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terça-feira, 16 de outubro de 2012

QUANDO EU REENCONTRAR XICO SÁ


    



    Noutra noite, num simpático boteco do Rio Vermelho, Xico Sá me disse que homens bonitos sempre tentam ganhar uma mulher por nocaute — às vezes no primeiro round. E que homens inteligentes (ou seria “esteticamente prejudicados”?) como nós, ganham as mulheres por pontos.
      Preciso dizer para ele que perdi minha luta por  insistência.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

PODERIAM SER CRÔNICAS, MAS SÃO APENAS NOTAS

(*) Tenho várias restrições quanto às redes sociais, mas não posso permanecer indiferente, nem deixar de considerar admirável, o número de casais que vejo se formando, principalmente através dos blogues. Almas absolutamente parecidas, separadas por inúteis fronteiras, se encontrando nessas intersecções do acaso.

(*) Há quem diga que é do tempo em que se amarrava cachorro com linguiça, não sou tão velho assim, mas com toda essa febre em torno das tecnologias móveis, descobri que sou do tempo em que se ficava em casa porque estava esperando uma ligação.

(*) Gosto do ambiente da cozinha, me traz uma lembrança familiar que nunca abandonei. Mais do que cozinhar, gosto de inventar. De misturar, de encontrar sabores, de nomear pratos com títulos poéticos. Questionado sobre o que não pode faltar na minha cozinha, respondi: Heineken.

(*) Não costumo me manifestar quando o assunto é carnaval. Não entendo, não sei como funciona, não participo. Carnaval, para mim, é sinônimo de silêncio, de cidade vazia. Melhor escola de samba, bateria nota dez, melhor bloco, melhor cantora, melhor música, revelação... Acho que não faz sentido transformar uma festa popular em competição.

(*) Após oito anos, e inúmeras versões, enfim o meu livro de contos está pronto, do jeito que sempre imaginei. Agora é lutar para encontrar uma forma decente de publicação.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

TUDO O QUE EU SEMPRE QUIS DIZER SOBRE CERVEJA

Gosto de cerveja. Cerveja escura, chopp de vinho, bock, flavorizadas. Gosto de beber sozinho, com aquela indiferença que aprendi a carregar nos olhos. No bar minha cerveja é no balcão, estilo copiado de filme americano: long neck, sem copo. Detesto copos. Nunca me deixo acompanhar à mesa, a garrafa de 600 ml no centro, gargalhadas, futebol, mulheres, samba - tudo previsivelmente ritualístico me repele. Recuso com destreza convites, um intelectualoide à mesa é pior que cerveja quente. Sempre acreditei que quem compartilha cerveja não gosta de cerveja, gosta de jogar conversa fora, e eu não desperdiço nada, sequer conversa. (Parafraseando Cazuza: quando eu estiver bebendo não se aproxime). Minha cerveja não desce redondo, redonda nem redondamente, ela fica no caminho, é um engano, um desvio de rota, um atraso, tráfego. Minha cerveja ignora a noite fria e reduz o meu domingo a um marasmo ainda maior. Minha cerveja não protagoniza o anúncio da tv, não enfeita o cartaz da gostosa fabricada na tela do designer, não patrocina a alegria com prazo de validade. Minha cerveja não tem happy hour, apenas dias de infelicidade. Sem moderação, sem interação, sem folia, sem slogans. Minha cerveja não é praia, é pub; não é celebridade, é Bukowski.
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