sexta-feira, 18 de setembro de 2009

CINEMA

CINEMA
Herculano Neto

“Você nunca vai saber
quanto custa uma saudade
o peso agudo no peito
de carregar uma cidade”.
P. Leminsky

cresci numa cidade
onde não havia mais cinemas
as cenas aconteciam nas ruas
nas gentes
projetadas a esmo

personagens felinianos
se sucediam
nas seqüências
da minha infância

cresci numa cidade
onde não havia muita coisa

apenas história pra contar

11 comentários:

  1. Travelling

    Para Herculano Neto

    Santo Amaro vive em mim
    desde menino em Riachão
    A cachoeira de Pedras
    e a Festa da Purificação...

    São lembranças que guardo
    num camafeu de ouro
    estampado no meu peito
    feito um grande tesouro

    Sergão, Dado, Edynei
    Edvaldo Assis, Bóris
    Roberto Mendes...
    Amigos de uma confraria
    a que mantenho no coração

    O Subaé sem providência
    e o Samba de São Braz
    me leva ao delírio
    Vou me mudar
    Para Santo Amaro
    Lá é que vai ser meu exílio.

    Miguel Carneiro, 18/09/2009

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  2. que lindo poema. as histórias pra contar são o que de melhor a gente leva...
    abraços

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  3. Histórias pra contar,
    somos felizes por isso,
    por podermos contar o que nos
    contaram, e para viver o que contarão de nós.

    (muito grata por sua visita, e pelo cuidado de fazer-me lembrar que às vezes, as coisa podem dar certo)

    Beijo.

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  4. Faço poemas porque encontro as palavras, em danças, em cenas, gestos e acontecimentos.
    Mas não sei o que faço são poemas...
    Gosto de quem tem roteiros inacabados e filmes imaginados...

    saudações poéticas!

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  5. Singelo e tocante. Profundamente lindo!
    Ótima semana.

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  6. Então, puxarei a cadeira e ouvirei as histórias que você tem para contar :) Gostei.

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  7. olá Herculano Neto!


    Obrigado pela visita.

    Adorei saber que é de Santo Amaro da Purificação. Tenho uma amiga poeta que reside em Diadema que é de Santo Amaro. Boa poesia. Procure Radi Oliveira. Qualquer coisa; me avisa que lhe envio um poema dela.

    Abraços.

    José Geraldo Neres

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  8. Roceiro
    Radi Oliveira

    pela janela do meu rosto
    céu carrega meu desejo
    terra nua quente
    boca abre
    pede beijos
    céu aperta no peito
    nuvens caem
    como lágrimas
    terra sobe
    desabafada
    fecho os olhos
    terço-semente
    sorrindo verde
    joelhos vestidos de terra
    embriagada.


    da antologia "Templos Perplexos".

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  9. Tributo

    Radi Oliveira

    Bate o vento
    derrubando a folhagem
    do antigo pinheiro
    morto no coração do quintal.
    Chora um passarinho amarelo,
    dizendo assim:
    Bem- te- vi, bem- te- vi,
    Bem- te- vi no ouvido de
    um galho seco.
    Arrastando-se pelos telhados
    Um miúdo raio de sol
    - Vem ver!
    As rugas cinzas,
    os frutos pecos, as pipas
    penduradas no esqueleto.
    Um pinheiro estóico
    ao tempo.





    --------------------------------------------------------------------------------
    Era abril, quatro de 80, Santo Amaro da Purificação. Filha de Aureliano com Helena. Dia 1º de janeiro nasceu em Diadema, filha de Brait para escrever (Palavreiros), para cantar (Formigueiro). Atualmente só ama (Adeodato e Celena).

    Da antologia "Templos & Territórios"

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  10. As melhores cenas são as das ruas. Belo poema!

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  11. E boas histórias, tão marcantes quanto um bom filme.

    Sábias palavras.

    Aproveitando para agradecer as visitas.

    Abraço,

    Munique

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