179 de Daredevil, de fevereiro de 1982, publicada no Brasil dois anos depois na saudosa Superaventuras Marvel nº 20. A história narrada em primeira pessoa pelo repórter investigativo Ben Urich chamou minha atenção ainda na infância. Com ares de literatura noir e sem seres superpoderosos, aquela crônica urbana me apontou outras possibilidades no universo das HQs, algo bem diferente do que eu estava habituado. Ainda sinto pela morte (naquele momento) do velho jornalista do Clarim Diário no desfecho da edição. Malditos cigarros. 



terça-feira, 11 de maio de 2021

VIRADA DE PÁGINA I

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Às vezes me pergunto se foi difícil crescer em Royal City... ou se foi simplesmente difícil crescer

O canadense Jeff Lemire é dos autores de HQs mais profícuos de sua geração. Frequentemente publicado no Brasil, seus trabalhos transitam entre o mainstream das grandes editoras ao cult das publicações autorais. Em Royal City: Segredos em Família (Editora Intrínseca, 2020), os elementos que o tornaram famoso, como a vida nas pequenas cidades e as relações humanas, estão amplamente presentes. Na história uma família é acompanhada pela presença do caçula que morreu misteriosamente anos atrás. Para cada membro ele aparece com uma idade e personalidade diferente: a criança ingênua, o adolescente rebelde, o homem religioso e o bêbado inconsequente. A cidade decadente de Royal City é praticamente personagem dos dilemas familiares que permeiam a obra. Quem vem do interior, definitivamente, carrega uma Itabira ou Santo Amaro no peito. 

Enquanto a série não é finalizada, fico na torcida para que algum dia se torne uma produção televisiva – de preferência pela HBO.  

 

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