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terça-feira, 2 de agosto de 2011

A BELA TRISTEZA DE LÉA SEYDOUX

        Curiosamente, muitos comentários recebidos pela série FRAGMENTOS DE UM ROMANCE QUE NUNCA EXISTIU faziam referência à modelo que ilustrava as postagens: a atriz francesa Léa Seydoux. Não me incomodou o fato dela ter chamado mais atenção do que os textos, taí uma disputa que eu não fazia a menor questão de vencer.
        Sempre quis utilizar (e ainda quero) a imagem de Lauren Bacall no blogue, mas para esse universo essencialmente urbano, melancólico e reflexivo, tão agora, uma diva noir, uma femme fatale, não seria muito adequado. Léa Seydoux não foi uma escolha premeditada, aconteceu naturalmente. Gosto da empatia que ela tem com as câmeras, de não parecer que é feita de plástico, inatingível, de parecer com alguém que realmente existe, com todos os seus dramas e alegrias.
         Considero belíssima a sua tristeza.
        Léa Seydoux se destacou no filme A BELA JUNIE (La Belle Personne, 2008) de Christophe Honoré, onde interpretou a enigmática personagem título que despertava o interesse do seu professor, Louis Garrel. No ano seguinte, participou da produção de Quentin Tarantino, BASTARDOS INGLÓRIOS, na extraordinária sequência de abertura, ao lado de Christoph Waltz. Atuou, também, em ROBIN HOOD, de Ridley Scott e este ano encantou em MEIA-NOITE EM PARIS, de Woody Allen, interpretando a doce Gabrielle. Em breve, marcará presença no novo MISSÃO: IMPOSSÍVEL (Ghost Protocol), quando, certamente, ganhará um número ainda maior de admiradores.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

WOODY ALLEN: 75 ANOS

 “Só há um tipo de amor que dura, o não correspondido”.
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75 anos de Woody Allen 
e minha lista dos seus filmes que mais admiro:

ANNIE HALL (1977)
MANHATTAN (1979)
MEMÓRIAS (1980)
ZELIG (1983)
HANNAH E SUAS IRMÃS (1986)
DESCONSTRUINDO HARRY (1997)
MATCH POINT (2005)

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O ESPELHO PARTIDO


          Frequentemente, me identifico com algum personagem cinematográfico, principalmente em filmes de diretores que admiro. Também é comum alguém me dizer que determinado filme é a minha cara – embora ser comparado a Hannibal Lecter (de “O Silêncio dos Inocentes”) ou Tyler Durden (de “Clube da Luta”) não seja exatamente algo lisonjeiro.
          Às vezes, posto no meu perfil a imagem de um desses personagens, dependendo de como eu esteja me sentindo no momento. Recentemente me perguntaram porque eu tinha colocado o assassino psicótico Anton Chigurh (interpretado por Javier Bardem em “Onde os Fracos Não Têm vez”) na foto do meu perfil, respondi apenas que seria melhor nem saber.
          Como de praxe, quis listar os cinco personagens com os quais eu mais me identifico e surpreendentemente não me deparei com nenhum galã ou herói. Inconscientemente, os tipos selecionados eram bem díspares. Concluí, ainda, que seria impossível alguém realmente compreender quem eu sou a partir dessa lista, mas para quem quiser tentar:

1 – Bruno Ricci (Enzo Staiola em “Ladrões de Bicicletas”)
2 – Joe Buck (Jon Voight em “Midnight Cowboy”)
3 – Alvy Singer (Woody Allen em “Annie Hall”)
4 – Travis Bickle (Robert De Niro em “Taxi Driver”)
5 – Carl Fredricksen (o velhinho misantropo de “Up”)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

VICKY CRISTINA BARCELONA (2008)

Tenho uma camiseta branca com a imagem de Woody Allen estampada em silk screen – simples, casual e barata. Dizem que a roupa comunica, mas nunca quis nem pretendo dizer nada a ninguém com o que visto, no entanto sempre que ponho a “camisa de Woody Allen” inevitavelmente aparece alguém, estranho ou não, disposto a iniciar algum diálogo sobre o diretor, com comentários que vão dos seus filmes a detalhes excêntricos de sua vida que desconheço e prefiro continuar desconhecendo. Com a finalidade de fugir de embaraços e constrangimentos passei a usar a camiseta por baixo de uma velha jaqueta, que era estrategicamente fechada até o pescoço ao menor sinal de perigo; porém vivendo no calor de uma cidade como Salvador não fica difícil imaginar meu insucesso. Para me livrar desses interlocutores na fila de pagamento das Lojas Americanas ou na mesa do bar cunhei o pouco inspirado aforismo: É um Woody Allen menor - que dito com extrema indiferença ganha um poder irritante de fim de papo. Sendo um diretor com uma obra tão extensa é natural que haja momentos menos inspirados, o que não é nenhum demérito numa filmografia que inclui ANNIE HALL (1977), MEMÓRIAS (1980), HANNAH E SUAS IRMÃS (1986), CRIMES E PECADOS (1989), MARIDOS E ESPOSAS (1992) e MATCH POINT (2005); é possível que eu inclua em breve nessa lista VICKY CRISTINA BARCELONA (2008), que se não é excelente como apregoam por aí, também está longe da categoria “Woody Allen menor” – e que já é certamente a melhor película de Pedro Almodóvar dos últimos anos. Enquanto isso continuarei usando a camiseta sem receios, agora mais gasta e com uma pequena mancha de ferrugem na altura do umbigo.
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