quarta-feira, 25 de agosto de 2021

CONTÉM SPOILER VII

Aquele filme que eu te falei

Devo ter assistido à Beleza Americana (American Beauty, 1999) no distante ano dois mil (ou talvez em dois mil e um) na solidão do meu antigo quarto em Santo Amaro da Purificação. É provável que aquele espectador imberbe não tivesse bagagem para perceber certos elementos apresentados, sendo mais fácil se deslumbrar com facilitações narrativas como uma sacola plástica levada pelo vento. Mas ao rever o filme agora, cerca de vinte anos depois, a forma como as mulheres são retratadas na película causou uma espécie de incômodo. A esposa neurótica e obsessiva que tenta escapar das suas frustrações profissionais em um caso extraconjugal, a adolescente desajustada e insatisfeita com o próprio corpo que cede ao assédio do vizinho esquisito, a Lolita sexy e ingênua idealizada pelo protagonista. Imagino que “Beleza Americana” não seja uma experiência tão confortável para a plateia feminina na atualidade, muito mais consciente do seu papel social, fazendo com que o filme não passe incólume pelo crivo do tempo.

 

Um comentário:

Comente apenas se leu a postagem.

Related Posts with Thumbnails