quinta-feira, 10 de setembro de 2009

DIRETAMENTE DA MESA DO BAR

"Besouro", de João Daniel Tikhomiroff

Na próxima semana um grupo formado por críticos, cineastas e distribuidores divulgará oficialmente o nome do filme brasileiro que será candidato a candidato na disputa do Oscar de melhor filme estrangeiro em 2010. Assim como no último ano, quando Walter Salles se recusou a inscrever o ótimo “Linha de Passe”, a maior ausência agora é de “À Deriva”, de Heitor Dhalia (alguém pensou em Daniel Filho?). O último concorrente do país foi “Central do Brasil”, em 1998. Abaixo a lista dos concorrentes divulgada pelo Ministério da Cultura, segundo seus critérios nacionalistas:

"A Festa da Menina Morta", de Matheus Nachtergaele
"Besouro", de João Daniel Tikhomiroff
"Budapeste", de Walter Carvalho
"Feliz Natal", do ator Selton Mello
"Jean Charles", de Henrique Goldman
"O Contador de Histórias", de Luiz Villaça
"O Menino da Porteira", de Jeremias Moreira
"Salve Geral", de Sérgio Rezende
"Se Nada Mais der Certo", de Eduardo Belmonte
"Síndrome de Pinocchio - Refluxo", de Thiago Moyses.

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A simples especulação da capital pernambucana ser incluída na turnê de Paul McCartney, em abril de 2010, entrou sem cerimônias no Top Five de POR QUE NÃO MORAR EM SALVADOR, ocupando o 5º lugar, posição que pertencia aos ensaios de verão.

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Meus herois morreram de overdose; os de Pedro Bial são pseudocelebridades; os dos narradores esportivos são os que alcançarem o alto do pódio no final de semana; os do McDonalds nem precisam usar capa, basta ajudar a vender aquilo que eles chamam de comida; outros tantos estampam camisas. Uma família subsistir com menos de cem reais por mês é pôster no quarto de quem?

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Não consigo entender quem organiza a própria festa de aniversário, deve ser algum tipo de carência ou medo de ser esquecido, se a festa for temática pior ainda. Consigo tolerar crianças fantasiadas soprando velinhas, mas não adultos (vergonha alheia é algo que não me abandona). Odeio “parabéns pra você” e outras cantigas supostamente engraçadinhas, todo aquele ritual me enoja. E desprezo quem esconde a própria idade atrás de subterfúgios e eufemismos infantis, como dizer que completou 4.7 feito um aparelho eletrônico de última geração. Desconheçam minha data de nascimento e se não for possível ignorem – é o melhor presente que posso receber. E não me convidem para festas de aniversário.

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O filho de Érico Veríssimo atacou de professor de gramática em sua coluna nos jornais de domingo ao afirmar que o pré-sal deveria se chamar pós-sal, porque a perfuração ocorrerá de cima para baixo, havendo ali um evidente erro de semântica. Só que o mesmo artigo denomina-se, em letras garrafais, PEQUENOS DETALHES. Até onde eu saiba todo detalhe é pequeno, logo o título é bem mais do que um pleonasmo – é mera redundância.

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Documentários musicais são a bola da vez do cinema brasileiro. Figuras como Caetano Veloso, Wilson Simonal, Titãs, Batatinha, Herbert Vianna, Cartola, Arnaldo Batista (e até Waldick Soriano) já encontraram seu lugar na tela grande. Espero somente não me deparar com nenhum cartaz de “Em Breve” com a imagem do Dj Marlboro ou de alguma cantora de música para dançar fabricada na Bahia.

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Sem nunca ter escrito um livro o ex-presidente (clichê necessário) Fernando Collor de Melo foi eleito para a Academia Alagoana de Letras. Se tivesse escrito algum, o Prêmio Nobel seria pouco.

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Ultimamente o substantivo inexpressivo “coisa” tem desnecessariamente me incomodado. Na suposta ausência de palavras ou por simples preguiça emprega-se “coisa” em quase tudo: “foi a melhor coisa que li este ano”; “que coisa linda”; “a única coisa que prestou naquele show”... Não respondo quando desconhecidos me abordam na rua chamando-me de “coisinho” e não gostaria jamais de escutar de quem amo algo como “você foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida”. Êta papo qualquer coisa.
          Traz a conta.

3 comentários:

  1. Infelizmente o candidato brasileiro AINDA é uma escolha política.

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  2. Depois de ler esse texto passei a evitar o uso da palavra "coisa", no meu caso era preguiça de pensar em algo mais apropriado para colocar.

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  3. E o candidato brasileiro é:
    SALVE GERAL, de Sérgio Rezende.

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