quarta-feira, 27 de março de 2013

TARANTINO (50 ANOS)

Nos cinquenta anos de Quentin Tarantino só algo vem à minha mente: a trilha sonora dos seus filmes. E nenhuma faixa soa mais emblemática para mim do que “Girl You'll Be a Woman Soon”, que embala uma (entre tantas) das sequências inesquecíveis de “Pulp Fiction”. Se todo mundo costuma lembrar de Uma Thurman dançando com John Travolta ao som de Chuck Berry, sempre preferi ela cantando e dançando sozinha na sala antes de sofrer uma overdose. Clássica.

sábado, 23 de março de 2013

segunda-feira, 18 de março de 2013

AS PIORES CANÇÕES DE RAUL SEIXAS

A cada aniversário de Raul Seixas, de nascimento ou morte, o baiano é amplamente celebrado: são shows tributos, coletâneas, regravações, relançamentos, o diabo a quatro, e quase tudo de gosto duvidoso. Para fugir um pouco desse marasmo com hora marcada, resolvi provocar e selecionar as cinco piores canções de Raul Seixas, lembrando que a escolha foi feita por um raulseixista legítimo, mas nem tão xiita assim:

VIM DIZER QUE AINDA TE AMO (Raulzito/ Mauro Motta)
Em sua fase de produtor da CBS, Raulzito, como ele assinava, teve mais de cem canções gravadas pelos populares artistas que faziam parte do casting da gravadora (algumas ele reutilizou depois com novas letras). Tesouros perdidos dessa época merecem ser descobertos, embora os nossos bem intencionados intérpretes prefiram não se arriscar e requentar os clássicos que já fazem parte do cardápio do grande público. Por outro lado, algumas devem continuar no fundo do baú do Raul, é o caso de “Vim Dizer que Ainda te Amo”, na voz do ilustre desconhecido Raphael, gravada em 1972. O derramamento de glicose é tão grande que nem me atrevo a classificá-la como “brega”, acho que nem Zezé Di Camargo a cantaria, visto que quando foi convocado a gravar algo de Raul, escolheu “Medo da Chuva”, uma música que prega a liberdade conjugal. Em um raro instante de desprendimento financeiro, Kika Seixas impediu o lançamento de uma caixa contendo o material desse período, talvez temendo que a obra do maluco beleza fosse manchada. MOMENTO POR QUÊ? PRA QUÊ?: “Vim dizer que ainda te amo/ meu coração é seu/ vim dizer que ainda te amo/ que nada se perdeu”.




CANTIGA DE NINAR (Raul Seixas/ Paulo Coelho)
Creio que "chata" é característica obrigatória para as canções de ninar. Faixa do pouco inspirado “Há Dez Mil Anos Atrás”, de 1976, esta parece completamente deslocada, principalmente por surgir logo após o animado baião “Os Números”. O que deveria ser um acalanto funciona realmente como uma canção de ninar, mas por outros motivos: no auge de sua forma vocal a performance de Raul não alcança  a delicadeza de “A Maçã” ou a singeleza de “ A Hora do Trem Passar” ou “Ave-Maria da Rua”, como o gênero exige, talvez tenha faltado poesia para provocar a emoção. Sem entregar o que promete, a canção, além de deixar o bebê acordado, ocupa desnecessariamente o lugar de algo mais relevante no disco, como “Love is Magick”, lado B do single do mesmo ano. É o tipo de música que quando executada alguém diz: "pula essa". MOMENTO POR QUÊ? PRA QUÊ?:“Você chora quando tem fome/ mas vem logo uma mamadeira”.



 

O SEGREDO DO UNIVERSO (Raul Seixas/ Oscar Rasmussem)
1979 foi um ano conturbado para Raul: seu contrato foi encerrado, se separou de Tania Menna Barreto, seu segurança foi assassinado dentro do seu apartamento, retirou metade do pâncreas e como se não pudesse piorar, conheceu Ângela (Kika). Mas a nossa história começa alguns meses antes, reza a lenda que ele teve contato com um caderno de poemas escritos pelo argentino Oscar Rasmussem em uma festa daquelas, o que foi suficiente para ele se encantar e compor as nove canções que fariam parte do seu último trabalho pela Warner, “Por Quem os Sinos Dobram”. A substituição da anárquica letra inspirada em Hemingway e no Gênesis, em parceria com Cláudio Roberto, por um arremedo de pílulas de autoajuda do quilate de “nunca se vence uma guerra lutando sozinho” ou “é sempre mais fácil achar que a culpa do é do outro”, gerou uma breve rusga entre os dois amigos. Não é difícil selecionar uma canção ruim nesse disco, “Ide a Mim Dadá” e “Da-lhe que Dá” são fortes concorrentes, mas “O Segredo do Universo” não tem rival. O título, que emula um Raul mais profético e místico, não passa de um rock simples, básico, decepcionando quem esperava algo épico, uma nova “Gita”. Percebendo o poder comercial do título, anos depois a gravadora lançaria uma coletânea com essa denominação. Há quem acredite que seja uma letra enigmática, repleta de simbologias, mas fã de Raul Seixas acredita em tanta coisa. MOMENTO POR QUÊ? PRA QUÊ?: “Dentro do mambo e da consciência/ está o segredo do universo”.

 

 

CANÇÃO DO MELÂNCIO (Raul Seixas/ Kika Seixas)
Obrigatoriamente eu teria que colocar alguma faixa do  “Metrô Linha 743”, de 1984, de preferência alguma parceria com Kika Seixas. Implicância gratuita? Talvez. No disco há cinco “parcerias” com Kika, além de uma irritante participação em “Mamãe, Eu Não Queria” (costumo creditar a ela o péssimo refrão de “Meu Piano”
talvez seja realmente implicância). Metrô Linha é um disco que nunca me conquistou: o som é ruim, os arranjos, as letras, a gravadora... Para piorar, ainda há duas inexplicáveis regravações que nem chegam perto das originais (“O Trem das Sete” e “Eu Sou Egoísta”), o que só confirma a falta de material inédito de Raul. Mas para não ser injusto com músicas como “Quero Ser o Homem que sou”, preferi incluir a “Canção do Melâncio”, interpretada pelo falecido cantor religioso Reinaldo Cominato para a trilha sonora do programa infantil TV TUTTI-FRUTTI, exibido pela Bandeirantes entre 1983 e 1984, onde os protagonistas eram frutas e vegetais (Milhofone, Prefeito Gerimum, Chico Pimentão, Melâncio, entre outros). A música nada mais é do que uma versão hortifruti para “Peixuxa” o amiguinho dos peixes, do álbum “Novo Aeon, de 1975 – que apesar de surrupiar descaradamente "Ob-La-Di, Ob-La-Da" dos Beatles passa pelo meu crivo por sua mensagem ecologicamente correta, em uma época em que meio-ambiente não era tendência. Apropriando-se do fonograma original gravado pelos Fevers, excluindo apenas a voz, no melhor estilo karaokê, foi inserida uma letra onde verduras e frutas curtem uma festa animada na hortolândia. Tudo bem, era para as crianças, mas custava compor uma música nova? MOMENTO POR QUÊ? PRA QUÊ? “E se não é noite/ e se não é dia/ Melâncio amavelmente dá melancia”.
 

 

VOCÊ ROUBOU MEU VIDEOCASSETE e CÂIMBRA NO PÉ (Raul Seixas/ Marcelo Nova)
Sempre desconfiei da real participação de Raul nas canções com Marcelo Nova em “A Panela do Diabo”, como ao longo da carreira ele “herdou” algumas parcerias (sendo “Capim Guiné” a mais célebre) em seu derradeiro trabalho não seria diferente. Não só por sua condição física, mas tenho dificuldade para visualizar Raul nas músicas que encerram o disco. Se “Nenhuma Conexão” não tivesse ficado de fora, fatalmente receberia o carimbo Raulzito e Marceleza, mas como só foi gravada cinco anos depois, Marcelo assumiu sozinho a autoria. “Câimbra no Pé” é uma genuína composição de Marcelo Nova, em gênero, número e grau, não estranharia se ela aparecesse em alguma sobra de estúdio do álbum “Duplo Sentido”, do Camisa de Vênus, com sua letra original, “saiba esperto ou burro, você vai morrer aqui, isso é um perigo eu sei, mas esse é um país perigoso, se não nos detectarem não há tumulto na imprensa”. Já o início de “Você Roubou Meu Videocassete” é emblemático, com a banda entrando antes do tempo e Raul tentando corrigir. MOMENTO POR QUÊ? PRA QUÊ? “Você roubou meu videocassete pensando que eu fosse o controle-remoto”.


segunda-feira, 11 de março de 2013

PROMESSAS, MEU BEM, PROMESSAS

Ser blogueiro é trotar por uma senda pantanosa (vixe, que raio de frase foi essa?). Blogueiro é um bicho vaidoso, se considera formador de opinião e odeia ser questionado aliás, tem verdadeiro pavor. Ser blogueiro talvez não seja para todos, tem que ter senso de humor, espírito esportivo, não levar a sério o excesso de elogios nem se chatear com as críticas (que podem ser muitas). Sem paciência, alguns radicalizam e excluem o blogue ou bloqueia para comentários ou limita para um círculo restrito de leitores. Cada um na sua, mas prefiro sempre o debate. Com dez anos de blogue fica fácil saber quando determinada postagem será solenemente ignorada ou se tornará uma controvertida polêmica. Afinal, lugar de bom moço é no Feicebuque, no blogue é possível errar, não gostar, se arrepender. No blogue todo assunto é permitido, mas é preciso jogo de cintura para abordar temas espinhosos, algo que às vezes me falta. Então, para evitar aborrecer os poucos que ainda dedicam uma parte do seu tempo para me ler, resolvi tornar pública minha lista de promessas para este ano, mesmo não sendo, nem pretendendo ser, candidato a nada:

(*) Prometo nunca mais propagar meu gosto musical duvidoso, divulgando vídeos e discos de cantores/bandas que todo mundo deveria conhecer;

(*) Prometo que nunca mais postarei nada que ofenda às telenovelas brasileiras ou às séries britânicas/americanas, repetindo meu argumento simplista de que a vida é curta e que dois capítulos/episódios equivalem, em média, à duração de um longa-metragem, e que eu tenho muitos filmes para ver/rever antes do fim;


(*) Prometo não transformar Clarice Lispector em musa da autoajuda;

(*) Prometo nunca mais escrever sobre relacionamentos, não sou nenhum Carpinejar, que acredita que o amor é receita de bolo. Cada casal possui suas peculiaridades e a graça é exatamente essa – querer generalizar é bobeira;

(*) Prometo que não farei nenhuma postagem enlutada quando alguma celebridade desencarnar, mesmo que seja o Roberto Carlos;

(*) Prometo que não direi durante a próxima campanha eleitoral que não voto mais no PT;

(*) Prometo não retrucar mais comentários copy-cola;


(*) Prometo não fazer listas de melhores no final do ano;

(*) Prometo que não emitirei minha desnecessária opinião sobre o assunto do momento;

(*) Prometo nunca mais falar mal do Vasco, do Big Brother, do Carnaval, da Veja, de William Bonner, Adele ou Malafaia;

(*) Prometo que não comentarei nos blogues alheios quando eu detestar a postagem;

(*) Prometo que nunca mais questionarei o Feicebuque;

(*) Prometo não fazer mais promessas;

(*) Não prometo não grafar mais “Feicebuque”.


quarta-feira, 6 de março de 2013

VELHAS POLAROIDES V

 
 
 
  

SALVADOR ABAIXO DE ZERO / EDIÇÕES P55 - COLEÇÃO CARTAS BAHIANAS / 
R$ 15,00 (solicite seu exemplar diretamente com o autor) / 
OU NA LIVRARIA CULTURA

domingo, 3 de março de 2013

ALÉM DO QUE SE VÊ

NEM TUDO É O QUE PARECE
(Layer Cake, Reino Unido, 2004)
Direção: Matthew Vaughn 

Para quem reclama que falta “pipoca” nas minhas indicações, recomendo a estreia na direção do produtor dos primeiros trabalhos de Guy Ritchie (no tipo de filme que todos esperavam que ele continuasse a realizar, se não fosse a Madonna e Mr. Holmes). Daniel Craig (antes do estrelato) vive um bem sucedido “comerciante de narcóticos” que nunca revela seu nome e que decide se aposentar do mundo do crime, mas inicialmente tem que fazer um último trabalho, que não é tão fácil quanto aparenta: localizar a filha viciada de um magnata e distribuir um carregamento de ecstasy vindo da Holanda – se parece um clichê de filme de ação, advirto que nem tudo é o que parece. Perseguições, reviravoltas (muitas), enganos, mentiras, cinismo, clássicos ingleses da música dos anos 70 e 80, coadjuvantes excêntricos, frases de efeito, humor britânico... tudo faz parte do bem construído bolo de camadas do título original, surpreendentemente divertido até o último instante. Confirmando o talento demonstrado na estreia, Matthew Vaughn depois dirigiria “Kick-Ass - Quebrando Tudo” e “X-Men: Primeira Classe”.

TRABALHAR CANSA
(Brasil, 2011)
Direção: Juliana Rojas e Marco Dutra

Helena Albergaria é uma dona de casa de classe média que resolve levar adiante a ideia de abrir um mercadinho de bairro após o marido, Marat Descartes, perder o emprego, mas o local escolhido para o comércio guarda alguns mistérios. Ao misturar crítica social com elementos fantásticos, “Trabalhar Cansa” flerta com um gênero pouco explorado no Brasil: o terror. As incertezas e as neuroses provocadas pelo novo negócio e o desconforto e a insegurança do desemprego levam o casal de protagonistas a uma gradual transformação. No entanto, não é o típico drama familiar que mantém a trama, a crônica suburbana, com sua mesquinhez nossa de cada dia, causa no espectador uma imediata identificação, e sem meios-termos também pode provocar sentimentos de amor e ódio. Primeiro longa da dupla de diretores Juliana Rojas e Marco Dutra, que já tinha se destacado com os curtas "As Sombras", "O Lençol Branco" e "Um Ramo".


MINHA IRMÃ
(França/Suiça, 2012)
Direção: Ursula Meier

Assistiria a qualquer coisa com Léa Seydoux, isso não é segredo. Aqui ela é a “irmã” do título nacional, uma jovem acomodada que alterna pequenos trabalhos com períodos de desemprego, dorme com diferentes rapazes e costuma sumir sem explicação por dias. No entanto, a trama é focada em seu irmão Simon, um menino de 12 anos que rouba o que pode em uma estação de inverno suíça (de sanduíches a pares de esqui) e revende os objetos para sobreviver, ou poder comprar até mesmo um abraço de sua irmã. Aproximando-se bastante do naturalismo e da crise europeia, observados sem julgamentos nem sentimentalismos nas obras dos irmãos Dardenne, Ursula Meier sustenta o filme sem excessos ou melodramas, extraindo de Léa e do garoto Kacey Mottet Klein atuações excelentes, além de conduzir uma reviravolta no roteiro que não transforma o filme em outro filme. Atenção para Gillian Anderson, a eterna agente Scully de Arquivo X,  e a bela e metafórica cena final.

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