quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

MELHORES FILMES DE 2013


Sempre faço minhas postagens de melhores filmes do ano no começo de dezembro, avaliando meus diários de cinema e as notas e impressões que tive de cada sessão no calor do momento. No entanto, só agora tomei coragem para fazer a seleção. Difícil, inclusive, fazer duas postagens distintas, listando os filmes nacionais e estrangeiros, já que além de “O Som ao Redor”, apenas “Elena” e “Tatuagem” mereceram alguma atenção, em mais um ano em que as comédias com cara de especial da Globo comandaram. Sinceramente, não lembro de ter vivido um ano tão apático, cinematograficamente falando.

Mesmo aparecendo em várias listas de 2012, “Amor”, de Michael Haneke, só estreou em telas brasileiras em janeiro de 2013, e é, certamente, um filme que guardarei para o resto da vida. “Antes da Meia-Noite”, apesar de não ter o charme dos filmes anteriores, me agradou bastante, afinal não foram somente Celine e Jesse que envelheceram, eu também envelheci.  “Frances Ha” me levou nostalgicamente para a nouvelle vague, obrigado Noah Baumbach e Greta Gerwig. O dinamarquês “A Caça” trouxe o diretor Thomas Vinterberg em grande forma, em um trabalho que provoca saudáveis discussões, assim como o mexicano “Depois de Lucia”. Ficção e realidade se entrelaçaram perfeitamente no francês “Dentro da Casa”, delicioso trabalho de François Ozon com o cada vez melhor Fabrice Luchini. A proposta sensorial de Terrence Malick no belíssimo “Amor Pleno” decepcionou muitas pessoas, mas não é sempre que temos a oportunidade de assistir a uma poesia e não a um filme poético. O canadense Denis Villeneuve conseguiu nos manter tensos, novamente, até o segundo final de “Os Suspeitos”. O arco narrativo dos três atos de “O Lugar Onde Tudo Termina” foi mal recebido pela crítica, o que reforçou ainda mais sua necessidade de redescoberta.  Por fim, o polêmico “Azul é a Cor Mais Quente”, Palma de Ouro em Cannes, com as belas Adèle Exarchopoulos e Léa Seydoux, esta última uma presença constante neste blogue.

No quesito “não tava esperando porra nenhuma, mas curti”, cito o alucinante “Killer Joe”, o humor involuntário da dupla Stallone/Schwarzenegger no descerebrado “Rota de Fuga”, a segunda parte da trilogia “Jogos Vorazes”, por todo seu subtexto político (um raro casamento entre blockbuster e crítica social), Gravidade” por me fazer entender algo que eu desconhecia: a utilidade do 4D, a verve, ainda, afiada de Woody Allen em "Blue Jasmine" e pela participação irmãos Coen de Wagner Moura em “Serra Pelada”.

Agora é esperar por 2014, enquanto não aparecem por aqui "12 Anos de Escravidão", “Nebraska”, “Trapaça”, “O Lobo de Wall Street”, “Ela”, “Philomena”...

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

JORGE + 100

O Centro Histórico de Salvador abrigará de 10 a 13 de dezembro um evento literário que vai discutir a Literatura que se faz hoje na Bahia, tendo como referência o mais famoso dos escritores baianos: Jorge Amado. O “Jorge + 100” é uma iniciativa patrocinada pelos Correios, com realização do Ministério da Cultura, apoio da Fundação Casa de Jorge Amado e organização da produtora Canto de Ideias. O encontro será no Centro Cultural dos Correios, no Largo do Cruzeiro do São Francisco, Pelourinho, com acesso gratuito ao público até a capacidade máxima do auditório. O Jorge +100 reunirá diversos escritores e especialistas que debaterão sobre as obras ficcionais atuais e os temas relacionados, que vão desde as ruas de Salvador como inspiração à baianidade da população e influência da capital nos trabalhos dos autores locais. Estão confirmadas as participações de nomes de destaque no cenário nacional, como o baiano Antônio Torres, recém-eleito para a Academia Brasileira de Letras, Liv Sovik, pesquisadora de temas multiculturais, e a atriz e poeta Elisa Lucinda, além do escritor santoamarense Herculano Neto.

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

PENSANDO ALTO

(*) Costumo ler as notas do obituário nos jornais de Salvador e frequentemente encontro alguém natural de Santo Amaro entre os falecidos, como se estivesse me lembrando que em breve não serei mais notícia no caderno 2.

(*) Ainda sei que sou o mesmo menino do interior quando olho para o lado quando escuto uma buzina de automóvel (buzinar no interior é cumprimento); quando olho pra cima quando passa um avião (avião no interior é novidade, brincadeira de criança).

(*) Pode parecer implicância, talvez até seja realmente, mas acho insuportável o ato de assobiar  canções. Se acalma quem faz, só me enfurece. Conviver com pessoas que cultivam esse hábito é uma tortura, só me vem à cabeça a assassina caolha de Daryl Hannah em “Kill Bill”.

(*) Minha geração decretou o casamento como uma instituição falida. No entanto, começo a observar que jovens casais, entre 19 e 23 anos, estão se casando cada vez mais cedo. Solteirice, definitivamente, é coisa de velho.

(*) Dieta da bola de algodão? Não, uma fatia de torta de tapioca com doce de leite, por favor.


(*) Não faz muito tempo, economizava-se crédito nas ligações feitas para telefone móvel; hoje, com tantos planos e bônus, economiza-se a carga da bateria do aparelho. Preciso aprender a me economizar também.

(*) WhatsApp não deixa de ser um passo adiante na ruidosa comunicação humana, mas os grupos do aplicativo são uma praga. Qualquer assunto vira “grupo”: trabalho escolar, confraternização, fofoca, novela, The Voice, dieta, anos 80...

(*) Ninguém me avaliou no Lulu.

(*) Nunca acreditei que todo mundo fosse filho de Papai Noel.

(*) Nunca acreditei em Papai Noel.


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Pb

há um rastro de chumbo
                nos seus olhos

quando chora
quando tenta
quando espera
quando desiste

há um rastro de chumbo
                nas suas ruas

quando celebra
quando perpetua
quando omite
quando enguiça

há um rastro de chumbo
                em sua gente

quando dá de ombros
quando compactua
quando ignora
quando silencia

há um rastro de sangue na sua história



Mais sobre o chumbo no sangue que maltrata minha cidade AQUI.




quarta-feira, 6 de novembro de 2013

(NÃO) AMAR É...

Uma amiga, dona de casa e mãe de três filhos adultos, conseguiu realizar um sonho adiado mas nunca esquecido: se formou em direito. Ôquei, isso não é nada incomum, provavelmente todo mundo conhece uma dúzia de histórias de superação muito mais dolorosas, porém o que chamou minha atenção foram os agradecimentos da recém formanda, com um parágrafo inteiro dedicado ao esposo, que ficou propositadamente afastado dos outros agradecidos (gente sem valor, como professores, incentivadores e familiares que se apertaram no mesmo parágrafo). No texto, o marido é tratado como um adversário na jornada, um obstáculo que precisava ser ultrapassado, em tom claramente irônico ela agradece pela “oposição contínua” e pela “permanente hostilidade”.

Após ler os agradecimentos, fiquei tentando descobrir o que leva um casal que se odeia a conviver sob o mesmo teto anos a fio, que mesquinhez, egoísmo ou comodidade aprisiona duas pessoas numa existência. O amor?

Não me atrevo a definir o que é o amar, tal qual uma figurinha dos anos 80 ou os colegas literatos Fabrício Carpinejar e Ediney Santana, não tenho essa coragem, não tenho essa ousadia. Nesse assunto sou um incompetente aprendiz, admito.

Pouco posso saber sobre o amor, mas já vivi suficiente para saber o que não é o amor.

sábado, 2 de novembro de 2013

EN PASSANT

Grace Kelly
é tarde
e todos os clichês estão no lugar

    chuva
    frio
    saudade
    uísque
    solidão

é tarde
e todos os clichês riem de mim
                              na minha janela

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

COVA RASA VIRTUAL

(*) Já me “queixei” que o número de comentários em meu blogue havia diminuído consideravelmente, passando da casa dos sessenta para três ou quatro fiéis gatos pingados (alô Paulo, Tânia, Lu, Cila, Mateus e P@ty), embora o número de visitas só aumente. Culpa do Feicebuque, do Instagram e do Candy Crush? Da urgência dos dias? Da falta do que falar? Não sei. Achava que o meu blogue tinha cansado os leitores, se tornado repetitivo, mas  blogues extremamente populares também recebem cada vez menos comentários, com algumas postagens ficando no zero. Talvez eu faça como o camarada Ediney Santana e bloqueie os comentários ou espere confortavelmente que os blogues voltem à crista da onda. A verdade é que comentar nos rouba algum tempo. Às vezes mais de um minuto.

(*) Maria Sampaio, uma amiga muito querida, nos deixou há alguns anos. Seguia o seu blogue e mesmo após o seu desencarne continuei seguindo. Simbolicamente ela continuaria ali, naquelas postagens, ao alcance da minha saudade, poderia de quando em vez comentar algo, perguntar como andavam as coisas do lado de lá. Mas acontece que o blogger possui regras escrotas (sim, você também clicou em “Eu Aceito” sem ter lido nada). Depois de certo tempo sem acessar o blogue sai do ar e o endereço fica disponível para ser registrado mais uma vez. Num misto de surpresa e revolta recebi na minha lista de leitura as “novas atualizações” do blogue dela. Pois é, o cãozinho de Maria agora tem novo dono. E eu imaginando que após o meu fim o POR QUE VOCÊ FAZ POEMA seria uma espécie de cemitério virtual.

(*) Outro ano e novamente apareceu um engraçadinho dizendo que hoje era o dia em que Marty McFly chegava do passado, e não faltou quem acreditasse. Estou pensando em escrever uma postagem óbvia, comparando aquele futuro aos nossos dias, e programar para ser publicada em 21 de outubro de 2015. Se eu já tiver viajado para o outro lado será uma espécie de presente para quem continuar me seguindo. 

terça-feira, 22 de outubro de 2013

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

PESADELO KAFKIANO


“Com catorze anos eu entendia o significado dos toques desnecessariamente 
lentos e sensuais, com os olhos fixos nos meus”.

Trecho da polêmica autobiografia de Morrissey, lançada esta semana no Reino Unido. Enquanto nossos valorosos artistas se unem para calar seus possíveis biógrafos, Morrissey não  se esquiva de nada: desentendimentos com membros dos Smiths, homossexualidade, governo britânico, abuso sexual, relação com gravadoras... Ele relata ainda sua infância em Manchester, em particular a escola católica que frequentou, onde os professores eram cruéis e cada dia era um “pesadelo Kafkiano”. Agora é esperar a edição em língua portuguesa ou comprar a original em inglês mesmo.

sábado, 12 de outubro de 2013

QUINTANA


Mário Quintana, criança

já morei em muitas casas
embora
em sonhos
apenas a casa das infâncias me alcance

bem que mário dizia
que não importa que a
                              tenham demolido
e a demoliram em um sábado
desses de cartão-postal
a gente continua morando
                     na velha casa em que nasceu

já morei em muitas casas
embora sonhe apenas
com a casa das infâncias

Herculano Neto

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

EU NÃO ACREDITO NA RAPAZIADA

Hoje, em um momento de mera falta de sorte, me deparei na listagem dos mais populares do YouTube com um vídeo no mínimo infeliz: em efêmeros vinte e quatro segundos, um grupo de jovens dentro de um carro convida um flanelinha para receber o pagamento pelo suposto serviço prestado, eles parecem um pouco assustados, medem com cuidado todas as etapas planejadas. Simulando segurar uma quantidade de moedas, um dos rapazes estende o braço para fora do automóvel, ao se aproximar do flanelinha lhe dá um tapinha na mão, um típico cumprimento entre amigos, logo em seguida o motorista acelera, como se abandonasse a cena de um crime, enquanto todos gargalham satisfeitos. Uma desgastada polaroide do playboy que insiste em viver na farra. Acostumado a essa classe de indivíduos, não me surpreendi. Achei bobo, apenas. Vinte e quatro segundos da minha vida desperdiçados. O que realmente me surpreendeu e incomodou foram os comentários, pérolas sociais do tipo: “sacanagem, agora ele vai descontar arranhando o carro de outro”, “praga das ruas”, “flanelinha tem mesmo que se fuder”, “deveriam ter dado um tiro na cara desse ladrão”, “flanelinha é criminoso, não é trabalhador”, “menos alguns centavos pra comprar droga”, entre outras delicadezas. Não quero discutir a função de quem arregimenta trocados loteando o espaço público, minha tristeza é outra.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

OS INFRINGENTES

Nos bastidores da capital federal o resultado de empate na votação dos embargos infringentes já era dado como certo, tanto que para os réus só bastava convencer Celso de Mello. Inicialmente ele parecia fechado para negociações, irredutível para as ofertas ele não seria tão fácil quanto os outros, mas todo homem tem seu preço, e o Zé sabia disso.

Quando Ana Laura retornava para casa dois carros fecharam seu caminho. Cena de filme. Um grupo de homens de terno e gravata e óculos escuros não tiveram trabalho para leva-la, que calmamente nem ameaçou reagir, algo que ela tinha aprendido no treinamento de segurança recebido por sua família. Do aparelho celular de Ana Laura um dos homens ligou imediatamente para o pai dela: 

 
     
 "Fala, Filha!"  
"Não é ela... mas você já sabe o que tem que ser feito."
  
Do outro lado Celso não aparentava surpresa, como se ele soubesse que isso realmente pudesse acontecer.

Ele preferiu não envolver a polícia no caso, sabia que não ia adiantar, sabia que seria pior, sabia que a polícia fazia parte do esquema. Foi uma semana terrível. Sem notícias da filha e vendo seu nome nos meios de comunicação a todo instante, dando ao seu voto uma importância e um poder além do que ele merecia, esquecendo-se completamente que outros cinco ministros já tinham votado a favor. Após concluir o seu voto, Celso se trancou no banheiro e chorou em silêncio. Libertada em uma rua deserta de uma cidade satélite, Ana Laura chorava. Desolados, alguns brasileiros ainda tentavam chorar, mas não conseguiam.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

À INGLESA

Anouk Aimée em  8½, 1963, de Federico Fellini
não quero sair sem molhar as plantas
sem deixar pão fresco sobre a mesa
ameixas na fruteira

não quero sair sem alimentar os gatos
sem tirar o lixo
sem apagar as luzes
sem desligar o gás

não quero sair sem olhar pra trás
quero sair sem dizer adeus





domingo, 22 de setembro de 2013

CÍCERO (FREVO POR ACASO)


Como cê tá?
Cê tá legal?
Como cê vai?
Cê vai também?
Cê tá melhor?
Cê tá em paz?
Tá tudo bem?

E o que que a gente faz daquela angústia?

Heim?

E se um dia precisar
de alguém pra desabar
Eu tô por aí

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