terça-feira, 28 de dezembro de 2010

UMA ÚLTIMA CRÔNICA FRAGMENTADA

      Adeus, ano novo!
     Estive nas páginas da Bravo!, da Piauí, da Cult, mas quase ninguém viu. Para os meus sempre espirituosos amigos, melhor seria se eu estivesse na Caras, talvez essa “honra” me rendesse um desconto no cabeleireiro ou notoriedade na sala de espera do dentista, poderia ter dito para eles que quem lê Caras não vê coração, mas nos poupei do medíocre trocadilho. Inclusive, sei que essas efemeridades não me darão fama alguma - fama é ser reconhecido por meus vizinhos. Por enquanto, ficaria satisfeito se eu descobrisse por que as pessoas ao invés de me desejarem saúde e paz, me desejam sucesso.
        Recortes amarelados de jornais, fotografias, medalhas e cartas de amor se amontoam, desordenadamente, na sala do ego (aquele sorriso na parede não é meu, aquele “eternamente tua” não era para mim). Preciso afastar a mobília, limpar a poeira do meu blog. Este ano, fiz listas de melhores isso, melhores aquilo (muitas sequer me atrevi a publicar). Acreditei num Brasil mais verde, menstruei, fiz epitáfios, canções, pedi outras doses, questionei, me equivoquei, dei o braço a torcer, abri as janelas da minha solidão com vista pro mar, quis ser Paulo César Pereio (agora quero ser Paul Giamatti ou PJ Harvey). A verdade é que escrevo cada vez menos. Não me falta inspiração, não me falta paciência. O problema deve ser ideias e calma demais.
        Anônimo(a), não adianta  me procurar nas entrelinhas, nas cores que uso para enfeitar o meu dia. Creio que já disse algo parecido num poema. Minha vida não é uma película do Almodóvar, talvez nem a de Lara seja. Minha vida está mais para um filme do Todd Solondz, para um conto do Lima Barreto ou para uma canção da Dolores Duran. Meu passado está em branco, meu futuro me condena. Humberto, não há luz no fim do túnel do tempo.
        Quero entardecer numa praia de Saubara.
        Quero minhas manhãs de domingo com Inezita Barroso.
        Novamente, como numa reprise da Sessão da Tarde, não me impressionei com as luzes tristes do natal, com os ornamentos da cidade, com as guirlandas penduradas nas portas dos apartamentos do meu edifício. Certamente, também não me impressionarei com a contagem regressiva ou com os fogos artificiais que celebrarão o funeral de 2010.
        Tenho um planeta no porão que precisa entrar em órbita.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

DIÁRIOS DE CINEMA II


CINEMA 2010: MELHORES FILMES INTERNACIONAIS*

A FITA BRANCA
(Michael Haneke)

O PROFETA
(Jacques Audiard)

PECADO DA CARNE
(Haim Tabakman)

SUBMARINO
(Thomas Vinterberg)

UM DOCE OLHAR
(Semih Kaplanoglu)

UM HOMEM SÉRIO
(Irmãos Coen)

 
MELHOR ANIMAÇÃO


 
PIOR FILME DO ANO





*FILMES QUE ESTREARAM COMERCIALMENTE
OU FORAM EXIBIDOS EM FESTIVAIS OU LANÇADOS DIRETAMENTE EM HOME VIDEO EM 2010

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

DIÁRIOS DE CINEMA

No começo de 2010, resolvi relacionar todos os filmes vistos durante o ano; adicionando datas, locais e impressões causadas (sem formalismos e no calor do momento), além de arrematar a anotação com uma nota que ia de 5 a 10. Até agora, entre cinema e home video, foram 276 filmes (bem menos do que eu gostaria).  Daqueles que estrearam nas salas soteropolitanas poucos obtiveram pontuação máxima, são os que fazem parte da relação abaixo:

CINEMA 2010: MELHORES FILMES NACIONAIS*


(Laís Bodanski)
(Esmir Filho)

(Sergio Bianchi)

(José Padilha)
(Marcelo Gomes e Karim Aïnouz)


PIOR FILME DO ANO

(Fábio Barreto)


*FILMES QUE ESTREARAM COMERCIALMENTE EM 2010

sábado, 11 de dezembro de 2010

2010: DISCOS & CANÇÕES (INTERNACIONAIS)

 DISCOS

EXILE ON MAIN STREET – DELUXE EDITION
(THE ROLLING STONES)

HIGH VIOLET
(THE NATIONAL)

SHADOWS
(TEENAGE FANCLUB)

SHAME, SHAME
(DR. DOG)

STONE TEMPLE PILOTS
(STONE TEMPLE PILOTS)

STÓRIA, STÓRIA...
(MAYRA ANDRADE)

THE SEA
(CORINNE BAILEY RAE)

THE SUBURBS
(ARCADE FIRE)


CANÇÕES




Runaway (The National)






SE DESEJAR ESCUTAR CLIQUE NO TÍTULO DA CANÇÃO

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

2010: DISCOS & CANÇÕES (NACIONAIS)

Minha lista dos discos e canções lançados em 2010. Não os melhores, não tenho essa pretensão, apenas aqueles que mais tocaram no meu som, 
e mais tocaram em mim, durante o ano:

DISCOS

AMIGO DO TEMPO
(MOMBOJÓ)

DO AMOR
(DO AMOR)

ESCREVER-ME, ENVELHECER-ME, ESQUECER-ME
(MESSIAS)

JOURNAL DE BAD
(BÁRBARA EUGÊNIA)

MUNDIALMENTE ANÔNIMO
(MAQUINADO)

SUPERGUIDIS
(SUPERGUIDIS)

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

WOODY ALLEN: 75 ANOS

 “Só há um tipo de amor que dura, o não correspondido”.
_________________________________

75 anos de Woody Allen 
e minha lista dos seus filmes que mais admiro:

ANNIE HALL (1977)
MANHATTAN (1979)
MEMÓRIAS (1980)
ZELIG (1983)
HANNAH E SUAS IRMÃS (1986)
DESCONSTRUINDO HARRY (1997)
MATCH POINT (2005)

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

SACIZEIRO

Se fosse numa obra do Monteiro Lobato, sacizeiro poderia até ser uma árvore encantada no meio da floresta, mas aqui, na 15ª DP, sacizeiro é o usuário de crack que mantém o vício através de pequenos furtos, é o elemento mais nocivo da sociedade, é aquele que perambula pelas ruas feito um zumbi, totalmente sequelado, amedrontando e abordando a população, pedindo centavos, na maior noia, ou no saci, como eles mesmos dizem. Sacizeiro é uma referência ao Saci-Pererê, devido ao uso do cachimbo para o consumo das pedras, numa alusão infeliz – minha infância não merecia uma homenagem dessas.
           Todos os dias, detínhamos mais de uma dezena, mas terminávamos liberando a maioria, não teria espaço para tanta gente aqui. Depois que os comerciantes do centro da cidade nos contrataram para formar uma milícia, nem nos damos mais ao trabalho: derrubamos o vagabundo onde ele estiver. A mídia não divulga as mortes para não aparecer neguinho dos Direitos Humanos fazendo barulho por causa de pombo sujo. Nosso trabalho é festejado em silêncio.
           Antes de eliminar o indivíduo, costumo quebrar sua perna com um bastão de beisebol, que meu filho trouxe de Orlando. Então, mando o malandro pular com uma perna só, para, finalmente, poder acertá-lo com um tiro na cabeça.


Trecho do livro inédito, QUERO SER PAULO CÉSAR PEREIO, 
publicado na revista Bravo!, edição de novembro, 2010
(ainda, nas bancas).

terça-feira, 23 de novembro de 2010

PEREIO POR PEDREIRA

 
 QUERO SER PAULO CÉSAR PEREIO
(Ribeiro Pedreira)

recortes de vidas
deterioradas
injetados em doses
homeopáticas
na veia dos olhos

querer mais uma dose
ou mesmo ser Pereio
tanto faz
o mundo gira
da orla do desassossego
ao centro nervoso do desespero

                           Para Herculano Neto


Outra grata surpresa matinal, desta vez do poeta e amigo Ribeiro Pedreira, 
do blog ALGUMA POESIA.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

MEU BEATLE PREFERIDO

          Não há muito tempo, era comum ter que responder qual era o seu Beatle preferido (ao menos para mim era). No ano em que se celebram os 70 anos de nascimento de John Lennon, além da lembrança dos trinta anos do seu assassinato, e das apresentações de Paul McCartney no Brasil, a pergunta parece retornar à moda, embora polarizada.
        Como sempre simpatizei com minorias, meu Beatle preferido poderia até ser Ringo Starr, mas somente se ele tivesse composto canções como "Something" e “While my Guitar Gently Weeps, e após o fim da banda lançasse um álbum como ALL THINGS MUST PASS. No entanto, Ringo Starr apesar de ter sido um eficiente e influente baterista, diferentemente do que dizem, e não apenas um cara de sorte, acho mais conveniente deixá-lo para fãs como Marge Simpson.
        Obviamente, minha resposta é George Harrison: sua elegância, discrição e técnica ainda me emocionam. Peço licença para a cineasta Laís Bodanzky para reafirmar que “Something” é uma das melhores coisas do mundo, mesmo na voz e no violão de Mano.

sábado, 13 de novembro de 2010

NA BRAVO!

 Leia alguns contos do livro inédito QUERO SER PAULO CESAR PERÉIO, de Herculano Neto, na revista Bravo! edição 159. Nas bancas.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

LADRÕES DE BLOGS

          Os usuários do Blogger estão sofrendo frequentes ataques de um sistema chamado “Phishing” (termo oriundo do inglês fishing, “pescaria”), que faz com que se abram, sem seu conhecimento, janelas de propaganda ao acessarem seu blog ou a página de comentários, e em alguns casos “rouba” o blog e posta anúncios, na maioria das vezes pornográficos. O Phishing  induz a fornecer os dados da conta através de uma “isca” (um link falso), que pode ser um e-mail simulando um comunicado da Google para a atualização do serviço ou links encontrados em redes sociais (principalmente Orkut e Twitter). Ao clicar nesses links o usuário é direcionado para uma página idêntica a do Blogger, mas ao digitar os seus dados eles são distribuídos para terceiros.
          Além de manter um antivírus atualizado e um firewall instalado e habilitado, a melhor maneira de se proteger é não ser curioso e desconfiar constantemente. Recomenda-se passar o cursor do mouse sobre o link antes de abrir e observar no canto inferior da tela para qual site você será realmente encaminhado, se for para algum endereço estranho ou terminar com extensões como exe, rar ou zip NÃO CLICAR. Acessar os sites das suas redes sociais apenas através das páginas oficiais e não por links recebidos por e-mail. Não aceitar comentários que contenham links (o Blogger tem um sistema de spam na moderação dos comentários, mas nem sempre funciona). Bloquear seguidores de blogs com conteúdo duvidoso (geralmente, pornográficos e estrangeiros). Fechar a janela se for redirecionado para alguma página de login. Clicar somente em links recebidos de pessoas conhecidas e conferir se o endereço digitado permanece inalterado após entrar na página do Blogger.
          O Blogger NUNCA envia e-mails pedindo atualização de dados.
          Denuncie o uso do Phishing no site da Google.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

DIREITO PRESCRITO


DIREITO PRESCRITO

Nasci com defeito de fábrica, defeito na alma. Minha mãe não notou, meu pai não notou, ninguém notou. Só perceberam quando inventei de me remendar, de me colar, de me parafusar, mas aí já era tarde, não era mais possível a devolução.



 A CIA ZenFazernada e A Voz da Pedra Produções, dos amigos Luciano Fraga e Douglas Vieira, produziram este vídeo com o meu texto DIREITO PRESCRITO. Surpresa muito agradável.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

JUVENTUDE?

Não costumo recriminar a juventude, no entanto é impossível permanecer indiferente a algumas coisas: uma delas é esse modismo incompreensível intitulado “eyeballing”, que nada mais é do que tomar uma dose de vodka pelos olhos com a promessa de proporcionar um estado maior de embriaguez, mas que na verdade provoca uma queimadura química que pode levar à perda total ou parcial da visão. Cada vez mais difundido entre os jovens através das redes sociais, “o colírio de vodka” não deixa de encontrar adeptos no Brasil (algo que pude confirmar num recente final de semana num bar). 
Outra, igualmente incompreensível, são as mensagens racistas postadas no Twitter após a eleição de Dilma Rousseff, onde os nordestinos foram considerados os principais responsáveis pela vitória da candidata petista. A mensagem que deu origem dizia: "'Nordestisto' não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado" (sic). Ingenuamente, achava que xenofobia e neonazismo eram imbecilidades démodés. Sou brasileiro, nordestino, e mesmo se eu não fosse, estaria igualmente indignado. Não se trata apenas de uma questão de defesa regional, é simplesmente respeito ao ser humano. Isso vai muito além da tão defendida liberdade de expressão, que parece desculpa para tudo. O Ministério Público promete investigar o caso, enquanto comunidades racistas se propagam livremente com milhares de membros e manifestações injuriosas. 
       Há quem diga que para o jovem tudo é permitido, mas até os excessos têm fronteiras, que não podem ser ultrapassadas jamais.


A imagem que ilustra a postagem é de JOvelino VENceslau dos Santos, célebre personagem de Chico Anysio, mais conhecido como “Jovem”, representante de uma época em que a rebeldia adolescente inspirava divertidos aforismos.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

"SOLIDÃO COM VISTA PRO MAR"

 “E tudo que eu posso te dar
É solidão com vista pro mar
Ou outra coisa pra lembrar...”

                                                                                                          
 "Eu não sei dançar
Tão devagar
Pra te acompanhar..."

(EU NÃO SEI DANÇAR, Alvin L.)
 

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

(NÃO) LEYA


          A editora portuguesa Leya, através da coleção “Clássicos Fantásticos”, colocou recentemente no mercado literário brasileiro uma série de volumes mash-ups (mash-up é um “gênero” americano que diz modernizar clássicos da literatura). Alguns desses inusitados volumes são: O ALIENISTA CAÇADOR DE MUTANTES; A ESCRAVA ISAURA E OS VAMPIROS; SENHORA, A BRUXA e, inacreditavelmente, DOM CASMURRO E OS DISCOS VOADORES.
          Os autores dessas mixórdias se consideram, humildemente, parceiros dos escritores consagrados, no entanto os trechos que li são de fazer corar qualquer admirador da nossa literatura. Além da narrativa pobre, com inúmeros atentados à língua portuguesa, há momentos que soam cômicos, que inclui vampiros escravocratas, pepinos envenenados e as guelras mutantes de Simão Bacamarte. No texto de apresentação desses livros, os editores tentam se justificar perguntando: “Como seriam alguns dos nossos clássicos se tivessem sido escritos hoje?”. Porém, me recuso acreditar que Machado de Assis em 2010 seria um nerd roteirista de HQs fascinado por alienígenas e mutantes. Curiosamente, esses livros se esgotaram rapidamente das livrarias. Provavelmente, pela “Geração Crepúsculo”, que deve achar os originais monótonos, incompreensíveis, verossímeis demais. Não me surpreenderia se esses títulos fossem utilizados nas escolas, com o raso argumento de desenvolver o interesse dos jovens estudantes por literatura, mais ou menos como fazem os professores dos cursinhos pré-vestibulares com os seus violões. O escritor peruano Mario Vargas Llosa, durante uma palestra em Porto Alegre, pouco dias após ter sido anunciado como vencedor do Prêmio Nobel, demonstrou seu temor que o livro digital banalizasse a literatura, creio que ele ainda não se inteirou dessa novidade, muito mais aterrorizante.
          O sucesso dos mash-ups pelo mundo não é equação difícil de resolver. Na verdade, é muito simples: as editoras se apropriam de obras de domínio público e tiram proveito da notoriedade delas para desenvolver subprodutos supostamente palatáveis, tornando insignificantes os custos com direito autoral e publicidade. Apenas não entendi porque a editora portuguesa não fez o mesmo contra Eça de Queiroz ou Fernando Pessoa – ou não seria interessante encontrar a gangue dos heterônimos reunida numa tabacaria no melhor estilo “Cães de Aluguel”? Felizmente eles ainda não deturparam as memórias de Brás Cubas, talvez porque o autor-defunto ou o defunto-autor já seja fantástico demais. De qualquer forma, aqui está minha dica de presente para o amigo oculto do final do ano – caso sorteie aquele colega chato da empresa.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

PORCAS BORBOLETAS


 
 Menos
(Porcas Borboletas)

Eu sei
eu sei que não era pra eu ser assim
que eu devia tomar as doses nas horas certas
eu sei que eu devia dormir boas noites de sono
e que eu devia fumar menos 
escovar os dentes com pastas pra gengivas sensíveis
e perambular menos na rua quando todo mundo já foi
e não me jogar tanto quando alguém me abre os braços
e beber menos
e amar menos
eu devia parar
e pensar menos
eu sei que eu devia pensar menos
e falar menos
eu sei que eu devia falar menos
pra viver mais
eu sei que eu devia viver menos
mas eu não sei viver menos


De Uberlândia, Minas Gerais, “PORCAS BORBOLETAS” é uma das principais bandas do cenário independente brasileiro. Ao participar dos festivais realizados no país, chamou a atenção da crítica especializada e do público com um show extremamente performático. Compôs a música tema do filme NOME PRÓPRIO (de Murilo Salles) e tem parcerias com Arnaldo Antunes e Arrigo Barnabé. Com dois discos gravados (UM CARINHO COM OS DENTES em 2006 e A PASSEIO em 2009), não esconde suas influências de vanguarda paulistana, MPB setentista e rock Brasil. Com letra da escritora Clara Averbuck, “MENOS” foi uma das canções que mais escutei no último ano – e que me fez lembrar porque eu gostava do rock nacional dos anos 80.



quinta-feira, 14 de outubro de 2010

ESSES ESSES


esses esses
(Herculano Neto)

esse gosto de já
na minha boca

esse cheiro de vá
na minha roupa

esse gosto de medo
em outras bocas

esse cheiro de perfume barato

Poema adolescente publicado originalmente num fanzine de poesia, em 1996 (o título citava uma gíria baiana da época). Na antologia OS OUTROS POEMAS DE QUE FALEI (Prêmio Banco Capital de Literatura, 2004) ganhou nova versão. Agora, ao revisitá-lo, torno a brincar com os versos. A atriz dinamarquesa, Anna Karina, musa da Nouvelle Vague, ilustra a postagem.

sábado, 9 de outubro de 2010

O ENTERRO DO CAPITÃO (OU COMO DESCONSTRUIR UM MITO)


Não sou crítico de cinema, nem tenho essa pretensão, mas se eu fosse um desses que procuram chifre em cabeça de unicórnio em jornais, revistas e “sites especializados”, certamente daria o número máximo de estrelas para TROPA DE ELITE 2 – O INIMIGO AGORA É OUTRO (embora eu acredite que sempre foi o mesmo).
      Traçar paralelos ou comparar com o primeiro filme, talvez seja inevitável, afinal trata-se de um fenômeno único na história do nosso cinema, vencedor do Urso de Ouro em Berlim em 2008, principal premiação recebida por um filme brasileiro depois de O PAGADOR DE PROMESSAS, que venceu em Cannes em 1962. O que torna ainda mais compreensível a expectativa criada para a continuação é o ícone pop que se tornou o Capitão Nascimento (num trabalho excepcional de Wagner Moura). Parodiado à exaustão e com seus bordões que já fazem parte do cotidiano.
        O anti-herói é uma figura fascinante, a literatura e o cinema têm inúmeros exemplos, mas não há como criar um ícone pop na prancheta, ele sintetiza os anseios de uma determinada época, é mais fruto do acaso do que dos roteiristas. Isso é provado no primeiro TROPA DE ELITE, que tem Mathias (André Ramiro) como protagonista. O novo filme é concebido realmente para o Tenente-Coronel Nascimento, mas uma mera mudança de patente ou de protagonismo não é suficiente para desconstruí-lo, para enterrá-lo. Ainda no filme anterior, o Capitão Nascimento estava em busca de alguém que o sucedesse. TROPA DE ELITE 2 não sinaliza o nascimento de um novo Capitão, reitera o Capitão de sempre. “Promovido” a subsecretário de segurança, e o BOPE rebaixado a coadjuvante, ele abandona o uniforme preto, embora embaixo do terno e gravata haja uma caveira.
        Agora, o holofote é focado em algo mais complexo: a gênese da violência no país, resultado do populismo e da exploração da miséria. O dedo deixa de ser apontado para a cara do playboy, para ser mirado para todos nós, o que aumenta a sensação de desconforto. A narração em off retorna de maneira mais incisiva e constante, às vezes num didatismo desnecessário (até porque, nem sempre é preciso explicar o que está sendo visto). Como não tem Papa, os novos bordões estão todos na conta do Capitão Fábio (Milhem Cortaz), que tenta equilibrar o filme com humor, o que não ameniza o ritmo e a tensão permanentes. O discurso simplista do professor/deputado Fraga, interpretado pelo sempre ótimo Iradhir Santos, um ativista dos Direitos Humanos que não simpatiza nem um pouco com os métodos utilizados pelo BOPE, se estenderá àqueles que adjetivam o trabalho do diretor José Padilha e companhia de fascista, oportunista e manipulador (o sistema é foda).
        Já no começo, nos deparamos com um aviso: "apesar das possíveis coincidências com a realidade, esta é uma obra de ficção". Mas lá está o Brasil corrupto, o Brasil canastrão dos noticiários sensacionalistas, o Brasil do dinheiro e do poder, o Brasil miserável, o Brasil conivente. Ao ver os políticos retratados no filme, quis imaginar que não desperdicei meu voto nas últimas eleições para o legislativo, já que “eleição é negócio e o voto é a mercadoria mais valiosa da favela”. Os créditos iniciais são lidos ao som da homônima canção da banda Tihuana, que faz uma ponte com o filme anterior, e finaliza com “O Calibre”, dos Paralamas do Sucesso, que tem versos questionadores: “Há quanto tempo você sente medo? Quantos amigos você já perdeu? Entrincheirado, vivendo em segredo, e ainda diz que não é problema seu.”.
        Se a ideia era reconstruir o personagem de Wagner Moura, ele continua intacto, mais vivo do que nunca. E acenando um pouco de esperança.
   

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

ZUCKERMAN X BARTLEBY

Sempre preferi o factóide ao fato, a inverossimilhança à realidade, a fantasia ao documentário. Sempre fui o último no telefone sem fio, sempre fui ludibriado pelas aparências. Por isso, costumo me irritar quando ignoram meu mérito de ficcionista, quando confundem o criador com a criatura, o contista com o cronista – e, ultimamente, isso tem sido cada vez mais comum. Nem tudo que eu escrevo é fruto das minhas experiências, das minhas observações do mundo. Além do ocorrido, há o imaginado.
          Já perdi a conta de quantas vezes me perguntaram sobre situações e personagens, como se tivessem acontecido comigo, como se fossem eu. Sinto a decepção no olhar dessa parcela de leitores quando respondo contrariado que nunca fui preso, nunca fiz programa com travestis, nunca fui travesti, nunca sofri uma overdose, nunca trabalhei para o tráfico, nunca fraudei documentos para fugir do país, nunca testemunhei uma chacina, nunca morei nas ruas ou numa tribo indígena, nem sou jornalista, estudante de veterinária ou tive um cãozinho chamado Sabido. Uma explicação pouco convincente, talvez seja porque construo quase todos os meus contos em primeira pessoa, o que gera certa cumplicidade e aproxima mais a ação do leitor. No entanto, isso está distante de ser uma característica de estilo ou artimanha, é apenas resultado da minha inabilidade em desenvolver satisfatoriamente textos em terceira pessoa. Parece desnecessário dizer, mas a minha biografia não está nos meus livros.
          Algumas pessoas se aproximam de mim achando que sou “diferente”, “especial”, que o meu coloquialismo é poesia vinte e cinco horas por dia, que a minha vida é repleta de histórias absurdas e divertidas. Não sou nenhum super-homem, sou um humano que erra, chora, sonha, atrasa as contas, esquece, se arrepende, pede desculpas. Citando Lulu Santos: “não leve o personagem pra cama, pode acabar sendo fatal”. É possível que essas pessoas sofram da Síndrome de Zuckerman, que segundo Rubem Fonseca, em DIÁRIO DE UM FESCENINO, é um mal que acomete os leitores e os faz pensar que autor e personagem sejam uma coisa só. (Nathan Zuckerman é o protagonista de diversos livros do romancista norte-americano Philip Roth. Após publicar um livro, Zuckerman é perseguido pelos leitores, que acreditam que tudo que ele escreveu se refere aos seus amigos ou parentes). Melhor seria que fosse diagnosticada em mim, por uma equipe de questionáveis especialistas, a Síndrome de Bartleby, que é quando os autores deixam de produzir novas obras, e excluísse meu blog, me mudasse para uma ilha ou me isolasse definitivamente no meu apartamento.
          Somente agora, compreendo porque as telenovelas avisam ao final do capítulo que “essa é uma obra de ficção”. Poderia ter usado artifício similar desde o começo, em Santo Amaro. Hoje, seria reconhecido pelo que realmente sou. E seria mais infeliz.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

DOMINGO ESMERALDA


No romance O Leopardo, do escritor italiano Giuseppe di Lampedusa, o Príncipe de Salina (imortalizado no cinema por Burt Lancaster no clássico de Luchino Visconti), expressa todo seu desencanto com a política na célebre frase: “Para que as coisas permaneçam iguais, é preciso que tudo mude.”. Impossível não ser remetido à principal bandeira da atual campanha presidencial: o continuísmo. Ao contrário do Príncipe de Salina, acredito que às vezes é preciso mudar para que as coisas fiquem diferentes.

"De repente
me lembro do verde
da cor verde
a mais verde que existe
a cor mais alegre
a cor mais triste
o verde que vestes
o verde que vestiste
o dia em que eu te vi
o dia em que me viste."
(Paulo Leminski)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

UMA RAZÃO

No site oficial da candidata Marina Silva estão enumeradas 43 razões para ela receber o nosso voto. Certamente, tenho bem mais que quarenta e três motivos. Basta observar seus adversários políticos, no famigerado horário eleitoral, em algum noticiário ou em qualquer debate, para se constatar que não é muito difícil encontrar uma razão o que já é mais do que suficiente.

sábado, 25 de setembro de 2010

AND THE OSCAR GOES TO

          Mesmo com todos os poréns, a premiação do Oscar® ainda é o evento sobre cinema de maior visibilidade no planeta. O país que é agraciado com a indicação de melhor filme estrangeiro costuma despertar o interesse do público e da mídia especializada para a sua cinematografia. Exemplo disso é o cinema argentino, que é considerado um dos melhores realizados atualmente, que não apenas foi indicado como saiu-se vencedor na última cerimônia com a película “O SEGREDO DOS SEUS OLHOS”, de Juan José Campanella (a Argentina já havia conquistado a estatueta em 1986 com o ótimo A HISTÓRIA OFICIAL, do diretor Luis Puenzo).
          Cada país pode designar até um filme para concorrer às cinco vagas existentes. O indicado brasileiro é escolhido por um comitê nomeado pelo Ministério da Cultura – que estranhamente, e inutilmente, abriu uma votação popular em seu site, onde se destacou NOSSO LAR, com 70% de aprovação dos internautas. É de se estranhar, também, que recentemente diretores consagrados sequer inscreveram seus trabalhos para concorrer, caso de Heitor Dhalia com À DERIVA, em 2009, e Walter Salles e Daniela Thomas com LINHA DE PASSE, em 2008. Talvez a resposta esteja na escolha do candidato a candidato brasileiro: LULA, O FILHO DO BRASIL, um dos piores filmes dos últimos tempos (e isso não é nenhuma opinião tendenciosa ou partidária) e que na votação popular alcançou somente 1% da preferência. Lamentável que o Minc e o seu comitê tenham abandonado os critérios técnicos em favor de um jogo político desnecessário. Continuando assim, não veremos um representante nacional na disputa do Oscar® tão cedo.
          Cinema não é Copa do Mundo, como a Rede Globo faz parecer, então não haverá problema algum em torcer pela Argentina.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

SANGUE NO CHUMBO

Em 1960, instalou-se em Santo Amaro da Purificação (BA) uma multinacional francesa de beneficiamento de chumbo, talvez numa tentativa de revitalizar a economia do município que, historicamente, sempre foi baseada no cultivo da cana-de-açúcar. No entanto, o que se viu foi a contaminação ambiental da cidade com a emissão de efluentes lançados indiscriminadamente através da chaminé da fábrica e nas águas do rio Subaé, além de centenas de trabalhadores considerados inválidos devido à exposição ao chumbo. Em 1989, a fábrica foi adquirida por uma empresa brasileira, que mesmo tendo herdado o passivo ambiental e trabalhista, não cumpriu com as suas obrigações. Ao encerrar as atividades em 1993, deixou para trás duzentos e cinquenta trabalhadores desempregados (que ainda aguardam, juntamente com seus familiares, a conclusão de várias ações judiciais) e cerca de quinhentas mil toneladas de resíduo industrial (escória).
           Uma pesquisa realizada em 1980, afirmou que 96% das crianças residentes a menos de 900 metros da fundição tinham concentração de cádmio  e chumbo no sangue acima do valor normal de referência, e os níveis encontrados no cabelo eram proporcionais às concentrações desses metais no solo. Outro dado informava que o nível de contaminação na cidade era vinte nove vezes maior que o tolerado pela Organização Mundial de Saúde.
           Como se já não bastasse, toda escória foi “doada” aos habitantes da cidade, que a usaram na construção, acabamento e nos quintais de suas residências. A prefeitura local, inacreditavelmente, também, usou grandes quantidades dessa escória para pavimentar ruas e lugares públicos de Santo Amaro, podendo ser encontrada facilmente sob os paralelepípedos e ao redor dos canos do abastecimento de água. A população local costuma, ainda, consumir carne e leite do gado que frequentemente entra nas dependências da fundição abandonada, para pastar e beber da água que se acumula nos antigos tanques de contenção na área da empresa, além das mandiocas e bananeiras que encobrem resíduos soterrados nas proximidades das instalações, e que servem de alimentação tanto para os santoamarenses quanto para as cidades vizinhas.
           O chumbo é um metal conhecido e utilizado desde a antiguidade (existem algumas menções no Velho Testamento, como em Êx 15:10). É usado na construção civil, na indústria bélica, na produção de soldas, fusíveis, revestimentos de cabos elétricos, entre outros. Também é incorporado ao cristal na fabricação de copos e outros utensílios domésticos, ressaltando seu brilho e durabilidade, embora possa contaminar os alimentos. Em virtude de sua elevada toxicidade e dos seus compostos, regulamentações ambientais cada vez mais restringem a sua aplicação.
           O chumbo não possui nenhuma função essencial no corpo humano e é extremamente prejudicial quando absorvido pelo organismo através da comida, ar ou água. Pode causar anemia, aumento da pressão sanguínea, alteração no sistema nervoso, abortos, arteriosclerose precoce, síndrome hepática, danos aos rins e ao cérebro. O chumbo é um elemento extremamente tóxico que não se dissipa, biodegrada ou deteriora, o que coloca Santo Amaro como uma das cidades mais poluídas do planeta.
           A Rede Band de Televisão realizou no começo de 2010 uma matéria denunciando o fato, que até o momento não foi ao ar devido a uma medida liminar conseguida pelo governo baiano impedindo sua veiculação. Enquanto isso, a população de Santo Amaro sofre suas consequencias, inclusive seus recém-nascidos, que vêm ao mundo com alto índice de cádmio e chumbo no sangue.
           O vídeo abaixo ilustra a situação e fotografias da contaminação podem ser vistas clicando AQUI.


MAIS INFORMAÇÕES:

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O ESPELHO PARTIDO


          Frequentemente, me identifico com algum personagem cinematográfico, principalmente em filmes de diretores que admiro. Também é comum alguém me dizer que determinado filme é a minha cara – embora ser comparado a Hannibal Lecter (de “O Silêncio dos Inocentes”) ou Tyler Durden (de “Clube da Luta”) não seja exatamente algo lisonjeiro.
          Às vezes, posto no meu perfil a imagem de um desses personagens, dependendo de como eu esteja me sentindo no momento. Recentemente me perguntaram porque eu tinha colocado o assassino psicótico Anton Chigurh (interpretado por Javier Bardem em “Onde os Fracos Não Têm vez”) na foto do meu perfil, respondi apenas que seria melhor nem saber.
          Como de praxe, quis listar os cinco personagens com os quais eu mais me identifico e surpreendentemente não me deparei com nenhum galã ou herói. Inconscientemente, os tipos selecionados eram bem díspares. Concluí, ainda, que seria impossível alguém realmente compreender quem eu sou a partir dessa lista, mas para quem quiser tentar:

1 – Bruno Ricci (Enzo Staiola em “Ladrões de Bicicletas”)
2 – Joe Buck (Jon Voight em “Midnight Cowboy”)
3 – Alvy Singer (Woody Allen em “Annie Hall”)
4 – Travis Bickle (Robert De Niro em “Taxi Driver”)
5 – Carl Fredricksen (o velhinho misantropo de “Up”)

sábado, 11 de setembro de 2010

ALÉM DOS MUROS


          A dupla de grafiteiros, Leonardo Delafuente e Anderson Augusto, que assina suas obras como 6emeia (o momento em que os ponteiros do relógio se unem e apontam para baixo), realiza intervenções originais e bem humoradas em bueiros, postes e tampas de esgoto dos bairros paulistanos desde 2006, escapando do lugar-comum que impregna os muros das grandes cidades, e colhe elogios de importantes publicações europeias. Agora só falta a população conscientizar-se e deixar de atirar lixo nas ruas, principalmente da janela dos carros.


quinta-feira, 9 de setembro de 2010

ANTES DO CREPÚSCULO

          Por acaso, Jesse reencontra o poema do milk-shake, que o vagabundo vienense escreveu às margens do Danúbio, dentro de um livro. A página envelhecida não esconde a inevitabilidade do tempo. Ao reler os versos, imagina que talvez não ame Celine como amava, talvez nem ela também o ame. Melhor seria que eles se separassem antes que descobrissem a efemeridade do amor, antes que o silêncio falasse por eles, antes que tudo se tornasse rotina e comodismo. Mas ele apenas limita-se a devolver o poema ao livro, e desce para o jantar.

Ilusões à luz do dia
Cílios de limusine
Oh, seu belo rosto, querida
Derramar uma lágrima na minha taça de vinho
Olhe nos meus grandes olhos
Veja o que você significa para mim
Docinhos e milk-shakes
Sou o anjo das ilusões
Sou o desfile das fantasias
Conheça meus pensamentos
Não mais os adivinhe
Você não sabe de onde eu vim
Não sabemos para onde vamos
Estamos juntos na vida
Como dois galhos num rio
Sendo levados pela correnteza
Eu te carrego
Você me carrega
Podia ser assim
Você não me conhece?
Você já não me conhece?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

ÁLBUM DE FAMÍLIA


          Nas caixas abandonadas no sótão havia alguns álbuns. Eram dezenas de fotografias amareladas (de pessoas com sorrisos amarelos em suas poses programadas). Entre tantas  polaroids desbotando, encontrei uma dela: o jeito esnobe,  o olhar tímido, o enquadramento equivocado. Ela foi o melhor de mim e isso, por incrível que pareça, não é um elogio. p

Esse e outros microcontos em MAIS UMA DOSE

terça-feira, 31 de agosto de 2010

CAVALO DE PAU


           Minha inocência talvez tenha sido o bem mais valioso que perdi, depois que me mudei para a capital. Gradativamente, fui deixando de enxergar em mim aquele menino do interior. E por mais que eu o procure – num canto da sala, em algum canto dos olhos –, sei que jamais o reencontrarei. A inocência é irrecuperável, alguém já me disse.
           Na canção “Cavalo de Pau”, de Alceu Valença, gravada no disco homônimo de 1982, essa perda é representada pelo cavalo de brinquedo que torna-se arisco, indomável, feito o tempo ou o vento. O onirismo da letra ganha mais força com o arranjo seco, sutil, que está mais para o rock do que para os ritmos regionais tão atrelados ao nome do autor, e que perfeitamente encaixa na visceralidade final da interpretação.
           Provavelmente, buscar minha inocência seja mesmo um exercício inútil. Mas continuarei procurando.

CAVALO DE PAU
(Alceu Valença/ Dominguinhos)

De puro éter assoprava o vento
formando ondas pelo milharal
teu pelo claro boneca dourada
meu pelo escuro cavalo-de-pau.

Cavalo doido por onde trafegas
depois que eu vim parar na capital?
Me derrubaste como quem me nega
cavalo doido, cavalo-de-pau.

Cavalo doido em sonho me levas
teu nome é tempo, vento, vendaval
me derrubaste como quem me nega
cavalo doido, cavalo-de-pau.


 

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