Mostrando postagens com marcador SNOOPY. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SNOOPY. Mostrar todas as postagens

sábado, 17 de agosto de 2013

THIS CHARMING CHARLIE

É bem provável que a banda preferida do lamentoso Charlie Brown fosse The Smiths, deve ser o que pensou  a graphic designer Lauren LoPrete, quando juntou esses dois ícones da cultura pop no tumblr THIS CHARMING CHARLIE. As letras nada otimistas de Morrissey não poderiam ter encontrado lugar melhor para habitar.
Não tenho certeza do que 'felicidade' significa/ Mas eu olho nos seus olhos
E eu sei que ela não está aí
(JEANE)
Então você vai, e você fica sozinho/ E você vai embora sozinho
E você vai pra casa, e você chora/ E você quer morrer
(HOW SOON IS NOW)
E se você acha que a Paz/ é um objetivo comum
Bem, isso mostra o quão pouco você sabe
(DEATH OF A DISCO DANCER) 
Me chame de mórbido, me chame de pálido/
Eu gastei tempo demais atrás de você
Tempo demais perseguindo seu rabo
(HALF A PERSON)
Eu fumo porque estou esperando uma morte precoce
E eu preciso me agarrar a algo! 
(WHAT SHE SAID)

Talvez eu possa morrer/
Com um sorriso no meu rosto no final das contas
(THAT JOKE ISN'T FUNNY ANYMORE)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A NOVELA DE UM LIVRO

Possuo um livro de contos engavetado há algum tempo, mas não por minha vontade, que fique claro. No distante ano de 2010, parte desses textos foi publicada pela revista Bravo!, tendo boa acolhida pelo público e uma expectativa crescente com relação ao lançamento oficial. No entanto (sempre um “no entanto” no caminho), devido a divergências com a editora (traduzindo: um contrato escroto), acabei escanteado, relegado à geladeira de um mercado violentamente  competitivo. A essa altura alguém já perguntou: “por que não lançou independente?”. Respondo: bancar um projeto do próprio bolso é fácil, difícil é fazer com que o livro seja lido, que tenha divulgação, distribuição, que sobreviva além da noite de autógrafos e que atinja várias pessoas e não apenas meus fiéis amigos. Já lancei um livro independente e confesso que fora a satisfação pessoal e o foda-se editoras não há muito o que comemorar. Desanimado, aguardei. Este ano, me acenaram com a possibilidade de publicação por uma editora que  me agrada, principalmente por seu projeto gráfico charmoso e pelo respeito que é dispensado aos seus contratados. Assim, tive tempo para reescrever alguns contos, excluir outros e incluir um material recente e que não foge da unidade temática, o que parecia ruim inicialmente, terminou sendo o melhor para mim. Hoje, tenho um trabalho em mãos bem mais instigante e maduro do que eu tinha há dois anos. “Tudo tem seu tempo”, algum sábio conformado já disse, porém não costumo exercitar minha resignação com muita frequência. Em breve, livro novo na praça – finalmente.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

ASSIM É A VIDA, CHARLIE BROWN!

Charlie Brown, por vários anos, foi o exemplo de amizade que desejei para mim, sem sucesso. Procurava visualizar entre os meus colegas, na escola ou na rua, alguém como ele. Solidário, afável, sensível... Sua turma era minha turma, seus medos eram os meus medos, sua total inabilidade com as atividades infantis também era minha. A idealização do primeiro amor como um sentimento inatingível foi o ponto mais em comum dessa fase. Charlie Brown e eu sofríamos com as desventuras de relacionamentos apenas fantasiados (entre as cores da imaginação e o cinza da realidade, pouco sobrava de nós). A garotinha ruiva deve ter sido a nossa maior identificação: uma garota sem nome, traduzida somente pela cor dos seus cabelos, um amor completamente idílico. Temendo não ser aceito, ele não se apresentou à garotinha ruiva, e em seu lugar foi seu melhor amigo, Linus – que a beijou, se apaixonou e quebrou a magia ao descobrir seu verdadeiro nome. Charlie Brown amargou mais uma derrota com a resignação de quem se acostumou a não vencer. Não me lembro bem, mas acho que era inverno. Muitas estórias passavam-se no inverno. No inverno é tudo mais triste. (Jamais toquei a neve).
     A minha garotinha ruiva não era ruiva; ainda hoje seus cabelos negros visitam minhas lembranças pueris. Nunca mais a encontrei, nem pretendo encontrá-la. Não posso furtar do que me resta de inocência essa recordação doce. É possível até que eu tenha passado por ela em uma avenida qualquer, esbarrado e pedido desculpas no supermercado ou sentado ao seu lado no ônibus ou num banco de praça sem tê-la reconhecido. Melhor assim.
     Hoje, olhando para trás, não vejo aquele menino introvertido em mim. Tudo parece distante e inacreditável, quase paralelo. Talvez por ter vivido a perda com tanta intensidade eu tenha decidido na prática o que não queria ser.
      Nunca perdoei Linus por ter beijado a garotinha ruiva. Nunca perdoei Charlie Brown por ter perdoado Linus. Nunca me perdoei por não ter perdoado os dois.
Related Posts with Thumbnails