domingo, 9 de fevereiro de 2014

“FUNERAL PARA UM AMIGO”


Provavelmente eu sabia que isso iria acontecer um dia, como pais que presenteiam o filho com um casal de hamsters apenas para familiariza-lo com o conceito de perda e poder falar sobre um paraíso celestial cheio de hamsters, peixinhos dourados, porquinhos da índia e a vovó. Nos últimos anos, mais do que mera rotina, a primeira coisa que eu fazia pela manhã, a primeira mesmo, era regar meu bonsai e coloca-lo na janela durante algumas horas. Podava, trocava a terra, colocava adubo, tinha todos os cuidados necessários. Mas em um dia, simplesmente, tanto cuidado não adiantava mais. E aos poucos ele começou a secar: feito o amor. Pensei em substitui-lo. Fui à floricultura, olhei as espécies e desisti. Não daria certo. Não seria igual, sequer semelhante. Agora ele tá abandonado na área de serviço: galhos ressequidos num vaso. Não tenho coragem de joga-lo fora. Deveria haver um cemitério para plantas, como existem cemitérios para animais.

8 comentários:

  1. Você conhece a origem da palavra "bonsai"? Está lá na Mina...

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  2. Sempre afiado, e eu achando que tinha morrido alguém.

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  3. Olá! feliz domingo.
    Então eu tenho um conceito diferente; eu acredito que não devemos desistir das coisas que nos fizeram bem por algum motivo.
    Não entendo de plantas, mas não tem uma outra forma de cuidar de sua plantinha? traze-la a ficar verdinha novamente?
    Imagine que fosse você mesmo, se o "amor" da sua vida lhe deixasse no canto da sala e fosse embora, iria desistir de viver.
    Acredito que não.
    Acredito nas possibilidades da vida, da tentativa da vida seja ela qual for.
    Fraterno abraço
    Nicinha

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  4. Tinha uma relação estranha com bonsais. Sentimentos ambivalentes. Por um lado, achava-os lindo e vinham com a esperança implícita de que eu poderia construir meu mundo protegido pela miniatura; por outro, parecia-me uma crueldade condenar uma árvore, uma planta ao ananismo. Te lendo, me vem uma revelação: bonsais quando morrem podem se tornar árvores gigantes! É só aproveitar o que sobrou e adubar outra árvore. Mas, sim, entendo o sentimento de perda. Beijos,

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  5. Olá caro Herculano Neto, comovente post...lendo me veio uma indagação comigo mesmo: será que é por isso que temo tanto em amar novamente, digo, me dar uma chance de tentar...). Acho que penso como o post, para que insistir em algo que vai morrer - divaguei rs...
    ps. Carinho respeito e abraço.

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  6. Fazia algum tempo que eu não passava aqui. Deu saudade.
    Não se substitui nada, assim como o amor. E como ele também, é difícil se desfazer do resto físico que sobrou. Se um dia você conseguir outro lugar para abrigar os galhos ressequidos de seu bonsai, não esquece que o lar permanente dele é com você.
    abraços.

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