Caetano Veloso costuma dizer que não queria ter saído de Santo Amaro, é natural duvidar dele do alto da sua cobertura no Leblon – eu duvidaria. Mas para quem é obrigado, pelas circunstâncias, a abandonar seu torrão natal sabe que essa afirmação é impregnada de sentimentos. Do mesmo modo eu não queria ter saído, no entanto todas as tentativas de permanência deram n’água. História semelhante se repetiu com meus amigos, praticamente todos se retiraram também. Há os que conseguiram ficar (ou não conseguiram sair). Acredito que permanecer seja mais doloroso do que ir embora, caminhar pelas ruas em que morávamos, lugares em que nos encontrávamos, e saber que não estaremos ali, apenas lembranças como ectoplasmas a nos assombrar, não deve ser nada fácil. Minhas escolhas acabaram me levando para longe da cidade, gosto de fantasiar que em uma realidade alternativa, onde fiz outras escolhas na vida, eu ainda more lá e tenha me casado com a namorada da escola, trabalhe numa agência bancária ou comércio local, frequente as novenas de janeiro e passe os finais de semana em uma casa financiada pelo Banco do Brasil na praia de Itapema imaginando como teria sido minha vida se eu tivesse partido.

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