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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

POR QUE EU NÃO CONSIGO GOSTAR DO UFC?

         UFC (Ultimate Fighting Championship) é um torneio de artes marciais mistas, mais conhecido pela sigla em inglês MMA, uma sensação mundial que caminha para algo além do simples fenômeno de entretenimento. Há quem diga que em breve será, se já não for, o segundo esporte mais popular do Brasil (o que deve explicar a presença de Felipe Melo na última Copa do Mundo de futebol).
          90% do tempo que desperdiço na frente da TV é dedicado à programação esportiva (até de rugby eu gosto), no entanto não consigo simpatizar com o UFC. Já tentei, juro. Cheguei a gravar um documentário onde apresentavam a história, as regras, os ídolos, mas me distraí completamente quando começaram a falar sobre o octógono: imediatamente passei a recordar a professora Yêda, no antigo Polivalente de Santo Amaro, e os seus enormes compassos e esquadros de madeira constantemente sujos com pó de giz. Outro dia, fui parar num bar onde exibiam as lutas no canal de pay per view, e a atenção e gritaria dos homens, e também das mulheres, eram impressionantes. Não direi que assemelhava-se à plateia das arenas que assistia entusiasmada à barbárie dos gladiadores porque nunca estive na Roma Antiga (não que eu me lembre), mas já vi algo similar nas rinhas de galos. Pedi um Campari e uma soda, com muita dificuldade, e fui embora pouco depois.
          Todo esse interesse parece, simbolicamente, querer resgatar a masculinidade perdida nas últimas décadas, num exemplo máximo de virilidade (mesmo que meu preconceito não compreenda como sendo muito másculo, e hétero, dois musculosos se agarrando). Se era para reunir um grupo de homens urrando e bebendo cerveja, melhor seria colocar duas turbinadas usando biquíni e lutando num tablado de lama, mas não seria suficiente, faltaria testosterona, reduziria o esporte a mero fetiche.
          Não quero posar de moralista, de ofendido, que considera o evento muito violento e deseducador. Imagino que a essa altura alguém já deve ter pensado que violento são os noticiários policiais, o trânsito, o centro da cidade, o dia... Sei que o UFC possui regras seguras para os seus praticantes e que qualquer partida do campeonato brasileiro de futebol é muito mais perigosa para os jogadores (e para a torcida), só que como modalidade esportiva não me seduz. Conheço esotéricos, intelectuais, feministas, homossexuais e evangélicos que adoram esse esporte, por que não eu? Será por que eu não brincava de lutar durante a infância? Por que eu sofria bullying? Por que eu desprezava os filmes de ação que ainda hoje fazem sucesso, embora a maioria estreie diretamente em home vídeo? Por que eu sou metido a besta? Na verdade, não sei porque não gosto do UFC, talvez seja simplesmente ciúme: quando esse assunto chega à mesa do bar todos se animam e a conversa se torna monotemática; sobrepondo-se, inclusive, à vida alheia, futebol, mulheres e política (nessa ordem). O que me deixa silenciosamente deslocado.
          O próximo sábado poderia ser uma boa oportunidade para eu me transformar no mais novo entusiasta das artes marciais mistas, porém prefiro não arriscar, provavelmente haverá alguma reprise do Bob Esponja em outro canal.
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