Foi uma fulana da Vila Madalena que organizou a caravana. Tentei participar durante alguns meses, mas nunca tinha vaga. O único jeito de conseguir foi comprando.
Embarcamos bem cedo, alguns rapazes queriam ir, porém a organizadora foi enfática: apenas co-le-gas de trabalho. Chegamos aos estúdios cerca de quatro horas antes das gravações. A produção selecionou as mais jovens para a maquiagem e as posicionaram na frente do auditório, as mais velhas ficavam afastadas. Fiquei na frente. Proibiram bolsas, câmeras e celulares, explicaram procedimentos técnicos e recomendaram que evitássemos qualquer comportamento exagerado. Fizeram uma revista rápida, sem muito apuro. Nem me tocaram.
Música. O diretor pediu palmas pelo alto-falante e avisou: gravando em dez segundos. Nove, oito... busquei a arma entre minhas pernas. Sete, seis, cinco... estavam todas ansiosas, sequer perceberam quando coloquei o cartucho. Quatro, três, dois... No ar.