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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

NESTE DOIS DE FEVEREIRO

  Duvido de quase tudo, 
mas acredito em Pierre Verger e em Carybé.

Ilustrações dos livros Carybé & Verger - Gente da Bahia e 
Carybé, Verger e Caymmi - Mar da Bahia

"Havia rosas no mar,
havia ondas na areia".
                                           Otto





terça-feira, 6 de outubro de 2009

NOTAS DE UM POEMA

O primeiro poema que consegui escrever em Salvador foi “lembranças de donzelas do tempo do Imperador”, algum tempo depois de ter me mudado, tomando emprestado como título um verso de uma canção de 1941 de Dorival Caymmi, “Você Já Foi à Bahia” (recurso semelhante utilizado por Caetano Veloso em “Terra”). Na canção, Caymmi exalta uma Salvador idealizada, nostálgica, quase folclórica; um convite à uma cidade que só conheci em cartões-postais. Em 2008 o poema fez parte do livro “CINEMA”, Prêmio Braskem Cultura e Arte, recentemente alguém apontou um parentesco com o “Poema do Beco”, de 1933, de Manuel Bandeira, que se existe não foi intencional. Enquanto Bandeira se solidarizava com a gente humilde do Rio de Janeiro, meus versos apenas expressavam o descontentamento e a solitude.

“lembranças de donzelas
do tempo do Imperador”

Herculano Neto

da janela do meu apartamento
vejo outras janelas de apartamento
janelas fechadas
cortinas
um muro
aviões

da janela do meu apartamento
eu não vejo a Bahia.

***

Poema do Beco
Manuel Bandeira

Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?
- O que eu vejo é o beco.


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