segunda-feira, 22 de agosto de 2016

DESENCONTROS


Mais um poema traduzido para o francês pelo amigo Pedro Vianna


não tenho medo de ser simples
tenho medo de ser oco
de ser raso

não tenho medo do esquecimento
tenho medo da lembrança feita de mágoa
do rancor

não tenho medo da rotina
da crise de meia-idade
da constância dos funerais
das mesmas conversas
dos mesmos amigos

tenho medo do verão
tenho medo da saudade

tenho medo dos caminhos que não segui
das escolhas que não fiz
dos desencontros



Rencontres ratées

je n’ai pas peur d’être simple
j’ai peur d’être creux
d’être plat

je n’ai pas peur de l’oubli
j’ai peur du souvenir fait de chagrin
de la rancœur

je n’ai pas peur de la routine
de la crise de l’âge mûr
de la récurrence des funérailles
des mêmes conversations
des mêmes amis

j’ai peur de l’été
j’ai peur de la présence des absences

j’ai peur des chemins que je n’ai pas suivis
des choix que je n’ai pas faits
des rencontres ratées

Tradução para o francês:
Pedro Vianna



9 comentários:

  1. olá boa noite!
    é primeira vez que venho aqui e a me apaixono !

    um abraço e parabéns!

    ResponderExcluir
  2. O medo pode nos tornar inertes.. ou nos mover...

    ResponderExcluir
  3. Leve, musical, delícia de ler!

    Abraços =)

    ResponderExcluir
  4. Belo poema....belíssima tradução!!!
    Estou tateando post a post desse blog genial!!!
    Posso segui-lo?
    Abraços

    ResponderExcluir
  5. Nem sei como cheguei aqui, só sei que cheguei. Cheguei como quem caminha muitas léguas e encontra um banco na sombra de uma árvore de copa frondosa e exuberante. Tenho muito medo da lembrança feita de mágoa, da mágoa que causei, mais do que da que sofri...
    Parabéns pelo blog e seu maravilhoso conteúdo.
    Abraço.

    ResponderExcluir

Comente apenas se leu a postagem.
Comentários anônimos serão recusados.

Related Posts with Thumbnails