quarta-feira, 27 de agosto de 2014

OS MISSIVISTAS

Um amigo escritor iniciou um papo contra as mídias digitais, alegou que tudo é muito veloz, fútil, desnecessário; que não se documenta mais nada, que tudo se perde no oceano da web; que se abandonar sua caixa de entrada por algum tempo tudo é excluído automaticamente; que muitas biografias se fundamentam, principalmente, pela correspondência trocada pelo biografado... Enfim, toda uma ladainha preambular para propor que trocássemos cartas nos moldes tradicionais: papel, caneta, envelope e selo. Argumentou que poderíamos expor, sem medo da censura do nosso tempo, todas as nossas mais reprimidas ideias e que talvez o futuro nos agraciasse com a publicação dessa correspondência, como Mário de Andrade e Carlos Drummond. Prosseguiu, entusiasmadamente, que Fulano e Beltrano, dois conhecidos escritores locais, já faziam isso há alguns anos. Com muito tato e elegância, declinei do convite. Ele pareceu não se importar com a minha recusa, confessou que tinha convidado, através do Feicebuque, uma jovem escritora ascendente, mas ela ainda não havia respondido.

12 comentários:

  1. Não vejo as mídias atuais com tal radicalismo ... os tempos são outros queiramos ou não e tudo é só uma mudança de paradígmas o que, nnormalmente, nos causa estranheza e insegurança ...

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  2. É, creio que Ele convidou a escritora pelo feicebuque(risos), por ainda não ter posse do endereço postal da mesma...

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  3. Respostas
    1. Depois da campanha eleitoral, talvez. Sem paciência para cabos eleitorais virtuais.

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    2. Talvez uma porra. Obrigatório para o Oscar 2015.

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  4. A NET tem as suas vantagens! Mas atenção tem ainda mais ratoeiras!!! Há que saber gerir estes dois pratos da mesma balança. Um abraço

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  5. Um pouco irônica, a situação.
    No começo do ano, recebi de um também "escritor ascendente" (creio que não seu amigo, porque sou escritora de gaveta) igual convite: troca de cartas. O sujeito até disse que pretendia em breve abandonar todas as webs e colocar em um site o número de sua caixa postal (correios) para responder as cartas aos fãs daquele modo antigo.

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  6. Gosto do papel, do seu toque e não abandono este formato.

    Na WEB está tudo a um passo, mas quanta coisa se perde ou se ignora.

    Gosto do correio e receber missivas, sempre gostei.

    Uma bela reflexão.

    Beijinhos
    .

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  7. abençoada net, abençoado word.....abençoado teclado

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  8. Fugiu do face, hein? Olha, eu já lamentei tanto não mandar e nem mais receber cartas...Mas, de verdade, acho que não teria mais paciência não...rs

    Beijos, Herculano. Estou atrasada com tudo na minha vida: seu livro, outros livros, meu blogue, outros blogues, isso só na superfície: mais profundamente, outros atrasos cruciais.

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  9. Olá, Herculano! Gosto do perfume e textura das cartas de papel, da surpresa na caixa do correio, mas aí a abandonar as mídias... se nem seu amigo conseguiu, quem dirá, eu. Um abraço!

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  10. Apesar de estar praticamente em desuso a carta em papel, não vejo mal algum na sua beleza, tal como não vejo num postal que se compra, escreve umas linhas, coloca um selo e envia... A net não tem o mínimo de romantismo que as cartas têm, com o cheiro, o peso, o papel, a textura, o selo... mas há lugar para ambas, sendo a net obviamente um local diferente, muito mais prático no imediatismo e no instantâneo, cabendo a cada um de nós usar os meios que entender conforme a situação em quês e encontra...

    Se me apetece estar tranquilo e calmo, não vou até um centro comercial, mas o facto de poder ir a um parque ou um lago ou um sítio agradável e convidativo, nao me impede também de procurar o reboliço das catedrais do consumo se me apetecer muito conviver ou procurar coisas de imediato...

    Abraço

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