Questionado pelo parceiro e amigo Milton Primo sobre qual seria a trilha sonora para o meu próximo livro, preferi não citar apenas uma canção e preparei um verdadeiro setlist. Play enquanto o livro não vem.
01) Fuga nº 3 da Rua Nestor – Cícero
02) O Monstro do Armário – Nei Van Soria
03) Filho – Dado Villa-Lobos
04) Circo – Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta
05) Beatle George – Júpiter Apple
06) Taxi – Marcionílio
07) Noite Torta – Ney Matogrosso
08) Runaway – The National
09) Beleza de Ser – Tony Maro
10) Je T'aime Tant – Julie Delpy
11) Traumas – Roberto Carlos
12) Papel de Bandido – Marcelo Nova
13) Velho Pai – Dialética
14) A Volta de Xanduzinha – Jussara Silveira
15) Melhor – Wado
16) Come Share my Life – Legião Urbana
segunda-feira, 31 de março de 2014
LEIA NO VOLUME MÁXIMO
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terça-feira, 18 de março de 2014
IMPUBLICÁVEL
quinta-feira, 13 de março de 2014
BLACK IS BEAUTIFUL
Sei que não falta quem acha que é veneno, desentupidor de fossa, serial killer de lagartixas, urina de Satã, câncer liquido... Mas não consigo imaginar aquela feijoada de domingo ou um acarajé caprichado na pimenta sem uma neguinha, talvez por isso eu não entenda aquelas versões fantasiadas de Sprite que inventaram por aí (imagem acima). Agora a grande indústria promete investir numa tendência mundial: máquina de refrigerantes caseiros, o que resultaria em menos latinhas e garrafas no meio-ambiente, além do custo de fabricação e transporte. Esse mistério chamado futuro agradece.
sexta-feira, 7 de março de 2014
BINGO!
Tenho que perder essa mania de olhar para o fundo das
tampinhas de refrigerantes, como se algum personagem Disney estivesse ali, me
esperando.
terça-feira, 4 de março de 2014
UM GRITO NO MURO
é
inútil apontar
as diferenças
é
preciso buscar
as semelhanças
a
felicidade nos espera na intersecção
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
domingo, 9 de fevereiro de 2014
TODOS OS MEUS MORTOS IV
Provavelmente eu sabia que isso iria acontecer um dia, como
pais que presenteiam o filho com um casal de hamsters apenas para familiariza-lo
com o conceito de perda e poder falar sobre um paraíso celestial cheio de hamsters,
peixinhos dourados, porquinhos da índia e a vovó. Nos últimos anos, mais do que
mera rotina, a primeira coisa que eu fazia pela manhã, a primeira mesmo, era
regar meu bonsai e coloca-lo na janela durante algumas horas. Podava, trocava a
terra, colocava adubo, tinha todos os cuidados necessários. Mas em um dia,
simplesmente, tanto cuidado não adiantava mais. E aos poucos ele começou a
secar: feito o amor. Pensei em substitui-lo. Fui à floricultura, olhei as espécies
e desisti. Não daria certo. Não seria igual, sequer semelhante. Agora
ele tá abandonado na área de serviço: galhos ressequidos num vaso. Não tenho
coragem de joga-lo fora. Deveria haver um cemitério para plantas, como existem
cemitérios para animais.
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
NÚMERO PRIVADO
Não atendo chamadas telefônicas de números privados. Acho um desaforo ligar para alguém sem se identificar. No entanto, ontem recebi várias e insistentes ligações sem identificação. Fiquei incomodado. E se fosse alguém conhecido que foi assaltado, que levaram o telefone celular, que estava utilizando um telefone emprestado de um estranho, que estava em alguma delegacia da cidade registrando um boletim de ocorrências, que o único número telefônico que recordava era o meu...? E se fosse?
Em um momento pré-identificador de chamadas da história da comunicação humana, todo mundo atendia qualquer ligação em casa. O que mudou? Ligaram mais uma vez. Olhei: “não identificado”. Comecei a suar. E se fosse mesmo alguém precisando de ajuda? E se fosse? Respirei fundo. Atendi:
– Alô?!
– Senhor Herculano?
– Pois não?!
– Nós somos do Consórcio Nacional Ford e estaremos oferecendo uma oportunidade única para uma pessoa como o senhor...
(Desliguei)
Não era, realmente, alguém precisando de ajuda. Mas, e se fosse?
– Senhor Herculano?
– Pois não?!
– Nós somos do Consórcio Nacional Ford e estaremos oferecendo uma oportunidade única para uma pessoa como o senhor...
(Desliguei)
Não era, realmente, alguém precisando de ajuda. Mas, e se fosse?
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
EPÍGRAFES
epígrafes dizem mais
não se escondem
a epígrafe é você na pena do outro
é o verso certeiro
a referência
a deferência
a bênção
epígrafes são traiçoeiras
decorativas
desnecessárias
epígrafes são maledicentes
pretensiosas
tendenciosas
epígrafes são autossuficientes
epígrafes são epitáfios
não se escondem
a epígrafe é você na pena do outro
é o verso certeiro
a referência
a deferência
a bênção
epígrafes são traiçoeiras
decorativas
desnecessárias
epígrafes são maledicentes
pretensiosas
tendenciosas
epígrafes são autossuficientes
epígrafes são epitáfios
quinta-feira, 23 de janeiro de 2014
UM REAL
Final de tarde talvez seja o pior horário para encarar uma
fila de supermercado, mas tem coisas que só uma boa garrafa de Red Label na
promoção me obriga a fazer. Uma senhora está tentando pagar suas compras com
uma série de moedas e notas que busca pacientemente na bolsa, já esperei tanto
até agora, um pouco mais não fará diferença. Das cédulas surge, resplandecentemente
esmeralda, um impecável e esquecido exemplar de um real, que chama
imediatamente a atenção da operadora do caixa, que não se contem de satisfação
e mostra para a colega ao lado:
“Fulana, olha isso aqui”
“Já é minha”
“Nada, vou ficar pra mim, a dona veio no meu caixa”
Um homem que estava atrás de mim oferece dez reais pela
nota, logo o tumulto está formado. Uma mera nota de um real é disputada quase
que a tapas. Sem saber quanto tempo aquele leilão iria demorar, deixo minha
garrafa num carrinho abandonado e saio sem tentar me enfurecer. Acho que ainda
tenho um resto de Ciroc na geladeira.
domingo, 19 de janeiro de 2014
TUDO QUE EU TENTEI FALHOU
Tudo que eu tentei falhou:
Sapatênis, bandana, sunga dos states, suspensório, relacionamento aberto, fechado, ménage à trois, suruba psicodélica, abstinência do uso de drogas seguido da suspensão da abstinência, paraíso, purgatório, inferno, Rua Augusta, cavanhaque, bigode, moicano, dreadlock, faixinha no cabelo, sorriso faceiro, chinelo de couro, Rexona, Avanço, Leite de Rosas, Minâncora nas axilas, educação física, Educação Moral e Cívica, direito, zootecnia, papai-mamãe, coelhinho da páscoa, self-service, bandejão, rastafári, capoeira, natação, hidroginástica, relacionamento sério, encontro de adolescentes com Cristo, encontro de casais com Cristo, CVV, Caldas Novas, Guarapari, bandão, retiro espiritual, orgia, shampoo de jaborandi, florais de bach, própolis, paraquedas, bungee jump, psicanálise, macrobiótica, caminhada, jogo de bingo, roleta russa, sadomasoquismo
Tudo que eu tentei falhou.
Tudo que eu tentei falhou.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
RUPESTRE MODERNO
Acho que foi José Saramago quem condenou a tendência para o uso do monossílabo como forma de comunicação virtual, o que nos levaria, gradativamente, de volta ao grunhido. Podando o pessimismo da previsão, e sem resvalar no fascínio gratuito de Caetano Veloso pela moçada que transformou “cê” em pronome, creio que estamos caminhando para o fim da linguagem escrita como conhecemos. Com o advento do WhatsApp e outros aplicativos tecnológicos, tornou-se desnecessário escrever: é demorado, cansativo, complicado, démodé. Afinal, é possível simplesmente enviar uma mensagem de voz, um simpático símbolo ou uma divertida imagem. Escrever, realmente, apenas para designar o silêncio.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
ON THE ROAD
Sei que é um momento importante, praticamente um rito de passagem, apenas por isso continuem me convidando para festas de formatura, mas, por favor, não permitam que toquem novamente “Na Estrada”, da banda Cidade Negra, aquela que diz “você não sabe o quanto eu caminhei pra chegar até aqui”. Além dela já se encontrar mais desgastada que a canção de final de ano da Rede Globo, entendo como uma afronta, uma grande mentira, se você for filho de uma família bem sucedida financeiramente, que estudou nas melhores escolas, que cresceu inocentemente entre os muros do condomínio fechado, que teve professores particulares, motorista e outra meia dúzia de serviçais diligentes ao seu dispor, que viu sua cidade da janela do carro blindado, mas caminhou alegremente pelas vias europeias e norte-americanas, que teve uma mesada maior que boa parte dos salários pagos no país e que acredita que “faltar” é apenas um verbo. Eu não sei o quanto você caminhou para chegar até aqui, e prefiro continuar não sabendo
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
NEVE SOBRE OS CEDROS
─ Lá em casa tratamos nossa “secretária” como se fosse da família.
Não sei por que, mas alguns eufemismos soam tão estridentes aos meus ouvidos. “Secretária”, ao invés de empregada, é um deles, assim como C.A. no lugar de câncer ou “pessoa” no lugar de namorado(a).
─ Inclusive, ela come a mesma comida que a gente, viu?!
Por pura pirraça, perguntei qual era o papel higiênico que a família destinava à “secretária”.
─ Um mais normalzinho.
Nem lhe presenteei com meu olhar de reprovação, para mim uma conversa boba que nem deveria ter começado já tinha terminado, ainda assim ela treplicou:
─ Cê não queria que a gente colocasse Neve nas dependências, né?!
(...)
Parece anedota, mas infelizmente tive esse papo.
Maldita mesa de bar.
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
JORGE + 100
O Centro Histórico de Salvador abrigará de 10 a 13 de dezembro um evento literário que vai discutir a Literatura que se faz hoje na Bahia, tendo como referência o mais famoso dos escritores baianos: Jorge Amado. O “Jorge + 100” é uma iniciativa patrocinada pelos Correios, com realização do Ministério da Cultura, apoio da Fundação Casa de Jorge Amado e organização da produtora Canto de Ideias. O encontro será no Centro Cultural dos Correios, no Largo do Cruzeiro do São Francisco, Pelourinho, com acesso gratuito ao público até a capacidade máxima do auditório. O Jorge +100 reunirá diversos escritores e especialistas que debaterão sobre as obras ficcionais atuais e os temas relacionados, que vão desde as ruas de Salvador como inspiração à baianidade da população e influência da capital nos trabalhos dos autores locais. Estão confirmadas as participações de nomes de destaque no cenário nacional, como o baiano Antônio Torres, recém-eleito para a Academia Brasileira de Letras, Liv Sovik, pesquisadora de temas multiculturais, e a atriz e poeta Elisa Lucinda, além do escritor santoamarense Herculano Neto.
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