segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

EU, O OTIMISTA

          Há quem, frequentemente, me chame de pessimista, de pragmático, de realista. Confesso que isso não é demérito algum, essas adjetivações soam até lisonjeiras. A verdade, e isso não é segredo, é que eu não passo de um otimista, de um Policarpo Quaresma repaginado, o último romântico dos litorais de qualquer atlântico. Sou, assumidamente, fora de moda. Dizem que o otimista é uma pessoa sem muita experiência, mas não me importo.
          Estou eternamente disposto a ver o lado bonito da vida, nem que seja na balada após a quinta cerveja.
          Sempre acredito que não irá chover, mesmo que eu compareça aos meus compromissos encharcado da cabeça aos pés.
          Frases motivacionais adornam o calendário da minha mesa no escritório, apenas não compreendi, ainda, o que Borges quis dizer no mês de maio com “a esperança é o mais sórdido dos sentimentos”.
          Tenho o armário repleto de caixas de remédios variados, mas não sou um hipocondríaco (ser cumprimentado na farmácia, como fazem os garçons no bar, não atesta o contrário).
          Não acho que o meu vizinho tenha um emprego, um gramado e uma mulher melhores do que os meus. Não acho que a fila ao lado anda mais rapidamente do que a que estou e no restaurante não acho o prato dos outros mais atrativo do que a refeição que escolho – embora pareçam.
           Não sinto a sua falta, sinto a sua presença pela casa arrastando correntes durante a madrugada.
           Já não me amarguro arrependido a imaginar “e se eu tivesse feito isso” ou “e se eu tivesse feito aquilo”, meus excessos me permitem, no máximo, um “e se eu não tivesse feito isso” ou “e se eu não tivesse feito aquilo” (o que, ao final das contas, deve ser a mesma coisa).
          Aguardo ansiosamente o resultado positivo, seja do exame de gravidez daquela paixão do carnaval em Salvador ou de alguma doença hereditária degenerativa.
          Sim é a minha palavra preferida, principalmente quando preciso confirmar os meus nãos.
          Recentemente, percebi que querer nem sempre é poder e que nada é tão ruim que não possa piorar (mas não divulgo essas descobertas).
          Sei que os últimos serão os últimos, porém não desanimo derrotado na torcida.
          Assim como Woody Allen, também acredito que o copo está meio cheio... de veneno.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

POEMA INÉDITO


carrego nos braços
alegria e tristeza na medida errada

em excesso

quem me vê entristecido
na rua
não sabe que descanso o peso da alegria
                   
Herculano Neto 

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

AFINADO COM A CRÍTICA




Na relação dos melhores de 2010, publicada pela edição brasileira da revista Rolling Stone deste mês, há doze discos que apareceram AQUI e AQUI em dezembro do último ano. E ao contrário do que possa parecer, isso não me deixou envaidecido, talvez seja apenas um sintoma de que sou mais pop, e menos alternativo, do que eu imaginava.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

CONTRA O SILÊNCIO

          Grande parte dos meus desafetos nasceu da minha palavra, não apenas a escrita, principalmente a falada, em alto e nem sempre bom som.
          Não costumo omitir o que penso, até tento, mas não consigo. Para quem pessoalmente não me conhece, advirto que não sou nenhum falastrão, o rei da festa com suas tiradas sem graça. Na verdade, sou introspectivo, de breves comentários, observador. No entanto, o pouco que digo é o suficiente para fomentar rancores ou paixões.
          Não quero o aplauso fácil, desconheço o meio-termo, o alto do muro. Diplomacia, conheço somente de vista. Não falo duas vezes antes de pensar, sei o que falo. Nem simplifico a questão me comparando à natureza de uma criança, não terceirizo minha responsabilidade. Frequentemente, sou tachado de deselegante, de deseducado. Mas se me desagrada, não falo o contrário para satisfazer ninguém.
          Sempre falei o que pensava, mesmo que depois eu me arrependesse (não do que disse, mas por ter dito). É um risco me pedir a opinião sobre algo, desde os testes nucleares na Coréia do Norte à cor do vestido. Não tenho medo de destoar, de contra-argumentar, de desmentir, de desmistificar. Não tenho medo da maioria. Só não quero me martirizar por que não disse o que sentia. A palavra represada amargura, corrói, causa câncer.
          Sofri quando quis me esconder atrás do silêncio.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

PARA QUEM AINDA FREQUENTA VÍDEO LOCADORA

IMAGEM ILA FOX

Atendendo a pedidos, a relação de alguns dos melhores filmes que revi em home video durante o último ano. Sei que a minha opinião sobre o que é “melhor” não vale muita coisa, mas pode servir como dica para quando você estiver perdido na video locadora - ou quando tiver direito àquela “cortesia” e não souber o que escolher:


A FLOR DO MEU SEGREDO (1995)
Pedro Almodóvar

AMNÉSIA (2000)
Christopher Nolan


CONTRA A PAREDE (2004)
Fatim Akin

ED WOOD (1994)
Tim Burton

FELICIDADE (1998)
Todd Solondz

HISTÓRIAS MÍNIMAS (2002)
Carlos Sorín

O GRANDE GOLPE (1956)
Stanley Kubrick

PACTO SINISTRO (1951)
Alfred Hitchcock

SIDEWAYS (2004)
Alexander Payne
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