segunda-feira, 6 de abril de 2009

TUDO O QUE EU SEMPRE QUIS DIZER SOBRE CERVEJA

Gosto de cerveja. Cerveja escura, chopp de vinho, bock, flavorizadas. Gosto de beber sozinho, com aquela indiferença que aprendi a carregar nos olhos. No bar minha cerveja é no balcão, estilo copiado de filme americano: long neck, sem copo. Detesto copos. Nunca me deixo acompanhar à mesa, a garrafa de 600 ml no centro, gargalhadas, futebol, mulheres, samba - tudo previsivelmente ritualístico me repele. Recuso com destreza convites, um intelectualoide à mesa é pior que cerveja quente. Sempre acreditei que quem compartilha cerveja não gosta de cerveja, gosta de jogar conversa fora, e eu não desperdiço nada, sequer conversa. (Parafraseando Cazuza: quando eu estiver bebendo não se aproxime). Minha cerveja não desce redondo, redonda nem redondamente, ela fica no caminho, é um engano, um desvio de rota, um atraso, tráfego. Minha cerveja ignora a noite fria e reduz o meu domingo a um marasmo ainda maior. Minha cerveja não protagoniza o anúncio da tv, não enfeita o cartaz da gostosa fabricada na tela do designer, não patrocina a alegria com prazo de validade. Minha cerveja não tem happy hour, apenas dias de infelicidade. Sem moderação, sem interação, sem folia, sem slogans. Minha cerveja não é praia, é pub; não é celebridade, é Bukowski.

2 comentários:

  1. É Harry de Hesse em O lobo da Estepe! Me fez lembrar dessa boa leitura que um dia fiz. Quem sabe não esteja na hora de revisitá-la. Abraço.

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