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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

CONTÉM SPOILER XIV

Aquele filme que eu te falei

Queria iniciar o texto qualificando as mães de Almodóvar, um adjetivo apenas, algo que pudesse sintetizar esse universo tão explorado pelo cineasta em sua obra (cativantes, exageradas, dramáticas, trágicas, passionais, divertidas, corajosas, fortes, inquietantes, arrebatadoras, coloridas), são muitas as possibilidades, mas nenhuma satisfatória. Um termo que convidasse o leitor a seguir naturalmente pela crônica até ao seu final, uma palavra que fosse retomada na conclusão criando uma espécie de efeito estético, cíclico – um truque barato e que ainda funciona. Mas não encontrei. Em “MADRES PARALELAS” ele nos apresenta a várias: desde a mãe que deixa a filha para cuidar da carreira como atriz às mães que criaram sozinhas os seus filhos após os maridos serem assassinados covardemente durante a guerra civil espanhola. E no meio de tudo isso uma Penélope Cruz, mais madura em seu ofício, alinhavando esse misto de melodrama (no melhor sentido) com manifesto político. Inteiras. Acho que encontrei a palavra que eu precisava.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

E SE OS MEUS FILMES PREFERIDOS PASSASSEM NA SESSÃO DA TARDE?


 




Esse cavaleiro medieval andava muito desanimado. Mas uma partida de xadrez com a Morte vai fazer renascer nesse malandro a vontade de viver. Prepare-se para muita confusão e aventura na Idade Média em "O Sétimo Selo".






Esse médico desastrado queria inventar uma pele artificial. Mas um contratempo com sua filha vai fazer esse maluco experimento tomar um rumo alucinante. Prepare-se para muita confusão e aventura com Antonio Banderas em "A Pele Que Habito".

  





 Esse pestinha não tem a menor paciência para a escola e vai tentar de tudo para escapar de seus sádicos professores. Só que seus pais não vão gostar nem um pouco disso. Agora, esse moleque endiabrado vai aprontar altas confusões pelas ruas de Paris. De François Truffaut, "Os Incompreendidos”.






Esse aluno dedicado se apaixonou pela professora de piano, uma coroa que está com tudo em cima. Mas esse marmanjo vai descobrir que a gata tem um parafuso a menos. Agora, ele vai fazer de tudo para satisfazer essa pianista. Do diretor Michael Haneke, "A Professora de Piano".












Esse taxista com um parafuso a menos se apaixonou por uma mulher de tirar o fôlego. Mas essa tremenda gata não vai dar mole para o cara. Agora, esse motorista da pesada vai bolar um plano maluco para tirar o chefe dela da jogada. Nova York vai ficar de pernas para o ar com Robert De Niro em Taxi Driver
 







Escute a locução, no melhor estilo Sessão da Tarde, AQUI.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

MEUS FILMES PREFERIDOS (DOS MEUS CINEASTAS PREFERIDOS)

PEDRO ALMODÓVAR
Havia uma época, não muito distante, que citar Almodóvar era lugar-comum (talvez ainda seja), simbolizava um incontestável nível cultural, era atestado de bom gosto e sofisticação,  mesmo que, em certos casos, não ultrapassasse a superfície  de pessoas que queriam soar “descoladas”, “antenadas”, mas claramente desconheciam a filmografia do pop diretor espanhol. Durante algum tempo, então, legal era afirmar que odiava Almodóvar, feito o Smurf Ranzinza. Para evitar polêmicas, ou não ser confundido com a maioria, preferia não manifestar minha admiração – ficando essa informação restrita a um diminuto grupo de amigos. Agora, provavelmente, entusiasmado com A Pele que Habito, que mesmo não sendo tão bom quanto os filmes listados abaixo, consegue, ao menos, ser o seu trabalho mais interessante em quase dez anos (já que a sua melhor película nesse período pertence a Woody Allen).


MAUS HÁBITOS (Entre Tinieblas, 1983)
Após presenciar a morte do namorado, vitimado por uma overdose de heroína, uma jovem cantora de bolero, Yolanda Bell, busca refúgio no convento das “Redentoras Humilhadas”, onde a madre superiora é sua admiradora. O convento abriga ex-pecadoras que não abandonaram seus maus hábitos: Irmã Perdida (que cuida de “Bebê”, um tigre que vive no jardim), Irmã Víbora, Irmã Sórdida e Irmã Rata de Esgoto (que escreve romances pornôs sob pseudônimo). A madre superiora tenta superar a crise financeira do convento, e sua paixão não correspondida por Yolanda, traficando drogas da Tailândia. Não faltam humor negro e críticas a religião e a sociedade espanhola contemporânea.

QUE FIZ EU PARA MERECER ISTO?  (¿Qué he hecho yo para merecer esto!!, 1984)
Para equilibrar o orçamento familiar, Gloria (Carmen Maura) é obrigada a trabalhar dezoito horas diariamente, se mantendo acordada com o auxílio de anfetaminas. Vivendo em um pequeno apartamento, num conjunto de prédios deteriorados da periferia de Madri, com seu marido infiel apaixonado por uma cantora alemã, a sogra sovina que tem um lagarto de estimação chamado “Dinheiro”, um filho traficante e o caçula homossexual que se prostitui (uma garota de programa, um policial impotente e uma criança paranormal completam o quadro de personagens excêntricos, mas extremamente humanos), ela encontrará apenas desalento, nessa trágica comédia da vida privada. 



A FLOR DO MEU SEGREDO (La Flor de mi secreto, 1995)
Leo Macias é uma romancista frustrada (Marisa Paredes em um dos melhores momentos de sua carreira), que obtém sucesso com romances adocicados, assinados ironicamente com o pseudônimo Amanda Gris. Em crise conjugal, ela se sente incapaz de continuar a produzir o tipo de literatura que sempre fez, passando a beber constantemente. Escapando das comédias absurdas e multicoloridas, Almodóvar inicia aqui o amadurecimento de sua obra, com temas mais sóbrios, tons mais escuros e o ritmo menos frenético. Curiosamente, o romance “Câmara Frigorífica”, citado na película, é uma espécie de protótipo do que seria “Volver”. O filme traz ainda Caetano Veloso interpretando “Tonada de Luna Llena”.



TUDO SOBRE MINHA MÃE (Todo sobre mi madre, 1999)
O maior êxito na carreira de Almodóvar (premiado como melhor diretor em Cannes, além de levar a estatueta do Oscar de melhor filme estrangeiro), narra a trajetória de Manuela (Cecilia Roth), que após doar os órgãos do filho, atropelado no dia do seu aniversário quando tentava ganhar um autógrafo da atriz Huma Rojo (Marisa Paredes), resolve retornar à Barcelona para reencontrar o pai do seu filho. No caminho, se depara com o travesti Agrado e uma jovem freira grávida e soropositiva, Rosa (Penélope Cruz). Repleto de referências, de “Um Bonde Chamado Desejo” a “Bette Davis, esse melodrama, onde a identidade sexual é bastante abordada, é, praticamente, uma unanimidade.



FALE COM ELA (Hable con Ella, 2002)
Benigno Martin (Javier Cámara) é o enfermeiro responsável por Alicia, uma bailarina que entrou em coma após uma acidente de carro. Benigno dispensa a ela excessivos cuidados, falando com Alicia o tempo inteiro, acreditando que ela possa ouvir. Na clínica onde trabalha, ele conhece Marco Zuluaga, um jornalista que acompanha a famosa toureira Lydia Gonzalez, também enferma. Os muitos flashbacks contará a história dessas mulheres.  Almodóvar, que sempre se caracterizou por uma filmografia excessivamente feminina, aqui presta uma especial atenção ao universo masculino. Mais um Oscar, desta vez por roteiro original. Caetano Veloso participa cantando “Cucurrucucu Paloma”  ("Este Caetano me há puesto los pelos de punta").




terça-feira, 4 de maio de 2010

TAJABONE

Uma mulher abandona Madri e segue rumo a Barcelona, instigada pelas anotações que o filho fez em um caderno intituladas “TUDO SOBRE MINHA MÃE”, no filme homônimo de Pedro Almodóvar. Ao vermos as primeiras imagens da cidade escutamos “Tajabone”, do cantor senegalês Ismäel Lo, cantada no dialeto Wolof. A canção simboliza mais do que a saudade, simboliza a ausência – que vai permear o restante da película -, e é mais uma das melhores canções do MEU mundo. Há algum tempo não moro com minha mãe, e sempre que retorno “Tajabone” acaba sendo não a trilha sonora ideal, mas a trilha sonora inevitável – principalmente quando adentro a cidade onde nasci e que não me reconhece mais. Acho que jamais saberei tudo sobre minha mãe (nem mesmo sei tudo sobre mim), melhor dessa maneira, o que me encanta é a surpresa, é a novidade a cada encontro. Também faço parte daquele grupo ranzinza que acredita que o dia das mães é todos os dias e que aquilo que tentam nos vender em maio não passa de estratégia de mercado. No entanto, não deixo de presenteá-la – por mais que ela repita todos os anos que não precisava.
Eu sei que precisava.

sábado, 10 de outubro de 2009

PATTY DIPHUSA

Costumo ler no ônibus, enquanto vou ao trabalho. Diferentemente dos meus colegas de viagem, que já embarcam temerosos, leio tranquilamente – sem me importar com o imprevisível. Durante duas dessas ocasiões comecei e terminei a leitura de “PATTY DIPHUSA”, do cineasta Pedro Almodóvar. Uma série de contos publicados originalmente na revista espanhola “La Luna” a partir de 1982 e copilados em livro em 1991 (ano em que filmou “De Salto Alto”). Impossível não imaginar aquelas histórias (e acredite que tentei) em película, provavelmente a trajetória da estrela pornográfica internacional Patty Diphusa por Madri não tivesse espaço no cinema de hoje (nem uma atriz como Victoria Abril como protagonista), talvez soasse demais como um Almodóvar de antigamente, o que já seria bem melhor do que suas últimas produções.

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