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terça-feira, 4 de janeiro de 2022

VIRADA DE PÁGINA X

Papel jornal, couché, off-set, polén, reciclado, kindle ou pdf

Em uma manhã, numa banca de jornais – um hábito cultivado desde a infância que infortunadamente se dissipou –, me deparei com uma revista do Homem-Aranha Superior em que o  corpo do herói era “habitado” por Otto Octavius, um dos seus maiores inimigos. Minha primeira reação foi maldizer contra quem escrevera aquele disparate, é possível também que eu tenha expressado aos ouvidos do jornaleiro um retórico “onde vamos parar”. Alguns anos adiante, mais maduro e menos adepto do “não li e não gostei”, quando as edições foram encadernadas e relançadas, resolvi dar uma chance para a tal série aracnídea – não oculto que o cupom promocional ajudou a tomar essa decisão. E não é que tive que dar o braço a torcer, quando, finalmente, entendi a definição do “superior” no título. Eu que já vinha descontente com o Aranha e o seu exagerado código moral, chegando ao ponto de não salvar o mundo (eu disse: NÃO SALVAR O MUNDO), como vimos na saga “Ilha das Aranhas”, por exemplo; encontrei na publicação tudo que esperávamos, e sabíamos, que Peter Parker poderia realizar. Na pele do seu nêmesis, Otto conseguiu um doutorado, criou uma empresa de tecnologia avançada, se tornou respeitado até mesmo pelo prefeito de NY, ninguém menos do que John Jonah Jameson. Em combate passou a ser mais objetivo, pra não dizer violento, com pouco tempo para piadinhas e fazendo uso prático dos seus avanços tecnológicos. Aprecio, inclusive, seu interesse amoroso, a jovem cientista Anna Maria Marconi, alguém diametralmente distante do estereótipo de supermodelo. Há quem, como eu naquela manhã, deteste essa fase do Cabeça de Teia, talvez falte apenas a boa vontade de dar uma chance ou uma oferta imperdível na Amazon.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

VIRADA DE PÁGINA II

Papel jornal, couché, off-set, polén, reciclado, kindle ou pdf


O Demônio de Hell’s Kitchen sempre foi agraciado com ótimos roteiristas: Brian Michael Bendis, Ed Brubaker, Ann Nocenti, Mark Waid, Chip Zdarsky… a lista é longa. Mas o principal destaque continua sendo Frank Miller, foi ele quem pavimentou toda mitologia do homem sem medo, abrindo caminho para boa parte do que seria feito depois. Vários de seus trabalhos com o Demolidor tornaram-se clássicos dos quadrinhos (A Queda de Murdock, A Morte de Elektra, Roleta Russa, Amor e Guerra, The Man Without Fear, entre outros).

Tenho especial predileção pela edição 179 de Daredevil, de fevereiro de 1982, publicada no Brasil dois anos depois na saudosa Superaventuras Marvel nº 20. A história narrada em primeira pessoa pelo repórter investigativo Ben Urich chamou minha atenção ainda na infância. Com ares de literatura noir e sem seres superpoderosos, aquela crônica urbana me apontou outras possibilidades no universo das HQs, algo bem diferente do que eu estava habituado. Ainda sinto pela morte (naquele momento) do velho jornalista do Clarim Diário no desfecho da edição. Malditos cigarros. 



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