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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

PORTUGAS X BRASUCAS

“Brasuca” foi a resposta portuguesa à “portuga”, termo empregado até hoje como um sinônimo depreciativo de brasileiro (o sufixo UCA não esconde isso, o mesmo de “muvuca” ou “mixuruca”) e que, equivocadamente, muitos entendem como uma referência carinhosa. A grafia com “Z”, que despreza qualquer regra ortográfica, foi a escolhida para denominar a bola da Copa do Mundo de 2014, ressaltando a infelicidade da escolha. Já o mascote da Copa será o tatu-bola, que ainda não teve seu nome definido, embora não tenha faltado sugestões pejorativas ou trocadilhos envolvendo a palavra tatu.

ANEDOTA DE BRASUCA

Era uma partida entre a selecção brasuca e a equipa portuguesa de futebol. De repente, o juiz marca uma falta na entrada da área a favor da esquadra lusitana. Cristiano Ronaldo prepara-se para a cobrança e a barreira formada pelos brasucas fica de frente para o guarda-redes.
Vocês permanecerão de costas para a bola? pergunta o árbitro, a estranhar a atitude.
Mas, claro! justifica um dos brasucas, o senhor acha que perderemos um golo desses?
O MASCOTE É O DA ESQUERDA

sexta-feira, 2 de julho de 2010

LARANJA

Laranja é uma cor que tem o nome emprestado da fruta, talvez ela não tenha um nome apenas seu porque não passa de um amarelo com tons avermelhados. Pra piorar, no Brasil laranja é quem tem o nome envolvido em transações ilegais em benefício de terceiros (e amarelar é sinônimo de acovardar-se, mas o amarelo não me interessa). Não costumo teorizar sobre futebol, principalmente para não cair nos jargões futebolísticos que pululam na imprensa. Também não gosto de conversar a respeito, pois torço por um time que se tornou pequeno e nunca tenho razão. Só que, recentemente, não me contive e falei para alguns amigos que preferia perder com Telê Santana a vencer com Dunga. Obviamente, fui execrado: entre outras coisas, me disseram que perder jogando bonito não deixa de ser uma derrota, que a história é feita pelos vitoriosos e que o treinador é bastante coerente. Não contestei. Cansei de ouvir a palavra coerência, acho que não a direi durante muito tempo. Coerência é característica de pessoas conservadoras – e o futebol não pode se opor ao novo. Quero ganhar jogando bem, sempre: sou amante do futebol romântico (pra não dizer que não usei nenhum jargão). E nem quero saber que história contará os derrotados. Dentro de algumas horas, irei jantar. Pedirei um suco de laranja, mas espero que o garçom não me interprete mal.


quarta-feira, 9 de junho de 2010

INCOMPLETA

         Finalmente, começou a Copa do Mundo de Futebol. Na ausência de algo melhor para fazer, fico imaginando como não deve se sentir quem não compartilha da euforia nacional que impregna de verde e amarelo as cidades e os meios de comunicação -, provavelmente muito pior do que eu fico durante o carnaval morando em Salvador. Infelizmente, também sou um entusiasta do futebol (embora não pareça nem à primeira nem à segunda vista). Se eu pudesse voltar no tempo, e essa é o tipo de suposição boba que todo mundo em algum momento já fez, eu diria para mim, ainda moleque nas ruas de Santo Amaro, para não gostar de futebol; que só trará infelicidade, divergências; que é perda de tempo e os números da Mega-Sena. Mas como é de conhecimento de todos isso não é possível. Talvez eu pense assim porque torço por um time que não me dá alegrias, porque não me sinto representado pela seleção do meu país ou porque, após duas horas de uma partida monótona na TV, eu sempre reflita que poderia ter aproveitado para terminar de ler aquele livro, assistir a um filme, cozinhar, namorar ou apenas recuperar a noite mal dormida. No entanto, sei que na rodada seguinte, teimoso que sou, estarei novamente me aborrecendo na frente da TV (será que não é mesmo possível voltar no tempo?).
***
          Propositalmente, dei por completado meu álbum da Copa faltando uma figurinha. O charme do álbum é não completar. Assim é a vida: incompleta. Mas tinha que ser logo a figurinha do Felipe Melo?
***
          Hoje, um amigo me disse por telefone que a Panini lançou um encarte com os 23 jogadores convocados por Dunga, além das figurinhas dos nove brasileiros que não estão no álbum original (Gomes, Doni, Gilberto, Thiago Silva, Michel Bastos, Kleberson, Ramires, Júlio Batista e Grafite). Ainda não sei se vou colecionar esse refugo. Preferia que ele tivesse me dito que Felipe Melo não está mais no álbum.

segunda-feira, 8 de março de 2010

MANHÃ DE SEGUNDA-FEIRA

           Domingo é dia de futebol (até quem não gosta do esporte bretão sabe disso). No domingo são disputados os grandes jogos, as grandes batalhas. Domingo é dia de ir ao estádio, de estender a bandeira na janela, de lavar o carro escutando o hino do seu time. Domingo é dia de remarcar compromissos, de não marcar compromissos, de bater ponto na frente do televisor, de sintonizar o radinho na resenha esportiva. Domingo é dia de torcer, se enfurecer, se decepcionar, xingar a mãe alheia. Mas, principalmente, é dia de festa, de êxtase, de epifania (domingo também é dia de ir à igreja, mas só é sagrado por causa do futebol).
           Caderno de esportes, campeonatos europeus, jogos ao vivo, mesa redonda, gols da rodada, artilheiro pedindo música... É tanta bola no domingo que chega a ser insuficiente suas vinte e quatro horas, talvez por isso o futebol avance sem pudores pela manhã de segunda-feira – que começa no cumprimento do porteiro; passa pelo papo informal na padaria; pelas manchetes dos jornais nas bancas de revista; pela diversidade colorida dos uniformes dos clubes ostentados com orgulho pelas ruas; pela conversa animada na barbearia; pelos pontos de ônibus, praças, escritórios, construção. O grito do gol de ontem ecoa sem cessar, para a alegria sem fim de uns e dor de cabeça de outros. Aliás, para quem perde, a manhã de segunda-feira é assustadoramente longa - e chuvosa mesmo com sol. O cafezinho na repartição é mais amargo, não se folheia jornais nem se assiste à tv, ouve-se calado o gracejo vingativo do colega e conta-se os minutos para que o dia termine ou que logo chegue a próxima segunda. O certo é que a segunda-feira é dia de comemorar, dia de deixar o riso fácil ganhar o rosto; dia de rememorar, de tirar sarro do adversário; dia de estender o horário do almoço até o final do último programa esportivo só para rever os melhores momentos como se fosse a primeira vez – com direito a nova reclamação da arbitragem. Na segunda não há mais tensão, apenas alívio e certezas.
           Enfim, o futebol pode ser casado com o domingo e dormir fora na quarta, mas a manhã de segunda-feira ainda é sua melhor amante.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

BORA BAÊA!

           Time se escolhe.
           Mas a nítida sensação é que eu já nasci tricolor, muitos torcedores dirão igualmente, e não é apenas frase de efeito: é realidade. Se me perguntarem jamais conseguirei determinar exatamente quando passei a torcer – só sei que torcia.
           Na tarde de 19 de fevereiro de 1989, aos dez anos, aguardava ansioso pela transmissão da final do campeonato brasileiro do ano anterior (entre Internacional de Porto Alegre e Bahia da Bahia mesmo). A espera era solitária. Meus amigos e meu irmão eram mais jovens do que eu e da bola só queriam o baba; meu pai, torcedor do Vitória, pertencia ao grupo dos descontentes e naquela tarde, antes de sair pra trabalhar, me incumbiu de colocar a areia que estava na rua desde a manhã passada para o quintal. Deixei a tarefa para ser cumprida após a partida – a construção não tinha pressa.
           Pouco antes de começar o jogo meu tio Rui, rubro negro fanático, chegou discretamente em sua cadeira de rodas e se ajeitou do lado de fora, de onde podia assistir sem incomodar ou ser incomodado – ficou em silêncio e assim foi embora.
           Bahia campeão. A imagem do goleiro Ronaldo agradecendo aos céus e minha mãe desligando a televisão:
           - Vai fazer o que teu pai mandou!
           Ok, manda quem pode e, embora não pareça, nunca me faltou juízo.
           Enquanto carregava um balde caindo aos pedaços, cheio de areia, acompanhava o espocar dos fogos e os gritos de euforia dos torcedores que não paravam de multiplicar. Num momento de distração feri meu punho no alumínio do balde e ainda tive de ouvir de minha mãe alguns impropérios antes dela isolar o ferimento com uma faixa feita de tiras de pano.
            Ainda trago a cicatriz.
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