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segunda-feira, 17 de maio de 2010

PROFISSÃO: ESCRITOR


          O apresentador Serginho Groisman, recentemente em seu programa, ao receber um livro de um convidado indagou:
           - E além de escrever você faz o quê?
           A pergunta não causou estranhamento, soou com naturalidade tanto para a plateia quanto para o entrevistado (que não se constrangeu ao dizer sua formação). No entanto foi o suficiente para afugentar o que ainda me restava de sono. Fiquei a pensar que a pergunta, apesar da aparência, não era corriqueira nem simplista. Era emblemática. Carregava uma série de preconceitos e descasos culturais históricos. Se o convidado fosse um filatelista, adestrador, exorcista, deputado, surfista, luthier, enxadrista, enófilo ou uma celebridade instantânea não haveria nenhum tipo de questionamento. Tudo por aqui é plausível, menos escrever. Num país onde quase não se lê escrever é encarado como um hobby, uma desocupação; é praticamente uma excentricidade. Lamentável que formadores de opinião também tenham essa opinião (melhor que o epíteto do programa fosse “vida conveniente na madrugada”). Escritor no Brasil não é profissão, eu sei - é qualidade.


(Publicado no jornal A TARDE, Salvador_Ba, edição nº 33.275, ano 98, de 16/05/2010)
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