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terça-feira, 4 de agosto de 2026

TODOS OS MEUS MORTOS: ANIVERSÁRIO

 

Curiosamente, na minha infância não havia festas de aniversário, nem minhas nem de amigos nem de familiares. Ninguém. Não consigo lembrar de ter ido a nenhuma (desconheço a existência de registros fotográficos em que eu apareça ao redor de uma mesa decorada nos anos de 1980 que possam me contradizer). Vagamente, recordo a festinha de um ano de Júlia, seu pai era funcionário da Petrobras e tinha até carro e telefone, luxos para a época, mas não fomos convidados. Em minha casa nunca teve, era apenas mais um dia comum, outra quarta-feira. O que era falta de opção, quando adulto, se tornou opção – e mesmo contrariando o desejo de pessoas queridas, e avesso a surpresas, nunca permiti que algum aniversário meu fosse comemorado. Poderia abrir uma exceção, talvez em uma efeméride como o cinquentenário, mas prefiro não correr o risco de ser parabenizado com um “feliz ciclo novo” ou que após os eternos e constrangedores "parabéns pra você" algum desabençoado puxe o coro de "Herculano será abençoado...".

quarta-feira, 27 de março de 2013

TARANTINO (50 ANOS)

Nos cinquenta anos de Quentin Tarantino só algo vem à minha mente: a trilha sonora dos seus filmes. E nenhuma faixa soa mais emblemática para mim do que “Girl You'll Be a Woman Soon”, que embala uma (entre tantas) das sequências inesquecíveis de “Pulp Fiction”. Se todo mundo costuma lembrar de Uma Thurman dançando com John Travolta ao som de Chuck Berry, sempre preferi ela cantando e dançando sozinha na sala antes de sofrer uma overdose. Clássica.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

MEU NOME É CHICO BENTO, SÔ

Em 2011, para comemorar os 500 longa-metragens patrocinados pela Petrobrás, a  equipe de Maurício de Sousa foi convidada para fazer um crossover entre os personagens da Turma da Mônica e alguns dos maiores sucessos do cinema brasileiro, como "O Homem que Copiava", "Tropa de Elite" e "Se eu Fosse Você". Para "Cidade de Deus" foi reservado Chico Bento, e a escolha não poderia ter sido melhor. Marco do cinema nacional, com quatro indicações ao Oscar (roteiro, direção, fotografia e montagem), "Cidade de Deus" estreou no dia 31 de agosto de 2002. Dez anos depois, o cinema feito no Brasil continua com as mesmas, e piores, dificuldades, e sem ter produzido outro trabalho tão significativo. Um documentário, uma HQ e um musical fazem parte das homenagens ao filme de Fernando Meirelles em 2012.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

NELSON

Para quem dizia que toda unanimidade é burra, 
não deixa de ser irônico que o tempo o tenha transformado em uma.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

JORGE

      Há algum tempo, encontrei em um sebo de Salvador algumas edições de Jorge Amado devidamente autografadas, provavelmente vendidas por algum familiar que herdou a biblioteca, mas não enxergava naquele monte de livros utilidade, vai saber. O engraçado é que nem mesmo o esperto vendedor se deu conta de que aqueles rabiscos eram do próprio autor, em diferentes períodos, resultado: comprei cada um por cinco reais.
      Tenho uma espécie de fetiche por livros autografados para terceiros, para pessoas que não conheci. Reservo uma prateleira especialmente para essas relíquias. Há quem diga que autógrafo só tem validade em um cheque, em uma nota promissória. Outros, dizem que autografar estraga o livro, a capa do disco, e ficam chateados quando são presenteados com um livro “riscado”.
      Será que quando eu for apenas uma fotografia post mortem, quando eu deixar de existir que nem a Bahia de Jorge Amado, a minha coleção irá parar em algum sebo por cinco reais cada?

terça-feira, 7 de agosto de 2012

EMANUEL

        Depois de ler uma matéria no jornal (sim, ainda leio jornais de papel) com todo clima de celebração em torno dos setenta anos de Caetano Veloso, decidi não reavaliar a obra do cara, mas tentar organizar meus velhos discos. No entanto, cada capa, cada dedicatória, trazia uma história para revisitar. No final, acabei mais bagunçando do que arrumando.      
      Ser conterrâneo de Caetano Veloso, ao contrário do que pode aparentar, não é fácil, principalmente quando você se encontra fora do seu torrão. Quando digo que sou de Santo Amaro, quase que consigo escutar o pensamento do meu interlocutor: “Meu Deus, outro que pensa que é artista”. Mas essa lógica-preconceituosa-de-botequim não é problema, pior é ter que prestar contas de cada declaração polêmica ou regravação de axé ou funk-carioca, como se fosse eu o culpado (quem é santoamarense sabe o que estou falando). 
        


Acima, a ótima versão da banda de indie rock inglesa MAGIC NUMBERS  para o clássico "You Don’t Know Me", 
faixa do disco "A Tribute to Caetano"
      

quinta-feira, 15 de março de 2012

O PODEROSO CHEFÃO, 40 ANOS

“O Poderoso Chefão” estreou no dia 15 de março de 1972.
Hoje, queria apenas que o filme estivesse sendo exibido em um grande cinema, lugar onde nunca pude apreciar devidamente a obra de Francis Ford Coppola.
Al Pacino, Robert Duvall, James Caan, Diane Keaton, John Cazale e Marlon Brando. O clã Corleone continua influenciando e cativando muita gente.
Hoje é dia de tirar minhas camisas do armário.

THE GODFATHER - A SAGA

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

VINTE E NOVE

      Dizem que Saturno leva vinte e nove anos para percorrer sua própria órbita e voltar ao ponto exato em que se encontrava no dia do nascimento de qualquer pessoa. O Retorno de Saturno. Teoricamente, significaria o início de uma nova fase na vida, quando o indivíduo teria as rédeas do seu destino nas mãos, se desligaria do passado e construiria seu futuro.
        Mas será que essa regra vale para mim também?
     Nasci no dia 29 de fevereiro de 1976 (se tudo der certo, hoje será a nona vez que comemoro meu aniversário). Ainda não descobri nenhuma vantagem em nascer em um ano bissexto, ser  múltiplo do número 4 só faz aumentar minha solidão. Não tenho nada em minhas mãos, muito menos as rédeas do meu destino. Vivo preso ao passado e pouco espero do futuro. Se Saturno passou por mim, esqueceu de dizer um olá.
       Talvez ele tenha deixado para passar por mim em 2092, no meu 29º aniversário, embora eu acredite que não viverei tanto para saber.
        Às vezes eu acho que tenho realmente nove anos. 


Livremente inspirado na canção
"Vinte e Nove" (Renato Russo, 1993) 

terça-feira, 10 de maio de 2011

QUINZE ANOS

        Acho que demorei uma eternidade até completar quinze anos. Minha infância parecia não ter fim e lembranças dela não me faltam. Outras pessoas me dizem o contrário, para elas a infância foi curta como um sonho bom - talvez eu tenha vivido meus primeiros anos acordado ou simplesmente me permiti ser criança o máximo que podia. Ser adulto nunca me seduziu, para isso não tive pressa.
        Meu sobrinho mais velho completará quarta-feira quinze anos, dizer que “parece que foi ontem” não é um lugar-comum inevitável, melhor seria afirmar que “parece que foi há poucos anos”. A impressão que tenho é que o tempo que ele levou para completar quinze eu levei para completar cinco.
        Na letra de “Quinze Anos (Vivendo e não Aprendendo)”, da banda paulistana IRA!, Edgard Scandurra fala sobre um homem “que se diz maduro”, “que se diz seguro”, mas quando “se apanha chorando” é como se ele voltasse a ter quinze anos, onde poderá recomeçar sorrindo. Quinze anos é o meio do caminho. Nem adulto nem criança. Certamente é quando nos sentimos mais fortes, mesmo sendo tão frágeis. É quando se abre em nossa frente um frenético leque de possibilidades, de caminhos, de escolhas, de novidades. Irônico é notarmos, muito depois, que poderíamos ter aproveitado melhor aquilo que já tínhamos aproveitado até ao final.
        Apenas após ultrapassar os quinze anos, percebi como o tempo é voraz. Agora "envelheço na cidade".

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

ANIVERSÁRIO



Envelheço sem paciência:
têm pressa, meus cabelos brancos.

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