Mostrando postagens com marcador ESPORTE CLUBE BAHIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ESPORTE CLUBE BAHIA. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

CARNAVAL FUTEBOL E POESIA

Adeus, Doutor
     Costuma-se dizer que no Brasil o ano começa somente depois do carnaval, para mim ele termina com o fim do Campeonato Brasileiro de Futebol. Sei que essa afirmação soa tão leviana quanto dizer que só após a folia momesca a vida encontra seu trâmite normal (quem já está escalado para bater o seu cartão de ponto em primeiro de janeiro que o diga).
      Para quem viu seu time do coração lutar o certame inteiro contra o rebaixamento, talvez não haja muito o que comemorar, embora sempre exista a expectativa de dias melhores, até para quem espera alguma mágica acontecer num mero espocar de um espumante numa praia lotada na noite de 31 de dezembro.     
     Gosto tanto de futebol quanto de poesia, para a incompreensão de muitos. Gosto da poesia das palavras, da embriaguez dos versos inusitados, os versos que gritam e pedem socorro, os versos que silenciam, entretanto me fascina muito mais a poesia das ruas, a poesia dos andaimes, a poesia das flâmulas. 
        Gosto da poesia de Drummond, mas prefiro a poesia de um Sócrates em campo.
        Infelizmente, amanhã não haverá a infinidade de reprises dos gols da rodada, não haverá mesa redonda, discussões em mesa de bar. A partir de amanhã os noticiários esportivos irão se abastecer de retrospectivas, gols internacionais e especulações sobre os bastidores da bola. A partir de amanhã os domingos serão simplesmente domingos, sem graça, sem vibração, sem  compromissos. Nesse instante, deve ter alguém repetindo aliviadamente: até que enfim – o mesmo que eu direi na quarta-feira de cinzas, quando Salvador voltar a ser dos soteropolitanos.

        Por enquanto, sou apenas saudade.

sábado, 1 de outubro de 2011

BAHÊA MINHA VIDA

FOTOGRAFIA FÁBIO BITO TELES
As salas (arquibancadas) do cinema pareciam estádios de futebol, espectadores  devidamente uniformizados, com bandeiras, cantos, euforia: foi a estreia do esperado documentário BAHÊA MINHA VIDA, de Márcio Cavalcante. Com mais ingressos vendidos no seu primeiro final de semana em Salvador do que o episódio final da série HARRY POTTER, o filme levou aos cinemas uma multidão de apaixonados, que fizeram filas enormes nos cinemas da cidade, sem perder a vibração um só instante. Provavelmente, muita gente não entenderá essa paixão. Mas a ideia é realmente essa: o inexplicável. Os depoimentos dos jornalistas, ex-jogadores e artistas somam-se à força das palavras dos seus torcedores anônimos durante os cem minutos de exibição, que emociona em muitas partes, principalmente no reencontro dos campeões nacionais de 1959, “em cima do Santos de Pelé” - imagens espetaculares dessa conquista fará a alegria de qualquer admirador do futebol (arrepia os aplausos da plateia para o golaço de Alencar, que muitos apenas tinham ouvido falar, e o uníssono de “Bora, Baêa” para gols antológicos). O título brasileiro de 1988, da “elegância sutil de Bobô”, sua história vitoriosa, seus dramas (que não são poucos), tudo está lá. Mas o protagonista é mesmo o amor pelo clube, algo que vai muito além do mero fanatismo. Ao final, dezenas de pessoas de todas as idades saíram chorando e aplaudindo, contagiando ainda mais quem esperava a próxima sessão.  Em breve, em todo o Brasil.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

ADEUS...


          Um dia, encontrei uma linda morena no Tororó. Mas, diferentemente da cantiga de roda, sempre voltei para revê-la. Durante muito tempo, sorrimos, gritamos e choramos juntos (não tem preço a alegria que ela me proporcionou).
          Infelizmente, os últimos tempos foram apenas de sofrimentos. Às vezes penso que sua morte foi até um alívio. Antes mesmo do acidente, ela já andava entristecida, sem o brilho de outrora. Nessa época, minhas visitas se tornaram cada vez menos frequentes. Quando me disseram que ela estava internada e que seu estado era grave, confesso que não tive coragem de reencontrá-la – não suportaria vê-la naquela situação.
          Sei que domingo será o seu funeral, e o domingo era o dia em que mais nos divertíamos, no entanto não irei. Prefiro guardar para o fim a lembrança mais bonita.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

INCOMPLETA

         Finalmente, começou a Copa do Mundo de Futebol. Na ausência de algo melhor para fazer, fico imaginando como não deve se sentir quem não compartilha da euforia nacional que impregna de verde e amarelo as cidades e os meios de comunicação -, provavelmente muito pior do que eu fico durante o carnaval morando em Salvador. Infelizmente, também sou um entusiasta do futebol (embora não pareça nem à primeira nem à segunda vista). Se eu pudesse voltar no tempo, e essa é o tipo de suposição boba que todo mundo em algum momento já fez, eu diria para mim, ainda moleque nas ruas de Santo Amaro, para não gostar de futebol; que só trará infelicidade, divergências; que é perda de tempo e os números da Mega-Sena. Mas como é de conhecimento de todos isso não é possível. Talvez eu pense assim porque torço por um time que não me dá alegrias, porque não me sinto representado pela seleção do meu país ou porque, após duas horas de uma partida monótona na TV, eu sempre reflita que poderia ter aproveitado para terminar de ler aquele livro, assistir a um filme, cozinhar, namorar ou apenas recuperar a noite mal dormida. No entanto, sei que na rodada seguinte, teimoso que sou, estarei novamente me aborrecendo na frente da TV (será que não é mesmo possível voltar no tempo?).
***
          Propositalmente, dei por completado meu álbum da Copa faltando uma figurinha. O charme do álbum é não completar. Assim é a vida: incompleta. Mas tinha que ser logo a figurinha do Felipe Melo?
***
          Hoje, um amigo me disse por telefone que a Panini lançou um encarte com os 23 jogadores convocados por Dunga, além das figurinhas dos nove brasileiros que não estão no álbum original (Gomes, Doni, Gilberto, Thiago Silva, Michel Bastos, Kleberson, Ramires, Júlio Batista e Grafite). Ainda não sei se vou colecionar esse refugo. Preferia que ele tivesse me dito que Felipe Melo não está mais no álbum.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

BORA BAÊA!

           Time se escolhe.
           Mas a nítida sensação é que eu já nasci tricolor, muitos torcedores dirão igualmente, e não é apenas frase de efeito: é realidade. Se me perguntarem jamais conseguirei determinar exatamente quando passei a torcer – só sei que torcia.
           Na tarde de 19 de fevereiro de 1989, aos dez anos, aguardava ansioso pela transmissão da final do campeonato brasileiro do ano anterior (entre Internacional de Porto Alegre e Bahia da Bahia mesmo). A espera era solitária. Meus amigos e meu irmão eram mais jovens do que eu e da bola só queriam o baba; meu pai, torcedor do Vitória, pertencia ao grupo dos descontentes e naquela tarde, antes de sair pra trabalhar, me incumbiu de colocar a areia que estava na rua desde a manhã passada para o quintal. Deixei a tarefa para ser cumprida após a partida – a construção não tinha pressa.
           Pouco antes de começar o jogo meu tio Rui, rubro negro fanático, chegou discretamente em sua cadeira de rodas e se ajeitou do lado de fora, de onde podia assistir sem incomodar ou ser incomodado – ficou em silêncio e assim foi embora.
           Bahia campeão. A imagem do goleiro Ronaldo agradecendo aos céus e minha mãe desligando a televisão:
           - Vai fazer o que teu pai mandou!
           Ok, manda quem pode e, embora não pareça, nunca me faltou juízo.
           Enquanto carregava um balde caindo aos pedaços, cheio de areia, acompanhava o espocar dos fogos e os gritos de euforia dos torcedores que não paravam de multiplicar. Num momento de distração feri meu punho no alumínio do balde e ainda tive de ouvir de minha mãe alguns impropérios antes dela isolar o ferimento com uma faixa feita de tiras de pano.
            Ainda trago a cicatriz.
Related Posts with Thumbnails