quarta-feira, 25 de novembro de 2015

ESCREVER PARA DIZER QUE NÃO VOU ESCREVER: MEU ÚLTIMO E INEVITÁVEL PARADOXO



Tenho pensado seriamente em pendurar as chuteiras, abandonar as canetas, deixar o gramado literário sob os apupos da torcida adversária. Aposentar-me, não tenho dúvidas, seria minha decisão mais sensata em anos. 

Meu desinteresse é cada vez mais crescente. Ando sem paciência para o mercado, para editoras que se proliferam e livrarias que fecham as portas. Sem paciência para o Do It Yourself dos que querem publicar, mas não querem escrever; dos que querem escrever, mas não querem ler. Sem paciência para noite de autógrafos com uma claque de escritores (os mesmos escritores) que necessitam ser lembrados. Sem paciência para troca de gentilezas em suplementos culturais. Sem paciência para mesas literárias abarrotadas de egos que não economizam na frase feita. Sem paciência para a pose da foto e o release cabotino do marketing pessoal. 

Possuo uma prateleira apenas com obras que ainda não foram lidas, dedicarei minha aposentadoria a ela. Num cenário onde faltam leitores e sobram escritores, talvez seja esse o meu melhor lugar: na plateia. 

Quem sabe, numa dessas recaídas provocadas por um verso que teima em habitar o papel, eu escreva um poema e envie por Whatsapp... Para um contato que não existe mais.

2 comentários:

  1. hum... DEUS usa quem e o que que para nos avisar que aquelacoisinha lá dentro dizendo "Não" é não mesmo.

    num é ki sem procurar encontrei a resposta para minha indagação?

    Eclesiastes 12.12

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