quarta-feira, 18 de setembro de 2013

“O MEU PERFUME NA ROSA DOS VENTOS”

(*) Gosto de dar presentes, mas não gosto de aniversários ou natal. Não gosto de presentes disputando preferências. Não gosto de presentes com hora marcada. Gosto de olhar para uma vitrine e lembrar de alguém. Gosto da surpresa, do não esperado. Gosto que o meu presente seja o único.

(*) “Vai ter presente pra Chiquinha/ e ter presente pra Iaiá/ canoeiro puxa a rede do mar”.

(*) Moro em uma cidade onde ainda é possível encontrar relojoeiros, alfaiates, sapateiros, mas onde é cada vez mais difícil encontrar uma agência dos Correios. Sempre que penso que poderei utilizar os serviços de alguma ela encerra suas atividades. Só na última semana foram duas.

(*) Todas as cartas de amor são ridículas? E torpedos, inbox, WhatsApp, e-mail, sinais de fumaça, recados no Instagram, comentários no blogue?

(*) Correio elegante, mídia cafona.
 
(*) Comprei uma Yashica Mat pelo MercadoLivre (um presente para mim). Espero que não venha com defeito. Tenho medo de não encontrar uma agência dos Correios para devolver.

(*) “Que presentes te daria/ uma estrela vã do firmamento/ pra iluminar o vão do pensamento..."

(*) Um presente para Kleber Albuquerque, Álvaro de Campos e Dorival Caymmi.

domingo, 15 de setembro de 2013

A PONTE SOBRE O FOSSO DOS JACARÉS

        Há um mapa e uma missiva de um amor desesperançado dentro de uma garrafa que o náufrago encontra na inóspita praia de uma ilha deserta. Mais do que a possibilidade de tesouros perdidos, fascina as dolorosas palavras de uma paixão impossível, cruel. Por um instante, horas, dias, ele esquece a fome, a sede, o medo, a esperança. Queria vencer as lanças da guarda do castelo, queria vencer os cavaleiros em suas armaduras, queria vencer a feiticeira e o seu dragão, não para desmascarar a rainha má e devolver o trono ao rei injustamente deposto, nem para desvendar o mistério na masmorra do quasímodo. Queria, simplesmente, resgatar a princesa da clausura da torre e viver feliz para sempre em um reino encantado na floresta, enquanto os créditos sobem ao som dos alaúdes.
      Completamente desidratado, ele avista uma caravela no horizonte antes de fechar os olhos pela última vez.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

HOMENS QUE MENSTRUAM

Louis Garrel
armam cenas
cerram cortinas
esperam
afagam
afastam

(querem solidão suas madrugadas
querem atenção suas impaciências)

gritam
silenciam
despetalam a flor da pele
as lágrimas dos cadernos

sabem de cor
muitas mentiras
mas o que importa
são as suas meias-verdades

dóceis
indefesos
furiosos
indomesticáveis

não há ambivalência
em suas manhãs



PLACEBOS

Anna Karina
escondo minhas fissuras e mágoas
minhas doses homeopáticas de sarcasmo

trago na boca o desespero
e um hipotético sabor de quimera

(amiúde, me deparo sem norte)

esboço felicidade
e artefinalizo melancolia

não posso estranhar o desprezo




terça-feira, 27 de agosto de 2013

TODOS OS MEUS MORTOS III

    
          Soube por estranhos, semanas depois, sobre o falecimento. Esbocei meu pesar numa nota de solidariedade, enquanto observava nós três, ainda jovens, no porta-retratos da escrivaninha. Mas não enviei.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

UM MISERÁVEL A VER NAVIOS

Léa Seydoux
Toujours je perds,
Toujours un manque,
Toujours je souffre,
Toujours je suis planté là.

Toujours je démolis,
Toujours j’attends,
Toujours je recommence,
Toujours je reste là, les mains vides

Un misérable quémandant de l’affection, voilà ce que je suis

Herculano Neto
Tradução para o francês: Pedro Vianna




sempre perco
sempre falta
sempre sofro
sempre fico a ver navios

(“sem sentido para o céu
indiferente para o inferno”)*

sempre despedaço
sempre precipito
sempre reinicio
sempre fico com as mãos abanando

miserável esmolando afeto é o que sou


*BERGMAN, Ingmar. O Sétimo Selo. Suécia, 1956. 

 

sábado, 17 de agosto de 2013

THIS CHARMING CHARLIE

É bem provável que a banda preferida do lamentoso Charlie Brown fosse The Smiths, deve ser o que pensou  a graphic designer Lauren LoPrete, quando juntou esses dois ícones da cultura pop no tumblr THIS CHARMING CHARLIE. As letras nada otimistas de Morrissey não poderiam ter encontrado lugar melhor para habitar.
Não tenho certeza do que 'felicidade' significa/ Mas eu olho nos seus olhos
E eu sei que ela não está aí
(JEANE)
Então você vai, e você fica sozinho/ E você vai embora sozinho
E você vai pra casa, e você chora/ E você quer morrer
(HOW SOON IS NOW)
E se você acha que a Paz/ é um objetivo comum
Bem, isso mostra o quão pouco você sabe
(DEATH OF A DISCO DANCER) 
Me chame de mórbido, me chame de pálido/
Eu gastei tempo demais atrás de você
Tempo demais perseguindo seu rabo
(HALF A PERSON)
Eu fumo porque estou esperando uma morte precoce
E eu preciso me agarrar a algo! 
(WHAT SHE SAID)

Talvez eu possa morrer/
Com um sorriso no meu rosto no final das contas
(THAT JOKE ISN'T FUNNY ANYMORE)

terça-feira, 13 de agosto de 2013

“QUERO QUE VOCÊ ME AQUEÇA NESSE INVERNO”

Quero escolher o modelo da lápide e rascunhar o epitáfio da minha sepultura.

Quero reencontrar minha família no quadro dos desaparecidos. 

Quero uma escola com o meu nome, uma praça de Santo Amaro ou o aeroporto de Salvador. 

Quero rechaçar uma biografia não autorizada, virar notícia após um acidente de carro.

Quero faltar à sessão de lançamento das minhas obras completas.

Quero uma casa no campo, uma casinha na varanda, uma casinha de sapê.
    
Quero que minha declaração de amor chegue ao topo dos Trending Topics mundial.
   
Quero que o meu filho assine um contrato milionário com o Galatasaray.
    
Quero que o meu canal do Youtube seja considerado a salvação do humor nacional.
    
Quero processar Arnaldo Antunes por plágio.
   
 “Quero seus cabelos negros nas minhas mãos”.
    
Quero negar o affair com uma “celebridade da mídia”, não reconhecer a paternidade de um filho (fruto de um caso com essa mesma “celebridade da mídia”).
    
Quero brigar com o TV Fama, com o Pânico, com Zeca Camargo.
    
Quero que minha patente invada a casa das pessoas.
    
Quero um google doodle.
        
Quero ser feliz.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

MADRI

Sara Montiel
penso naqueles deslizes
na dissimulação
nas cartas na mesa
na virada de mesa

penso na melancolia que me cai em agosto
e num antigo filme
(quase preto & branco)
que assisti numa madrugada em santo amaro

penso
enquanto aguardo os touros na arena

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

BRAVO!

última, e melancólica, capa da BRAVO!
Nunca gostei de ser assinante de revistas, gosto de ir até à banca, perguntar se já chegou, folhear outras publicações, conversar com o jornaleiro, comentar as manchetes dos jornais, a rodada do Brasileirão... Uma das revistas que sempre compro é a BRAVO! (foi uma satisfação especial ter meus contos publicados em suas páginas) e agora me vejo meio órfão com a notícia de que a editora Abril cancelou sua publicação. Os argumentos comerciais da editora até poderiam fazer algum sentido, como o baixo número de anúncios publicitários, a perda de leitores das mídias impressas frente à evolução digital e o baixo número de exemplares vendidos mensalmente (cerca de vinte e oito mil, entre assinantes e compradores espontâneos). Mas um dos títulos mais interessantes da editora fundada por Victor Civita deveria ter sua existência garantida, independentemente da quantidade de anunciantes. A BRAVO! era mais do que isso.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

ALÉM DO QUE SE VÊ


FISH TANK
(Reino Unido, 2009)
Direção: Andrea Arnold


Mãe solteira com filhos que mais parecem seus irmãos é um cenário cada vez mais comum nesse novo perfil dos núcleos familiares mundo afora. Aqui temos Mia, uma garota de 16 anos que vive com a mãe e a irmã menor em um conjunto habitacional claustrofóbico (o aquário do título?), e que sonha em se tornar dançarina – pessoas desajustadas que precisam encontrar algum sentido para existirem. Se a dura realidade, sem nenhum gesto de afeto ou possibilidades de melhora já seria o bastante para complicar sua vida, tudo piora com a chegada do novo namorado da mãe, o sempre ótimo Michael Fassbender. Mas não se enganem com as aparências: a previsibilidade se resume ao inevitável choque de gerações, apenas. As soluções são, muitas vezes, cruéis, – embora uma doce canção como "California Dreamin'" possa trazer contornos de frágil esperança.

 
NOTA DE RODAPÉ
(Hearat Shulayim, Israel, 2009)
Direção: Joseph Cedar


Premiado como melhor roteiro no Festival de Cannes em 2011, essa comédia israelense possui um humor, no mínimo, inusitado, o que a torna, ao mesmo tempo, divertida e melancólica. Muitas situações lembram os melhores momentos dos irmãos Coen. Pai e filho são dois estudiosos do Talmude, o livro sagrado dos judeus. O pai é um sujeito rancoroso e solitário, que acredita nunca ter obtido o reconhecimento merecido por seu trabalho. O filho, extremamente vaidoso e arrogante, é um bem sucedido pesquisador que vive aparecendo na mídia e recebendo prêmios devido ao grande sucesso dos seus livros, o que evidencia ainda mais a tensão entre os dois. O título do filme se refere a um único exemplo de reconhecimento público do pai, que se orgulha de ter sido citado, como nota de rodapé, em um livro de um celebrado estudioso do Talmude. Não há culpados nem inocentes, somente a hipocrisia e a pequenez do ser humano.
 
AS PALAVRAS
(The Words, EUA, 2012)
Direção: Brian Klugman e Lee Sternthal


Uma plateia atenta aguarda o autor (Dennis Quaid) de um aclamado best-seller para uma leitura pública da sua obra, a partir daí conhecemos a história do aspirante a escritor (Bradley Cooper), que busca, sem sucesso, a publicação do seu primeiro romance. Presenteado pela esposa (Zoe Saldana) com uma antiga valise comprada num antiquário, ele encontra dentro dela os originais de um fascinante livro e acaba assumindo para si a autoria, o que o torna rapidamente em um enorme sucesso. É quando entra em cena seu verdadeiro autor (Jeremy Irons). Realidade e ficção se entrelaçam, como se estivéssemos lendo um livro e não assistindo a um filme. Recebido friamente pela crítica no último ano, por não ter considerado original o mote do escritor sem inspiração que plagia um autor desconhecido, “As Palavras” é um filme que merece ser visto (ou revisto) com mais atenção.

domingo, 28 de julho de 2013

MÚSICA NO CINEMA

Cento e quarenta minutos (e trinta canções) depois e me ainda me encontrava extasiado com um Paul McCartney em plena forma no último concerto da turnê “Wings Over the World”, em 1976. Som e imagens impecavelmente restaurados davam uma dimensão certeira dos Wings. Prestigiando o repertório da sua banda pós-Beatles (que poderia ter mais espaço no setlist dos seus shows atuais), Paul e os demais integrantes do grupo pareciam realmente se divertir, juntamente com o quarteto de metais que tornava as músicas mais fortes. Durante a sessão a vontade era de pular como se estivesse mesmo em um show, mas tudo que fiz foi cantar e aplaudir, sem medo de incomodar quem chorava emocionado nas outras poltronas.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

SINOPSE

Sharon Tate em "O Olho do Diabo", J. Lee Thompson, 1966

sou feito de hipóteses:

a mais provável é a que
melhor me desmente

a mais cruel é a que melhor
me explica

sou feito de equívocos
contradições
convicções
borboletas

sou vela acesa
na noite das angústias

sexta-feira, 19 de julho de 2013

TONY MARO

"Pensando como é difícil seguir
seu caminho e partir"
Os versos acima são da canção, “Beleza de Ser”, do amigo Tony Maro, assassinado covardemente hoje. Artista, no sentido mais amplo possível da palavra, que nunca buscou nem encontrou reconhecimento, que viveu cada dia como se fosse o único. Abaixo, o link para quem quiser baixar o seu disco, registro de bons tempos.

TONY MARO (download)




quarta-feira, 17 de julho de 2013

IRONIE (IRONIA)

Harriet Andersson, em "Monika e o Desejo", Ingmar Bergman, 1953
Ironie

Ils ont envahi la maison
ils ont empoissé les tableaux
ils ont cassé les vases
ils ont donné des coups de pieds aux chats
mais mon ironie, personne ne l’a emportée




Herculano Neto
Tradução para o francês: Pedro Vianna

 


Ironia
invadiram a casa
picharam os quadros
quebraram os vasos
chutaram os gatos
mas a minha ironia ninguém levou

quinta-feira, 11 de julho de 2013

MINHA LÁPIDE GRAFITADA

Em uma postagem de 2010, tento explicar, sem muito sucesso, o título deste blogue. Poderia passar despercebida, ser mais uma postagem entre essas quase quinhentas já publicadas, mas há algum tempo quem passa por ela deixa um comentário dizendo por que faz poema. Mal comparando, sinto-me como se estivesse no Père-Lachaise.

E POR QUE VOCÊ FAZ POEMA?

segunda-feira, 1 de julho de 2013

OUTRA DOSE

“Mais Uma Dose”, o livro de microcontos editado digitalmente por Ediney Santana e Herculano Neto em 2010, ganhou edição impressa cuidadosamente revista e ampliada.
Quem ainda se interessa por livros de papel 
poderá adquirir o seu AQUI.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

PODERIAM SER, TALVEZ ATÉ SEJAM

(*) Às vezes desisto de escutar alguma canção porque me falta paciência para desembaraçar os fios do fone de ouvido. Às vezes desisto de você porque me falta paciência para desembaraçar esses laços.

(*) Tenho medo do primeiro comentário nas postagens, geralmente é ele quem dita o teor dos comentários seguintes, se o primeiro não gostar os próximos também não gostarão, se o primeiro achar “fantástico” muitos acharão também. Não é apenas a primeira impressão que fica, o primeiro comentário também. 

(*) Supostos formadores de opinião detestam ser informados. Tudo eles já viram, já leram, já ouviram, já gostaram, já deixaram de gostar – até mesmo quando você cita uma banda que nunca existiu.

(*) O Feicebuque é a maior arquibancada do Brasil. 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

quarta-feira, 19 de junho de 2013

MALÍCIAS

Catherine Deneuve, em "Repulsa ao Sexo", 1965

J’aime, mais je ne prends pas de risque
j’ai un cœur affligé
plein de malices


J’aime un animal farouche
qui a un cœur d’exception
fatigué de caresses.


Herculano Neto
Tradução para o francês: Pedro Vianna





Eu amo, mas não me arrisco
tenho um coração aflito
repleto de malícias.

Eu amo um animal arisco
que tem um coração distinto
cansado de carícias.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

CHIAROSCURO

Contaminado pelo politicamente correto, tão em voga nesses novos/velhos tempos, abandonei gradativamente algumas expressões que minha inocência e domingos maravilhosos assistindo a “Os Trapalhões” sempre consideraram naturais. Culpa, talvez, dos movimentos pelos direitos das mulheres, dos afrodescendentes e dos homossexuais (eu e esse hábito de me identificar com as minorias, mesmo quando a minoria não é tão pequena assim).

Não é difícil me flagrar repreendendo alguém quando diz algo como mulher no volante perigo constante, sapatão, viado ou a coisa tá ficando preta, ainda que seja apenas por “brincadeira”, “sem maldade”. 

Aprendi que nem toda brincadeira é inofensiva.

Não digo que fulano tá na lista negra ou que gato preto dá azar. Não uso os verbos denegrir e esclarecer. Não coloco o vocábulo negro após câmbio, mercado, caixa, humor, magia, ovelha entre outras palavras.

No entanto, hoje, em um momento de satisfação e legalidade (importante frisar), fiquei sem saber se eu poderia falar que um empreendimento renderia uma grana preta.



terça-feira, 4 de junho de 2013

VERSOS EXCLUÍDOS

tenho vocação para o abismo
para o abraço
tenho fixação por detalhes
por olhares
por silêncios


sou irremediavelmente insatisfeito
displicentemente franco
o melhor amigo dos meus amigos
o melhor amante das minhas tristes


obsessivo


tenho vocação para infelizes
 



do livro “CINEMA”, Fundação Casa de Jorge Amado, 2008

quinta-feira, 30 de maio de 2013

OS ÚLTIMOS CARTUCHOS

Tenho alguns amigos escritores que não possuem blogue, ou têm mas não atualizam, deixam a página a hibernar indefinidamente, a apanhar poeira virtual, visitantes desavisados e ocasionais. De quando em vez o blogue recebe alguma postagem, geralmente a divulgação de algum evento envolvendo o autor ou um texto antigo que foi agraciado com algum prêmio – mero exercício do ego –, feito uma nau perdida no espaço e que repentinamente pisca. O argumento deles é que publicar em blogues (“pra ninguém”, “de graça”) é queimar cartucho à toa, melhor guardar o esforço, as ideias supostamente geniais, para livros que encontrarão poucos e rasos leitores.

Não compartilho desse pensamento Tio Patinhas.

Gosto do cheiro da pólvora, da surpresa esperada dos fogos de artifício. Portanto, permita-me queimar meus últimos cartuchos, afinal, como todo bom pacifista com uma arma nas mãos, o máximo que posso fazer é atirar para cima, para dissipar a multidão que pretendia linchar algum trombadinha de avenida.

Nunca miro no peito de ninguém.



sexta-feira, 24 de maio de 2013

E SE OS MEUS FILMES PREFERIDOS PASSASSEM NA SESSÃO DA TARDE?


 




Esse cavaleiro medieval andava muito desanimado. Mas uma partida de xadrez com a Morte vai fazer renascer nesse malandro a vontade de viver. Prepare-se para muita confusão e aventura na Idade Média em "O Sétimo Selo".






Esse médico desastrado queria inventar uma pele artificial. Mas um contratempo com sua filha vai fazer esse maluco experimento tomar um rumo alucinante. Prepare-se para muita confusão e aventura com Antonio Banderas em "A Pele Que Habito".

  





 Esse pestinha não tem a menor paciência para a escola e vai tentar de tudo para escapar de seus sádicos professores. Só que seus pais não vão gostar nem um pouco disso. Agora, esse moleque endiabrado vai aprontar altas confusões pelas ruas de Paris. De François Truffaut, "Os Incompreendidos”.






Esse aluno dedicado se apaixonou pela professora de piano, uma coroa que está com tudo em cima. Mas esse marmanjo vai descobrir que a gata tem um parafuso a menos. Agora, ele vai fazer de tudo para satisfazer essa pianista. Do diretor Michael Haneke, "A Professora de Piano".












Esse taxista com um parafuso a menos se apaixonou por uma mulher de tirar o fôlego. Mas essa tremenda gata não vai dar mole para o cara. Agora, esse motorista da pesada vai bolar um plano maluco para tirar o chefe dela da jogada. Nova York vai ficar de pernas para o ar com Robert De Niro em Taxi Driver
 







Escute a locução, no melhor estilo Sessão da Tarde, AQUI.

terça-feira, 21 de maio de 2013

RAY MANZARECK (1939 - 2013)

Raymond Daniel Manczarek Jr. (12 de fevereiro de 1939 - 20 de maio de 2013) - conhecido pelo nome artístico de Ray Manzareck - atuou como escritor e diretor de filmes. Mas foi como músico que o tecladista norte-americano sai de cena na Alemanha, aos 74 anos, para ficar eternamente em lugar de honra na história da música pop. É que Ray Manzarek foi um dos fundadores do grupo norte-americano The Doors, criado em 1965 com Manzarek nos teclados, Jim Morrison (1943 - 1971) nos vocais, John Densmore na bateria e Robby Krieger na guitarra. Com o The Doors, o tecladista ficou de 1965 a 1973, ano da extinção do grupo que tinha sido celebrizado na segunda metade dos anos 60 por sua mistura psicodélica de rock e blues e pela figura sensual e carismática de Morrison. Som marcado pelos teclados de Manzarek, morto nesta segunda-feira - 20 de maio de 2013 - vítima de complicações decorrentes de um câncer.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

PODERIAM SER CRÔNICAS

(*) Quando achei de listar as piores canções de Raul Seixas, seus fa(náticos) entraram em polvorosa, chegando a ameaçar minha integridade física. Eu, tão tísico e inofensivo, quase não saí de casa de tanto medo de me deparar com algum maluco beleza mirando em minha lata seu estilingue. Agora, após relacionar os versos nada geniais de Renato Russo, seus discípulos pediram carinhosamente que eu analisasse a possibilidade de cometer suicídio, fiquei tão tocado que por pouco não me atirei da janela do quinto andar, vá entender. Bom, de qualquer forma é melhor não correr tantos riscos e pensar duas ou três vezes antes de apontar os trabalhos menos interessantes de artistas como Mano Brown ou Chorão, talvez sua horda de asseclas queira me submeter a alguma sessão de tortura pior do que escutar repetidamente suas canções.

(*) Nunca gostei de me resignar, me conformar, sempre gostei de fazer acontecer, de mover as peças do tabuleiro independentemente dos valores nos dados. Esperar não é algo que se pareça muito comigo, prefiro tentar, me arrepender, quebrar a cara. Costumo escutar as pessoas lamentarem, entre suspiros, adágios do tipo “o pouco com Deus é muito”, pode ser, sou um ateu que não duvida, mas o muito sem Deus continua sendo muito, não o contrário.

(*) Carpinejar escreveu no “Zero Hora” que quando ficou solteiro outra vez se decepcionou com o mundo, se sentiu amaldiçoado, raivoso com a falta de sorte, logo ele, que defendia a vida a dois, que alardeava como seu aforismo maior que liberdade na vida é ter alguém para se prender. Reclamava, ainda, que as suas roupas sujas não enchiam mais uma máquina de lavar, que a comida estragava na geladeira, que toda noite era fim melancólico de domingo. Esse sou eu.

(*) O sitar de George Harrison em "Norwegian Wood" e o meu mundo já não é mais o mesmo.


terça-feira, 14 de maio de 2013

SÍLVIO SANTOS VEM AÍ!

 Foi uma fulana da Vila Madalena que organizou a caravana. Tentei participar durante alguns meses, mas nunca tinha vaga. O único jeito de conseguir foi comprando.
    
Embarcamos bem cedo, alguns rapazes queriam ir, porém a organizadora foi enfática: apenas co-le-gas de trabalho. Chegamos aos estúdios cerca de quatro horas antes das gravações. A produção selecionou as mais jovens para a maquiagem e as posicionaram na frente do auditório, as mais velhas ficavam afastadas. Fiquei na frente. Proibiram bolsas, câmeras e celulares, explicaram procedimentos técnicos e recomendaram que evitássemos qualquer comportamento exagerado. Fizeram uma revista rápida, sem muito apuro. Nem me tocaram.
   
Música. O diretor pediu palmas pelo alto-falante e avisou: gravando em dez segundos. Nove, oito... busquei a arma entre minhas pernas. Sete, seis, cinco... estavam todas ansiosas, sequer perceberam quando coloquei o cartucho. Quatro, três, dois... No ar.

terça-feira, 7 de maio de 2013

OS PIORES VERSOS DE RENATO RUSSO

Renato Russo, líder e principal compositor da cultuada Legião Urbana, tem seu nome comumente associado ao epíteto poeta (rótulo tão banalizado e desgastado que até Chorão, do Charlie Brown Jr., foi agraciado com ele). Letrista, realmente, de qualidade bem acima dos seus pares – inclusive Cazuza, outro equivocado “poeta” -, Renato Russo tem suas letras reproduzidas como hinos por seguidas gerações de jovens, e de não tão jovens assim, angustiados com o mal do século, além de ocupar o espaço destinado a autênticos poetas em exemplos utilizados nos livros didáticos. E como se já não fosse suficiente a literatura, o Trovador Solitário invadiu também os cinemas. Primeiramente com o raso documentário “Rock Brasília”, agora com os rebeldes sem causa da imberbe capital federal em “Somos Tão Jovens”, uma caricatura com algum rock e sem sex and drugs, pra não assustar a família-brasileira-tela-quente. E ainda vem aí “Faroeste Caboclo”. Tenho medo de imaginar qual será o próximo, “Eduardo e Mônica?”, “Dezesseis?”, “Pais e Filhos?”, “Ainda Somos Tão Jovens?”. Enquanto isso, me atrevo a listar seus versos menos interessantes (pra ficar no eufemismo):

BENZINA
Poderia ter poupado Renato Russo desse retrato do artista quando jovem, mas a partir do momento em que os Irmão$ Lemo$ e Dinho (e aí, moçadaaaa) Ouro-Preto chafurdaram o espólio do Aborto Elétrico para um projeto insosso, não tive como deixar essa pérola de fora. O engraçado é que quase trinta anos depois de ter sido escrita, constato que o rock feito no Brasil encaretou, já que no disco do Capital Inicial a música foi gravada sem a letra, com receio de ser considerada apologia às drogas, mas o mundo não perdeu grande coisa:

“Fui até à farmácia
Eu e minha prima
Levei os 20 mangos
Pra comprar benzina”


DEPOIS DO COMEÇO
Dos fóruns online à mesa de bar, “Depois do Começo” é praticamente hors concours quando o assunto é música da Legião Urbana que você não gosta, seja porque ta mais pros Paralamas ou por causa do “Deus, somos todos ateus”. No encarte do disco “Que País é Este”, somos advertidos que a letra contém diversas mensagens codificadas e quem tentar decifrá-la encontrará mais coisas sobre si do que sobre a música. Bobagem. Raramente executada ao vivo, recentemente foi resgatada por Dado Villa-Lobos nos seus shows, numa espécie de lado B da sua antiga banda, como se a Legião Urbana tivesse algum lado B. Os fãs mais ardorosos comparam a letra a uma viagem lisérgica, meio “Lucy in the Sky with Diamonds”, outra bobagem. Na verdade, os versos são de um nonsense constrangedor: “cair como um saxofone na calçada”, “usar um extintor como lençol”, “jogar polo-aquático na cama”, não faltam opções para pior verso, mas me incomoda mesmo é o refrão que diz que depois do começo o que vier vai começar... Sic, sic, sic.

QUÍMICA

Em um cena retratada no filme “Somos Tão Jovens”, o baterista Fê Lemo$ ousa questionar a qualidade do trabalho do até então genial Manfredini Jr., o que bastou para o vocalista rodar a baiana e abandonar o barco de vez. Ironicamente, foi essa canção que levou a Legião Urbana ao Rio de Janeiro, após ter sido gravada no disco de estreia dos Paralamas do Sucesso. Propositadamente pueril, boba até, mas comparar a pressão da sociedade para o jovem se tornar um profissional bem sucedido com um campo de concentração da Alemanha nazista (o “Belsen tropical”) é forçar a barra.

SUBMISSA
O que o dinheiro não faz, “Química” não servia, mas essa “Submissa” serve, e nessa nem da pra reconhecer o cara que escreveu "Ainda é Cedo" no texto. Outra que os Irmão$ Lemo$ foram escarafunchar.

“Conheci uma garota submissa
Tudo o que eu mandava ela fazia
Tudo o que eu queria ela fazia
Tudo o que eu sonhava ela fazia”.


MAIS DO MESMO

Nunca, nunca mesmo, simpatizei com os versos iniciais de “Mais do Mesmo” (“Hey, menino branco/ o que você faz aqui?”), a sonoridade das palavras na canção, a ideia simplista sobre quem vende e quem consome drogas (algo que também me incomodou no primeiro “Tropa de Elite”), nada me agrada. E depois que você descobre que esses versos horríveis foram supostamente chupados de "I'm Waiting for the Man", do Velvet Underground, (“Hey, white boy, what you doin' uptown?”), a coisa piora ainda mais. Há quem diga que os doentes na enfermaria cantando sucessos populares é mais bizarro.

OS ANJOS   
Se a postagem fosse sobre a pior música da Legião Urbana, não pensaria duas vezes, mas a letra também não fica pra trás, a impressão é que Renato pegou as sobras de “Perfeição”, requentou e fez esse prato. “Um tablete e meio de preguiça” ou “duas xícaras de indiferença?”. O gosto é do freguês.

MARCIANOS INVADEM A TERRA
“Cuidado com a coisa coisando por aí/
a coisa coisa sempre e também coisa por aqui”. 
Dispensa maiores comentários.

MAIS UMA VEZ
Tá bom, Renato Russo era fã declarado dos mineiros e pretendia gravar um disco só com canções do Clube da Esquina, certo. Mas isso não faz essa letra ser o que ela não é. Recomendo anotar cada verso em um pedacinho de papel, embrulhar, jogar para cima e sortear o pior verso. Autoajuda em letra de música é dose.

OUTRAS ESTAÇÕES
Ao comentar que eu pretendia realizar uma postagem com os versos pouco inspirados de Mr. Russo, amigos legionários, curiosamente, fizeram várias sugestões, demostrando que são menos radicais do que aparentam, ao contrário dos fãs de Raul Seixas, que ameaçaram minha integridade física. Citaram “PLANTAS EMBAIXO DO AQUÁRIO” (pior música do disco “Dois” para alguns) e prima-irmã de “A Canção do Senhor da Guerra” e “Soldados”; o mertiolate de “METRÓPOLE”; as baratas voadoras de “LEILA”; a feijoada de “O MUNDO ANDA TÃO COMPLICADO”; a tríade “A DANÇA”, “PETRÓLEO DO FUTURO” e “PERDIDOS NO ESPAÇO” do primeiro disco; O tê enorme de “TÉDIO”; o quem inventou o amor de “ANTES DAS SEIS”, entre outras.
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