segunda-feira, 19 de novembro de 2012

DEPOIS

      O fim era inevitável, não como uma tragédia anunciada (foi até surpreendente para muitos), mas como uma lógica prática: sem exceções; sem poréns; sem aforismos... Era tão evidente o aproximar do final que duvidar era a única opção. E assim foi. Duvidei até o último instante, não querendo me enganar, queria somente empregar emoção ao derradeiro ato de um relacionamento que sempre foi movido a excessos. No último dia não havia medo, angústia ou lágrima em seu olhar. Havia certeza. Ouvi palidamente uma sequência de clichês de despedida e esbocei sem muito convencimento um “se é o que você quer...” (um etéreo abraço fechou o ato). Não era noite, não chovia, a rua não estava deserta e ninguém observou parado o outro ir, embora, eu deva admitir, que após alguns segundos de lenta caminhada, tenha olhado para trás.
         Depois foi o vazio...

24 comentários:

  1. Sobre o fim só resta o silêncio. Quando acaba, é só o silêncio que fica em nós. O vazio.

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  2. Vazios foram feitos para serem preenchidos!
    Que venha a ocupação! :)

    beijoss

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  3. Que sua semana seja repleta de harmonia e textos maravilhosos...
    Bjs
    Nicinha

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  4. Quando não há clichês, há esperança...

    Beijos,

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  5. Feito um estudioso da obra herculiniana,
    sei que esse texto faz parte do livro SOB PRESCRIÇÃO,
    de 2006, estou certo?

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    1. Certissimo, achei que valia a pena
      trazê-lo à tona.

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  6. Belo retrato de uma despedida. Não tem clichês, mas está tudo ali...

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  7. Belo retrato de uma despedida. Não tem clichês, mas está tudo ali...

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  8. Linda forma de escrever,sábias palavras que mostram o desenrolar de uma história,a fotografia tão bem colocada...Parabéns!

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  9. As palavras de um final de relacionamento são sempre clichês. Não tem jeito. E talvez, é assim que deva ser.

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  10. Texto triste, mas bonito demais. Parabéns!

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  11. Por isso que lá embaixo diz o seguinte:
    "Comente apenas se leu a postagem"...kkkk

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  12. Já vivenciei isso... doeu e, depois, aliviou.

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  13. Um fim até que tudo bem, mas o que mata mesmo é o clichê. De doer. ;)

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    1. A sacada do texto é exatamente a ausência de clichês de despedida, acho que essa gente que comenta por comentar deveria ler com mais atenção. Aff!!!

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  14. Me identifiquei, olhei pra minha vida, pra minha alta, quisera eu ter escrito.

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  15. E a vida que segue, normal.... Normal???!!!

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  16. Lindo, intrigante. As vezes choramos sem lágrimas.

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