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domingo, 3 de abril de 2011

NADA PESSOAL

O cinema é a minha igreja. Acho que por isso eu não frequente as salas de cinema dos shopping centers (onde muitas pessoas entram na fila para comprar o ingresso sem sequer saber o que está sendo exibido, onde vendem gigantescos combos de pipoca e refrigerante, onde tagarelam livremente, com seus cúmplices ou nos famigerados telefones celulares). O cinema é a minha igreja, e eu sou fiel e carola.
        Cinema é um espaço público, mas alguém sentar ao seu lado e roubar sua atenção com conversas ou “namorando” ou roncando ou colocando os pés na cadeira ou mastigando é muito mais que deselegante.  Sei que  a venda de guloseimas é responsável por parte significativa dos lucros de um cinema, mas não consigo imaginar alguém comendo pipoca ao assistir BIUTIFUL, EM UM MUNDO MELHOR ou INCÊNDIOS, apenas para citar produções recentes e que foram indicadas ao Oscar de filme estrangeiro – ou o apetite iria embora ou a indigestão seria certa. Quero sempre acreditar no bom senso alheio, na sensibilidade e educação, sem ter que apelar para medidas radicais, como fazem algumas salas que não permitem o acesso às áreas de exibição portando alimentos de qualquer natureza. Mas nem sempre é possível.
        Quem vai ao cinema no shopping center não gosta de cinema, gosta de shopping center. E eu odeio shopping center – embora, eu saiba, que há pessoas sérias que frequentam estes cinemas por falta de opção.
        Cinema não é teatro (alguém já disse), mas deveria ser respeitado igualmente.
        Com o constante fechamento das salas do circuito de arte nas grandes cidades, está cada vez mais complicado usufruir de uma boa sessão, sem inconvenientes. Não quero baixar meus lançamentos preferidos e me isolar  em casa (como fazem alguns), quero apenas que haja espaço para todos.
        Portanto, não se ofendam, nem me desejem mal, o casal apaixonado ou os garotos falastrões do Sartre Coc, que se sentaram ao meu lado no cinema e foram, gentilmente, convidados a se retirar. Nada pessoal.

NADA PESSOAL II

Cinema é a bola da vez, definitivamente. Muitos têm pressa para emitir suas opiniões, mas pouco tempo para ver, realmente, bons filmes. Blogs voltados para as produções cinematográficas se proliferam em espantosa velocidade, parece que o cinema nunca esteve tão em voga ou nunca soou tão cool o adjetivo “cinéfilo”. Poderia até ser um fenômeno admirável, caso as obras analisadas não se restringissem, simplesmente, aos filmes em cartaz – como se fossem, esses novos críticos, redatores dos suplementos culturais dos jornais. Pior, ainda, é a superficialidade da abordagem da maioria desses blogs, quase uma extensão dos comentários infelizes que se ouve na saída do cinema.
          Curiosamente, após fazer a leitura da resenha do mesmo filme em vários blogs diferentes, ficou evidente a repetição do tom, da forma, da percepção, como se todos tivessem entendido, e sentido, o filme de igual maneira. Impossível? Não seria se muitas frases utilizadas não fossem idênticas, com alguma inversão e troca de sinônimos aqui e ali, muitas vezes reproduzindo o conteúdo dos sites especializados – exclusivo, apenas, o criativo título da postagem (quando querem soar originais, as postagens se tornam sinopses estendidas recheadas de spoilers). Outra característica é a preferência pelas produções americanas, enquanto o bom cinema independente é solenemente desprezado, tal qual as produções latinas, asiáticas e europeias, sem mencionar os clássicos – provavelmente porque elas não são exibidas nas modernosas salas do shopping center. De quando em vez, o cinema nacional é lembrado, geralmente com algum exemplar do momento, um legítimo made in Globo Filmes. Nada tenho contra as produções dos EUA, sei que lá estão grandes profissionais, de toda parte do mundo, e os grandes investimentos, mas se esses blogueiros conhecessem, ao menos, diretores norte-americanos em atividade como Hal Hartley ou Todd Solondz... Sei, também, que há meia dúzia de cinco blogs interessantes do gênero, mas correm o risco de se perder no meio de tanta inutilidade.
          Portanto, não se ofendam, nem me desejem mal, devoradores de pipoca anônimos, adoradores de blockbusters, hollywood-maníacos e hypes em geral. Nada pessoal.

quarta-feira, 25 de março de 2009

CINEMA DE SHOPPING


Definitivamente, quem vai ao cinema no shopping não vai ao cinema, vai ao shopping e passa pelo cinema como se passasse em mais uma loja. Ainda na fila é perceptível a desinformação e durante a sessão é evidente o desinteresse.
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