quinta-feira, 30 de abril de 2009

BOB ESPONJA NÃO É GAY!

          A busca por mensagens escondidas em desenhos animados não é novidade, começou “oficialmente” em 1954 com a publicação nos EUA do livro “A Sedução dos Inocentes”, do psicólogo Frederick Wertham, onde afirmava que os quadrinhos incentivam crimes e degeneração. Entre suas teorias estavam que a dupla dinâmica era um casal homossexual, que a Mulher Maravilha era lésbica e que as orelhas do Pernalonga eram dois pênis e que ao se levantarem nada mais era do que ereções. Pode parecer absurdo, mas o livro originou o famigerado código americano de censura dos quadrinhos.
            Quando eu assistia às reprises de A Caverna do Dragão, já sem a esperança de que os garotos escapassem daquele mundo, ouvia as mais diversas versões sobre o que teria acontecido. A mais popular dizia que eles teriam morrido num acidente no parque de diversões e que estariam na verdade no inferno (o Mestre dos Magos seria o diabo e pai do Vingador, Uni um demônio e o dragão Tiamate seria Deus). Associar as personagens infantis ao consumo de drogas também era muito comum: Gargamel seria um viciado em chá de cogumelos que em seus delírios persegue homenzinhos azuis; Salsicha um maconheiro paranóico que conversa com cães e vive na maior larica; além de Popeye, que seria o maior apologista de marijuana da história, inclusive ficando fraco em suas crises de abstinência. A sexualidade era outro viés exaustivamente explorado, não valendo nem a pena enumerar quem ficava ou deixava de ficar com quem. Essas teorias da conspiração não devem cessar facilmente, não faz muito tempo que sopraram nos meus ouvidos que A Turma da Tina seria a verdadeira Turma da Mônica Jovem. Já nos animes e nas grandes produções da Pixar, DreamWorks e Disney há quem jure haver imagens ocultas em segundo plano. Tudo que sei é que o Louco é uma projeção da mente inquieta do Cebolinha (feito Calvin e Haroldo) e que independentemente de ser ou não bipeniano Pernalonga é sarcástico e mordaz, assim como Garfield e Pica-Pau, e se Bob Esponja e Patrick não são gays (conforme informação de seu criador Stephen Hillenburg), certamente Lula Molusco é, mas não me pergunte porquê.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

quinta-feira, 23 de abril de 2009

“EU SOU CRIANÇA E NÃO CONHEÇO A VERDADE”

O que você vai ser quando crescer?
Pais, tios, padrastos e vizinhos violentam crianças. Outros tantos aliciam menores em praças, estradas, esquinas, chats – a pedofilia me enoja, pedofilia é crime. Madonna não consegue adotar uma menina de três anos no Malauí porque uma juíza decidiu que era melhor para a criança continuar num orfanato. Na Índia o pai da atriz de nove anos Rubina Ali, a Latika de “Quem Quer Ser Um Milionário?”, teria tentado vender a filha, que mora com a madrasta numa favela na periferia de Mumbai. Aqui a miséria enfeita a cidade: crianças subnutridas pedem pelas ruas, fazem malabarismos nos sinais, dormem nas calçadas, nas marquises; bebês nos braços das supostas mães servem de munição para o terrorismo emocional; meninos cometem pequenos furtos para sustentar o vício em drogas; meninas se prostituem para sustentar o vício em drogas. Manchetes que não vendem jornais.

sábado, 18 de abril de 2009

KELVIN PROFUNDO E A MULHER MODERNA

Caminhava pelo centro da cidade, à noite e meio apressado, quando uma mulher se aproximou e me ofereceu seus serviços de “Kelvin Profundo sem embalagem e sem arrependimento por vinte conto” – como se fosse uma dessas panfletistas que ocupam a calçada divulgando empréstimos, cursos e exames médicos. Despertada a curiosidade parei para perguntar sobre o que se tratava e didaticamente ela me explicou, acariciando meu ombro numa tentativa vã e desajeitada de sedução, que Kelvin Profundo nada mais era do que a prática requentada da outrora célebre Garganta Profunda, com direito a ejacular goela abaixo (daí o “sem embalagem” do comercial). Não demonstrando surpresa agradeci e recusei, o que ocasionou um muxoxo de criança mimada, e sem perder tempo renegociando comigo passou naturalmente para outro possível cliente. (Depois descobri que Kelvin é uma corruptela de “quer vim”, modismo no calçadão de Copacabana). Já em casa, durante o intervalo do futebol nosso de quarta-feira, me deparei com o canal GNT e o programa “Saia Justa”, onde Mônica Waldvogel, Betty Lago, Maitê Proença e Márcia Tiburi, representantes da mulher moderna e de um mundo perfeito sem clichês masculinos, devidamente acomodadas num sofá, dissertam descontraidamente sobre comportamento, tendências e atualidades. Tudo no seu lugar, embora tenha me incomodado que o patrocinador seja o Caldo Knorr, símbolo do arquétipo da dona de casa ideal – ao lado do Bombril e de qualquer anúncio de margarina. Num exercício desnecessário de imaginação tentei, com muito esforço, visualizar a mulher que encontrei na rua sorridente e de avental numa cozinha branca cheia de luz natural ou o Kelvin Profundo patrocinando o programa, com direito a filme ilustrativo e slogan com duplo sentido. Porém começou o 2º tempo.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

9ª BIENAL DO LIVRO DA BAHIA
(PRAÇA DE CORDEL E POESIA)

17 a 26 de abril
CENTRO DE CONVENÇÕES DA BAHIA

Dia 23 (quinta-feira)

20h 20min - POESIA
Elizeu Moreira Paranaguá
Vânia Melo
Herculano Neto

terça-feira, 14 de abril de 2009

REVOLVER (2005)


“Os amigos estão próximos,
mas o inimigo está mais próximo.”
Estrada para o Suicídio

segunda-feira, 6 de abril de 2009

TUDO O QUE EU SEMPRE QUIS DIZER SOBRE CERVEJA

Gosto de cerveja. Cerveja escura, chopp de vinho, bock, flavorizadas. Gosto de beber sozinho, com aquela indiferença que aprendi a carregar nos olhos. No bar minha cerveja é no balcão, estilo copiado de filme americano: long neck, sem copo. Detesto copos. Nunca me deixo acompanhar à mesa, a garrafa de 600 ml no centro, gargalhadas, futebol, mulheres, samba - tudo previsivelmente ritualístico me repele. Recuso com destreza convites, um intelectualoide à mesa é pior que cerveja quente. Sempre acreditei que quem compartilha cerveja não gosta de cerveja, gosta de jogar conversa fora, e eu não desperdiço nada, sequer conversa. (Parafraseando Cazuza: quando eu estiver bebendo não se aproxime). Minha cerveja não desce redondo, redonda nem redondamente, ela fica no caminho, é um engano, um desvio de rota, um atraso, tráfego. Minha cerveja ignora a noite fria e reduz o meu domingo a um marasmo ainda maior. Minha cerveja não protagoniza o anúncio da tv, não enfeita o cartaz da gostosa fabricada na tela do designer, não patrocina a alegria com prazo de validade. Minha cerveja não tem happy hour, apenas dias de infelicidade. Sem moderação, sem interação, sem folia, sem slogans. Minha cerveja não é praia, é pub; não é celebridade, é Bukowski.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

CALYPSO E O NOBEL DA PAZ


Nunca entendi a utilidade, nem mesmo simbólica, do Prêmio Nobel da Paz. Sempre me soou excêntrico, distante, político e pouco prático – e irônico pelo fato de ser o inventor da dinamite o sueco Alfred Nobel. De acordo com as normas o prêmio deveria distinguir a pessoa ou organização que tivesse feito a maior/melhor ação pela fraternidade entre as nações, no entanto o Brasil trata a premiação como se fosse uma competição esportiva, assim como fez com a escolha do papa. Não faz muito tempo que o presidente Lula, Xuxa e Pelé desejaram conquistar o prêmio; agora o Comitê da Paz do Estado do Pará indicou o grupo Calypso “por seu relevante trabalho humanitário em prol dos carentes da região norte”. As batidas que costumo dar com minha cabeça na parede após as derrotas do Bahia devem ter causado algum dano ao meu cérebro, pois não me surpreendi nem um pouco. Deve ter sido porque sua vocalista foi eleita uma das mulheres mais sexy do país e seu parceiro um dos melhores músicos em atividade – opinião, inclusive, de Herbert Vianna. Não quero maliciosamente, e covardemente, comparar os paraenses a laureados como Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá ou Martin Luther King, não seria justo. No máximo colocá-los no mesmo balaio que Al Gore, Jimmy Carter, Kofi Annan e Mikhail Gorbachev – que já tiveram seu momento de representantes da paz mundial, porém com menos molejo. Mas se a dançarina Carla Perez e o seu constrangedor (adjetivo menos desrespeitoso que encontrei) “Cinderela Baiana”, tentou a candidatura brasileira à disputa do Oscar em 1998, então não há mal algum a Joelma e Chimbinha aspirarem ao Nobel.
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