Mostrando postagens com marcador Artigo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Artigo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de março de 2012

MORRISSEY, HECTOR E UMA ESCOLHA PARA O FIM DO MUNDO

(...) “First of the Gang To Die” é o segundo single de “You Are the Quarry”, de 2004, disco que interrompeu, em grande estilo, um hiato de sete anos sem gravar, e acabou se tornando a preferida de muitos admiradores de Morrissey (embora ela já fosse conhecida desde 2002). A letra romantiza a trajetória de Hector, um jovem imigrante latino que é o primeiro da gangue a ter uma arma, o primeiro a ser preso e o primeiro a morrer. Sua melodia alegre não disfarça completamente a dolorida tragédia urbana de um jovem que é baleado na garganta, desses que cotidianamente fazem a alegria da imprensa marrom. Apesar de indevidamente precoce, Hector não passava de um garotinho tolo, um ladrãozinho barato que roubava ricos e pobres sem distinção, e que arrebatava muitos corações. Talvez o público sul-americano tenha, naturalmente, se identificado com as desventuras desse anti-herói latino (...)

LEIA O ARTIGO COMPLETO NA REVISTA ELETRÔNICA VERBO 21



No vídeo, as três primeiras canções do show de Morrissey em São Paulo,  11 de março de 2012, "First of the Gang to Die", "You Have Killed Me" e "Black Cloud"

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A MORENA DE MARCELO CAMELO

      (...)
     No trabalho de estreia do compositor Marcelo Camelo, com a banda Los Hermanos em 1999, o termo que amiúde norteava suas composições era um indefinido “outro alguém”, mesmo já sinalizando nesse primeiro momento um namoro com o cancioneiro nacional mais antigo, fosse na forma poética de canções como AZEDUME (sei que um dia a rosa da amargura/ fenecerá em razão de um sorriso teu) ou nos arlequins e colombinas de PIERROT.  Depois, num rápido e surpreendente amadurecimento musical, um diálogo que aparentava adquirir força se insinuou com a gíria “cara”, que foi “valente”, foi “estranho”, foi tranquilo (de onde vem a calma/ daquele cara?) mas que logo se desanuviou. No entanto, foi a “moça” de ALÉM DO QUE SE VÊ que saltou aos ouvidos em seu terceiro e mais representativo trabalho, VENTURA, em 2003. O uso da palavra “moça”, ainda que carregue uma suposta ingenuidade, um bucolismo, em oposição à “morena”, que é muito mais lasciva, provocativa, e que poderia muito bem dar lugar a esta, não afetando significativamente a linha melódica ou o sentido da canção (Moça, olha só o que eu te escrevi), era algo muito diferente do que vinha sendo feito no machista mundo do rock até então. Não era uma garota, uma menina, uma “gata” ou uma mulher, era simplesmente uma “moça”, que soava inusitado e, ao mesmo tempo, natural - mais tarde, essa “moça” reapareceria nas faixas TUDO PASSA  e  MENINA BORDADA, do seu début solo (SOU/ NÓS), em 2008.
          Apenas no quarto e derradeiro disco da banda, em 2005, a “morena” surgiria realmente, não faceira como outrora, mas melancólica, introspectiva, decorativa.
          É possível que a “morena” que habita o imaginário de Marcelo Camelo não seja assim tão folclórica, tão arraigada de simbolismos. É possível que a sua “morena” vá além da cor da pele, que  não seja como as cabrochas das canções do Luiz Gonzaga, que seja uma companheira silente, que nem saiba sambar, que nem seja morena (...)

Related Posts with Thumbnails