terça-feira, 13 de dezembro de 2011

MELHORES FILMES 2011 – NACIONAIS

         Dos 96 filmes nacionais lançados este ano, vinte a mais do que em 2010, somente sete alcançaram a marca de um milhão de espectadores, enquanto 32 conseguiram menos de 1000 testemunhas - entre uma ponta e outra devem ter ficado A ALEGRIA, RISCADO e O JARDIM DAS FOLHAS SAGRADAS, filmes que merecem ser conferidos. Com ressalvas, vejo a proliferação do stand-up comedy no cinema brasileiro, com sucessos de bilheteria e cara e corpo de humorístico televisivo, como MUITA CALMA NESSA HORA, DE PERNAS PRO AR e CILADA.COM, mas acho que cumprem o papel que a chanchada, a pornochanchada e as produções de Os Trapalhões um dia tiveram.
         Em virtude das poucas opções, não foi muito complicado selecionar os filmes nacionais que mais me agradaram em 2011, a maioria oriunda do circuito dos festivais, que é a realidade do nosso cinema, carente de distribuição e interesse da mídia. BRODÉR, de Jefferson De, foi um deles. Ao conseguir empregar originalidade à desgastada tríade favela-violência-tráfico, subvertendo outros clichês sociais, levou o prêmio de melhor filme no Festival de Gramado em 2010. O introspectivo MEU PAÍS, de André Ristum, melhor diretor no Festival de Brasília já em seu primeiro longa-metragem, trouxe Rodrigo Santoro de volta às telas brasileiras nesse delicado drama familiar. O incensado diretor Eduardo Coutinho retomou a estética de JOGO DE CENA em AS CANÇÕES e a partir de um questionamento banal (qual música marcou sua vida?) elaborou uma obra tocante, vencedora no último Festival do Rio na categoria documentário. Melhor filme no Festival de Brasília em 2010, O CÉU SOBRE OS OMBROS, de Sérgio Borges, invade o universo de três personagens inusitados sem traçar intersecções evidentes e sem nos permitir conhecer o que há de ficção e realidade na vida de um Hare Krishna integrante da torcida organizada Galoucura, um escritor marginal que vive com a mãe e cuida do filho deficiente e a transexual formada em psicologia que concilia a prostituição com a rotina acadêmica. TRANSEUNTE, de Eryk Rocha, Prêmio da Crítica e melhor ator em Brasília, lindamente filmado em preto & branco, segue de perto Expedito, um homem solitário, cheio de silêncios, que caminha pelas ruas do Rio de Janeiro mais como coadjuvante do que como protagonista da sua própria vida, certamente um dos melhores exemplares do nosso cinema nos últimos tempos, ao lado de O PALHAÇO, de Selton Mello, que com ecos de Fellini, Renato Aragão e Ettore Scola, acompanha a crise existencial do palhaço Pangaré quanto a sua vocação. Divertido, comovente e com sequencias inesquecíveis, Selton Mello, melhor diretor no Festival de Paulínia, consegue o que parecia ser o mais improvável no cinema brasileiro: ser bem recebido pelo grande público e pela crítica. "O rato come o queijo, o gato bebe leite e eu... Sou palhaço".

14 comentários:

  1. Senti falta de O Homem do Futuro. Mesmo que o filme não tenha uma grande profundidade emocional, foi uma das mas agradéveis surpresas que tive com o cinema nacional nesse ano.

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  2. Cinema nacional é foda pra opinar, quase nada estreia por aqui, tirando O Palhaço vi Bruna Surfistinha, Assalto ao Banco Central e VIPS, não posso falar nada, né?

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  3. Amigo, acho que poderíamos acrescentar "O que é a felicidade", apesar de o mesmo não trazer nada de novo".
    um abração. Tenhas um ótimo dia.

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  4. Excelente seleção. Amei o Palhaço.

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  5. 96 filmes nacionais, Herculano!? Eu não fazia ideia de que fossem tantos. Vou procurar os seus indicados. Valeu! Abraço!

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  6. Eu, ainda, choro quando penso no palhaço. Pra mim o filme do ano.
    Um abraço forte.

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  7. Triste cinema brasileiro,
    pouquissima coisa chega ao grande público, quando a Globo Filmes deixa, o restante fica relegado aos festivais de cinema e ao circuito de salas de arte.
    Daí sua lista de nacionais soar mais cult que a lista gringa.

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  8. Gran año para el cine mundial. La pregunta sería dónde ver "O Palhaco". Saludos y Felices fiestas.

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  9. Este blog, expressa intelectualidade e cultura. Vou seguir.
    wwwsabereducar.blogspot.com

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  10. Estou super curiosa com As Canções, sabe como nos conduzir. O Palhaço e Meu País também estão entre meus preferidos. Já Bróder não consegui ver ainda, vou continuar em busca.

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  11. Pena que estes filmes não estejam tão acessíveis como deveriam estar.

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  12. Cinema nacional, de uns tempos para cá, tem sido tudo de bom. Há ainda muitas ressalvas, mas percebe-se um maior compromisso. Sou muito fã do ator Selton Mello, para mim, tudo que ele faz, fica perfeito.Passei a admirá-lo mais depois de ter visto Lavoura Arcaica, que, para muitos, não vale nada, é chato e arrastado. Eu gostei, procurei captar os significados das cenas "arrastadas", onde a câmera era o narrador.
    Não gosto dos filmes tipo Stand up Comedy, mas gosto de alguns espetáculos desse gênero que proliferou, aqui em Sampa é febre. Tem gente boa.
    Sobre os filmes comentados, gostaria de ter disponibilidade para ver todos, verei alguns, baseada na sua brilhante crítica.


    Beijo

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