Um dia, encontrei uma linda morena no Tororó. Mas, diferentemente da cantiga de roda, sempre voltei para revê-la. Durante muito tempo, sorrimos, gritamos e choramos juntos (não tem preço a alegria que ela me proporcionou).
Infelizmente, os últimos tempos foram apenas de sofrimentos. Às vezes penso que sua morte foi até um alívio. Antes mesmo do acidente, ela já andava entristecida, sem o brilho de outrora. Nessa época, minhas visitas se tornaram cada vez menos frequentes. Quando me disseram que ela estava internada e que seu estado era grave, confesso que não tive coragem de reencontrá-la – não suportaria vê-la naquela situação.
Sei que domingo será o seu funeral, e o domingo era o dia em que mais nos divertíamos, no entanto não irei. Prefiro guardar para o fim a lembrança mais bonita.
