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segunda-feira, 31 de março de 2014

LEIA NO VOLUME MÁXIMO

Questionado pelo parceiro e amigo Milton Primo sobre qual seria a trilha sonora para o meu próximo livro, preferi não citar apenas uma canção e preparei um verdadeiro setlist. Play enquanto o livro não vem.

01) Fuga nº 3 da Rua Nestor – Cícero
02) O Monstro do Armário – Nei Van Soria
03) Filho – Dado Villa-Lobos
04) Circo – Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta
05) Beatle George – Júpiter Apple
06) Taxi – Marcionílio
07) Noite Torta – Ney Matogrosso
08) Runaway – The National
09) Beleza de Ser – Tony Maro
10) Je T'aime Tant – Julie Delpy
11) Traumas – Roberto Carlos
12) Papel de Bandido – Marcelo Nova
13) Velho Pai – Dialética
14) A Volta de Xanduzinha – Jussara Silveira
15) Melhor – Wado
16) Come Share my Life – Legião Urbana

terça-feira, 1 de novembro de 2011

NO LAPA/BARRA

— Vai ter a gravação de um programa de axé no colégio.
— Tô sabendo, mas só poderão participar os alunos que têm as melhores notas.
— Muito injusto isso, nada a ver.
— Por que? Suas notas estão ruins?
— Também, mas a injustiça é que os alunos com as melhores notas não gostam de axé.



* Flashes cotidianos que não me incomodam, durante minhas viagens de buzu, afinal, nunca se sabe quando um Hitchcock poderá sentar-se ao seu lado;
** Na imagem, célebre aparição do diretor Alfred Hitchcok em “Ladrão de Casaca” (To Catch a Thief, 1955), ao lado do astro Cary Grant;
*** Buzu = Ônibus

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

TEM PAI QUE É CEGO

          O termo axé music foi cunhado pejorativamente pelo crítico musical Hagamenon Brito, em 1987, para designar a música para dançar produzida na Bahia naquela época e foi ingenuamente adotado pela mídia local. A palavra axé é derivada do yorúbá e quer dizer força; music é um mero cognato inglês que não agrega valores, apenas expõe nosso espírito de colonizado, talvez o afã de soar tão universal e palatável como a soul music ou a black music tenha sido mais forte que o axé. Um dos seus precursores, o cantor e compositor Luiz Caldas, num artigo publicado pela impressa soteropolitana, reivindica com unhas e dentes o título de criador de axé music (o ritmo) munido de documentos e datas, só faltando pedir um teste de DNA – assemelhando-se ao pai que desconhecia a paternidade e agora tenta recuperar o amor do filho em uma dessas novelas da tv. Quando fazemos algo errado primeiramente pensamos em negar, mesmo que não o façamos, é instintivo. Já Luiz Caldas sai por aí apregoando: Fui eu! Fui eu! (exibindo orgulhosamente a mão amarela).
           Depois que o filho tanto procriou, gerando uma famigerada indústria que engloba cantoras padronizadas, cantores anabolizados, coreografias constrangedoras e a privatização do carnaval, pouco importa quem colocou a criatura no mundo, isso é irrelevante.
            Não quero saber quem sujou, quero que limpem.

quinta-feira, 5 de março de 2009

CADÊ A DALILA, MORAL?

Não sou um misantropo que assiste à vida e à banda passar, mas é quase impossível manter-se indiferente (com dificuldade apenas a pose) ao carnaval. Moro em Salvador praticamente no intitulado “circuito da folia” e se pela tv é um belo espetáculo é porque não há cheiros nem insegurança. Pouco me convence aqueles que dizem que vão para a avenida em busca de bocas ansiosas ou as teorias apaixonadas e antropofágicas do senhor Caetano Veloso. Carnaval para mim não passa de mais um feriado. Durante os festejos ouvi à revelia, e sem reclamar, Ivete Sangalo e sua Dalila incessantemente, e não adianta argumentar que música de carnaval é somente mera diversão no melhor estilo “eu me remexo muito” de Madasgacar - meu bom senso não costuma requebrar. No entanto o carnaval já terminou e continuo ouvindo Dalila por todo lado: de nome de recém-nascido a batismo de virose. Um amigo me disse numa conversa de bar que Dalila era gíria para droga e que “vá buscar Dalila ligeiro” nada mais era do que o sujeito na bruxa mandando alguém fazer um avião. Sei que conversa de bar não se leva pra casa, porém na última semana ao ouvir no ônibus um indivíduo mais do que mal encarado perguntar para outro idem “cadê a dalila, moral?” já não estou bem certo.
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