Curiosamente, na minha infância não havia festas de aniversário, nem minhas nem de amigos nem de familiares. Ninguém. Não consigo lembrar de ter ido a nenhuma (desconheço a existência de registros fotográficos em que eu apareça ao redor de uma mesa decorada nos anos de 1980 que possam me contradizer). Vagamente, recordo a festinha de um ano de July, seu pai era funcionário da Petrobras e tinha até carro e telefone, luxos para a época, mas não fomos convidados. Em minha casa nunca teve, era apenas mais um dia comum, outra quarta-feira. O que era falta de opção, quando adulto, se tornou opção – e mesmo contrariando o desejo de pessoas queridas, e avesso a surpresas, nunca permiti que algum aniversário meu fosse comemorado. Poderia abrir uma exceção, talvez em uma efeméride como o cinquentenário, mas prefiro não correr o risco de ser parabenizado com um “feliz ciclo novo” ou que após os eternos e constrangedores "parabéns pra você" algum infortunado puxe o coro de "Herculano será abençoado...".

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