Com o passar do tempo, e a adaptação à nova realidade, essas visitas foram se tornando cada vez mais esporádicas. Para alívio de uns e angústia de outros. Santo Amaro, como muitas cidades do interior, possui suas idiossincrasias e lógica própria; um microcosmo onde poucos são convidados a interagir (e os que tentam confrontam-se com a maledicência e a presunção).
Recentemente me deparei com uma cidade silenciosa, com jeito de fim de festa. O gosto e o cheiro da ressaca ainda estavam lá, mesmo sendo quarta-feira. O calor batia no deserto de suas ruas e resvalava furiosamente no meu rosto, em muito lembrando a cidade fantasma de um antigo faroeste, faltando para completar o quadro apenas o monte de feno cruzando a avenida (cenário digno de Raul Seixas em “O DIA EM QUE A TERRA PAROU”). Tentei recordar como era a vida quando eu morava ali, porém não obtive sucesso. Por mais que eu escarafunchasse nas gavetas da memória só encontrei polaroids desbotadas. Melhor assim, não poderia, levianamente, me justificar na nostalgia.
Não sei se mudei ou se a cidade mudou, só sei que também me senti vazio.